
Em 25 de janeiro de 2019, o nome de Brumadinho, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ecoou pelo mundo de forma negativa com o rompimento da barragem da Vale na Mina Córrego do Feijão. O acidente tirou a vida de 272 pessoas, contaminou a bacia do Rio Paraopeba, destruiu comunidades inteiras e mudou a cidade para sempre. Depois de enfrentar um dos maiores desastres ambientais e humanitários do Brasil, Brumadinho continua a se reerguer, adotando o turismo como uma de suas bases.
A cidade mineira abriga o maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo, o Instituto Inhotim, mas mesmo com um atrativo tão grande, Brumadinho não era reconhecida como destino turístico, mas sim como um complemento para um “bate e volta” de quem se hospedasse em Belo Horizonte.
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Sete anos após o desastre, o cenário é bem mais promissor para o turismo. Como parte da política de reparação, em 2020 Brumadinho passou a receber consultoria especializada em prol do desenvolvimento turístico da cidade. Desde então, com objetivo de aumentar o tempo de permanência do turista em Brumadinho e fortalecer empreendimentos que atuam no setor, dois projetos grandes ganharam forma.
O primeiro nasceu através da Instância de Governança Regional (IGR) Veredas em parceria com a Vale. O Projeto de Fortalecimento da Competitividade do Setor Privado do Turismo proporcionou a 90 empresários do setor do turismo dos municípios de Brumadinho, Mário Campos, Juatuba, Igarapé e São Joaquim de Bicas assistencia técnica especializada nas áreas de atuação — artesanato, gastronomia, hospedagem, receptivos e guias.
Colocando o Inhotim como marco zero para explorar a região, foram construídas experiências turísticas que alinhem a contemporaneidade do museu ao turismo desenvolvido na IGR. A metodologia utilizada no projeto foi criada para ser replicada, permitindo que a oferta turística local continue em expansão.
Já o segundo projeto, impulsionado pelo Programa de Fomento do Turismo Sustentável da Vale, deu origem ao Céu de Montanhas, um catálogo com experiências autênticas de turismo rural e de base comunitária. A iniciativa atende apenas ao município de Brumadinho.
Além de desenvolver a oferta turística local, Brumadinho também está crescendo quanto a oferta hoteleira. Em 2024, foi inaugurado o Clara Arte Resort, um hotel boutique dentro das dependências do Inhotim, se tornando mais que um meio de hospedagem, mas uma experiência completa para o turista. Quem se hospeda no Clara Arte, além de dormir em uma obra de arte em formato de hotel, também tem acesso exclusivo ao museu.
Com previsão de conclusão para 2028, Brumadinho ganhará mais um hotel de nome. O Vila Galé Brumadinho chega à cidade com a proposta de internacionalizar ainda mais o destino e aumentar consideravelmente o número de leitos ofertados, uma vez que serão construídas 312 unidades de alojamento. A chegada de um hotel desse porte favorece até mesmo hospedagens menores, com o nome do destino sendo levado junto com o nome da marca, mais turistas se interessam pela região e pelas diversas formas de se hospedar nela.
É importante reforçar que o turismo é um setor que só funciona em cadeia. O desenvolvimento individualizado de empreendimentos turísticos não trará o resultado procurado — sendo, inclusive, prejudicial — , é necessário que o destino se organize em conjunto. Dessa forma, é notável que Brumadinho tem se estruturado, tornando a cidade um lugar melhor para seus próprios morades, o que, consequentemente, a fará um lugar melhor para seus turistas.
O turismo é possível
Apesar de abrigar há 20 anos um museu internacionalmente conhecido, a estruturação do turismo chegou tarde a Brumadinho e veio após uma tragédia. Entretanto, a cidade prova que o turismo é um setor possível e, quando bem planejado, traz retorno e desenvolvimento para uma região.
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Mesmo com tantos fatores adversos, o desenvolvimento do turismo em Brumadinho está acontecendo de uma forma positiva, alinhando a governança pública a um setor privado mais estruturado, desenvolvendo experiências e aumentando a oferta hoteleira. No turismo, uma mão sempre lava a outra e uma área sempre precisa impulsionar a próxima.
Ainda existem fatores que demandam uma atenção especial, como por exemplo experiências com valores elevados, necessidade da qualificação de mão de obra, salários não compativeis, entre outros, que não inviabilizam o desenvolvimento sustentável no destino e podem ser trabalhadas com planejamento e alinhamento.
A falta de investimento no turismo está diretamente alinhada ao imediatismo no retorno financeiro, mas sem uma visão organizada de futuro. Dessa forma, muitas cidades se redem a mineração como única fonte de renda da população e não veem no turismo uma possibilidade, quando o setor, trabalhado de forma estruturada, pode se tornar um canal de crescimento econômico mais sustentável a longo prazo.
O turismo sustentável aumenta a receita da cidade, impulsiona a criação de empregos, auxilia no desenvolvimento da infraestrutura local e pode mudar completamente a qualidade de vida de uma população. Não é preciso chegar em uma tragédia para começar a ver o turismo como algo factível em uma região.
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