"Apesar do brilhantismo do projeto, minha avaliação técnica é que ainda há um longo caminho para que essa tecnologia se prove viável fora de cenários controlados, especialmente na nossa realidade agrícola tropical. A física do rádio não vence a física da biomassa: em lavouras adensadas típicas do Brasil, como cana-de-açúcar, café ou mesmo trigo e soja, a 'parede' de vegetação bloquearia ou distorceria severamente o sinal, impedindo a leitura pelo drone que precisa 'ver' a antena do sensor na superfície do solo. Além disso, a dimensão da antena na superfície é incompatível com o espaçamento de plantio de muitas culturas e também o tráfego de maquinário, e o monitoramento raso de apenas 20cm ignora a dinâmica profunda de água dos nossos Latossolos e Argissolos. Por fim, o modelo esconde o alto custo do drone e o risco de transformar o solo em um depósito de lixo eletrônico descartável a cada safra. É uma prova de conceito muito inteligente mesmo, mas que exige profunda adaptação antes de se tornar uma ferramenta útil no chão de fábrica para a agricultura brasileira."
Alessandro Samuel-Rosa, professor da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) apoiado pelo Instituto Serrapilheira