BYD e Amado Batista entram na lista suja do trabalho escravo
Ministério do Trabalho divulga empregadores que respondem por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão
postado em 14:22 - 07/04/2026
Ministério do Trabalho divulga empregadores que respondem por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão
postado em 14:22 - 07/04/2026
Auditoria do Ministério do Trabalho resgatou 16 bolivianos em oficinas de costura com jornadas de mais de 12 horas e condições precárias
postado em 04:00 - 04/04/2026
Cinco Relatorias Especiais da ONU solicitaram oficialmente esclarecimentos ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Entre os questionamentos estão as razões que levaram a Justiça a autorizar o retorno de Sônia ao convívio de seus exploradores
postado em 06:00 - 23/02/2026
A escravidão contemporânea não é um desvio isolado. É herança direta de um sistema histórico nunca superado. Ela se alimenta da pobreza extrema, do racismo estrutural e da exclusão social
postado em 06:00 - 28/01/2026
Levantamento inédito mostra que, mesmo 137 anos após a Lei Áurea, o Brasil ainda convive com formas modernas de escravidão, que movimentam bilhões, atingem grandes corporações e se mantêm pela impunidade e vulnerabilidade das vítimas
postado em 06:01 - 25/09/2025
A condenação da multinacional do setor automobilístico Volkswagen por exploração de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda no Pará, nas décadas de 70 e 80, é uma sentença histórica. A avaliação é do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Rafael Garcia, responsável pelo caso.

A decisão da Justiça do Trabalho no Pará foi provocada por ação civil pública ajuizada pelo MPT em dezembro de 2024. A conduta aconteceu entre os anos de 1974 e 1986 na Fazenda Vale do Rio Cristalino, de produção de gado, também conhecida como Fazenda Volkswagen, em Santana do Araguaia, no sudeste do estado, quase chegando a Mato Grosso.
"Centenas de trabalhadores foram aliciados, traficados e levados para a fazenda e lá foram submetidos a essas condições absolutamente desumanas", descreve Garcia.
A multinacional, com sede na Alemanha, deverá pagar R$ 165 milhões de indenização por dano moral coletivo. O recurso será repassado ao Fundo Estadual de Promoção do Trabalho Digno e de Erradicação do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo no Pará (Funtrad/PA).
Em conversa com a Agência Brasil neste sábado (30), o procurador Rafael Garcia comemorou a condenação.
"Trata-se de uma sentença histórica. A maior condenação por trabalho escravo contemporâneo da história do Brasil. Envolvendo uma das maiores empresas do mundo", disse.
Ele ressaltou que todas as provas apresentadas pelo MPT e apreciadas pela Justiça foram baseadas em denúncias da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apresentadas em 2019 pelo padre Ricardo Rezende Figueira.
Garcia enfatizou que a condenação é um entendimento de que crime desse tipo não pode prescrever.
"Essa sentença demonstra, de forma cabal, que a exploração do trabalho escravo é uma conduta imprescritível, ou seja, mesmo ocorrendo há muitos anos, ela pode ser objeto de ação judicial, de condenação e reparação", disse.
"Trata-se de grave violação dos direitos humanos e, nessa forma reconhecida a semelhança do que é a tortura, pode ser sujeita a condenação a qualquer momento, portanto, imprescritível", completou.
O procurador lembrou que o crime foi cometido com a conivência do Estado brasileiro, à época, sob a ditadura militar (1964-1985). O empreendimento agropecuário da Volkswagen teve financiamento público da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Para Garcia, o dano é estendido à sociedade brasileira, e a reparação se destina à sociedade como um todo.
"Como forma de punição da empresa pela prática que fez. Foi uma violação que agride a toda a sociedade brasileira e não apenas àqueles que foram atingidos diretamente, os trabalhadores, que obviamente também terão o seu direito de indenização", considerou.
A condenação inclui o reconhecimento público pela empresa de sua responsabilidade, um pedido de desculpa aos trabalhadores atingidos e a toda a sociedade.
Procurada pela Agência Brasil, a montadora afirmou que vai recorrer da sentença.
"A Volkswagen do Brasil informa que tomou conhecimento da decisão em primeira instância, relacionada à investigação da Fazenda Vale do Rio Cristalino, mas seguirá sua defesa em busca de justiça e segurança jurídica nas instâncias superiores".
A companhia acrescentou que "com um legado de 72 anos, defende consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis".
"A Volkswagen reafirma seu compromisso inabalável com a responsabilidade social, que está intrinsecamente ligada à sua conduta como pessoa jurídica e empregadora", finaliza a nota.
Uma das principais fabricantes de automóveis no mundo, a Volkswagen chegou ao Brasil em 1953 e inaugurou a primeira fábrica em 1959.
A companhia também registrou episódios de colaboração com a ditadura. Em 2017, o então presidente da Volkswagen Região América do Sul e Brasil, o argentino Pablo Di Si, admitiu que houve pessoas dentro da empresa que colaboraram com o regime militar.
Uma investigação interna da empresa apontou condutas como permitir a prisão de funcionários no interior de suas unidades, perseguir trabalhadores por atuação política e sindical, produzir informações para encaminhamento aos órgãos de repressão, colaborar financeiramente com o regime e permitir práticas de tortura na sede da montadora.
Di Si ressaltou que a colaboração não era institucionalizada, pois se dava pela ação de funcionários.
postado em 17:14 - 30/08/2025
Decisão obriga a montadora a reconhecer responsabilidade, pedir desculpas públicas e adotar medidas de prevenção contra novas violações
postado em 22:42 - 29/08/2025
Os trabalhadores dormiam em quartos superaquecidos e com superlotação. Alguns chegavam a dormir no chão em mesas quando não havia camas disponíveis
postado em 09:06 - 07/08/2025
Ação civil pública denuncia condições degradantes, tráfico de pessoas e trabalho forçado na construção da fábrica da montadora chinesa em Camaçari
postado em 15:02 - 27/05/2025
Recursos sem transparência financiaram obras de calçamento com uso de pedras obtidas com trabalhadores em situações degradantes
postado em 16:22 - 12/05/2025