Flávio Mitidieri Ramos, gastroenterologista e endoscopista bariátrico
Quais são os principais riscos gastrointestinais associados ao uso dessa pílula com antena de radiofrequência?
De forma geral, os riscos gastrintestinais parecem ser baixos, porque o sistema foi projetado para ser incorporado em cápsulas já existentes e com materiais biodegradáveis. No entanto, qualquer dispositivo ingerido pode, teoricamente, causar efeitos como desconforto abdominal, náuseas, sensação de corpo estranho ou, em casos raros, dificuldade de trânsito pelo trato digestivo. Outro ponto de atenção é a possibilidade de reações locais à presença do dispositivo, como irritação da mucosa gástrica ou intestinal, especialmente em pessoas mais sensíveis. Esses riscos, porém, precisam ser melhor avaliados em estudos clínicos maiores e de longo prazo.
Que critérios clínicos deveriam ser considerados para indicar o uso dessa pílula do ponto de vista gastroenterológico?
Do ponto de vista da gastroenterologia, alguns critérios são fundamentais antes de indicar essa tecnologia. É necessário que o paciente não apresente doenças estruturais do trato gastrointestinal que dificultem a passagem de cápsulas, estenoses, obstruções ou cirurgias digestivas recentes, assim como inflamações ativas, como úlceras ou doença inflamatória intestinal descompensada. Deve-se ainda realizar uma avaliação do risco-benefício individual, especialmente em idosos ou em pacientes com múltiplas comorbidades, além de garantir que não haja histórico de alergias ou reações aos materiais utilizados no dispositivo. Se esses critérios forem respeitados e os estudos confirmarem a segurança, trata-se de uma tecnologia muito promissora para melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso, um dos grandes desafios da medicina atualmente. (RL)