
Por muito tempo, o turismo urbano esteve associado quase exclusivamente a centros históricos, cartões-postais consagrados e equipamentos culturais localizados em áreas centrais. Em Belo Horizonte e Contagem, esse cenário começa a se transformar a partir de iniciativas que colocam a arte, a cultura e a ocupação criativa do espaço público como elementos centrais na construção de novos roteiros turísticos — mais diversos, inclusivos e conectados à identidade real das cidades.
Esse movimento ganha força a partir da gestão integrada de diferentes equipamentos culturais espalhados por territórios distintos. À frente de espaços como o Viaduto das Artes, museus históricos de Belo Horizonte, a Estação Bernardo Monteiro e mais recentemente, dos CEUs das Artes em Contagem, o escultor e gestor cultural Leandro Gabriel defende que a cultura é capaz de “costurar a cidade”, criando conexões simbólicas e territoriais que ampliam a experiência turística.
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A proposta rompe com a lógica tradicional de concentração dos atrativos e aponta para um turismo que valoriza tanto o patrimônio histórico quanto a produção artística contemporânea, independentemente de onde ela esteja localizada. Conectar um viaduto ocupado por arte na periferia, um museu centenário na Zona Sul de Belo Horizonte e equipamentos culturais inseridos em comunidades de Contagem resulta em um roteiro inédito, que revela múltiplas camadas culturais e amplia o entendimento sobre o que é — e onde está — a excelência artística.
Ainda segundo Leandro: “O turismo acontece quando quebramos a barreira do preconceito geográfico através da excelência. Quando aplicamos o mesmo rigor técnico de um museu internacional em um equipamento na periferia, tornamos aquele local um ponto de interesse”.
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Projetos como o Viaduto das Artes, instalado sob um viaduto no Barreiro, e a Estação Bernardo Monteiro, que ocupa um antigo espaço ferroviário em Contagem, demonstram que o interesse turístico não está restrito à localização, mas à experiência oferecida. A arquitetura de reuso, a programação cultural e a relação direta com o território despertam curiosidade, mas é a gestão qualificada que transforma esses espaços em destinos consolidados.
Essa mesma lógica orienta a gestão de equipamentos históricos como o Museu da Moda (MUMO), o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) e o Museu da Imagem e do Som (MIS). A premissa é clara: todos os espaços devem ser tratados com o mesmo rigor técnico, curatorial e administrativo, garantindo qualidade, sustentabilidade e relevância cultural, independentemente do bairro ou do público atendido.
A ampliação dessa gestão para os CEUs das Artes em Contagem reforça ainda mais a ideia de que a periferia pode — e deve — ocupar um lugar central no turismo cultural. Localizados no coração das comunidades, esses equipamentos fortalecem a produção cultural local, promovem pertencimento e convidam o visitante a conhecer uma cidade que vai além dos roteiros tradicionais.
Ao valorizar esses territórios, o turismo passa a cumprir também um papel estratégico de descentralização de fluxos, distribuição de recursos e reconhecimento das identidades locais.
Nesse contexto, cultura, economia criativa e turismo se apresentam como dimensões indissociáveis. Equipamentos culturais multifuncionais, com programação contínua e gestão em rede, tornam-se fundamentais para a sustentabilidade das políticas públicas e para a consolidação de novos destinos urbanos.
O turismo deixa de ser apenas visitação e passa a gerar impacto econômico, social e simbólico, criando oportunidades, fortalecendo vínculos comunitários e qualificando a experiência do visitante.
Outro diferencial desse modelo está na escuta ativa do público. Pesquisas com visitantes, avaliações de satisfação e monitoramento de impacto social fazem parte da rotina desses espaços, permitindo ajustes constantes na programação, no atendimento e na comunicação. O uso de dados contribui para decisões mais estratégicas e para a construção de experiências turísticas mais alinhadas às expectativas do público e às realidades dos territórios.
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Ao integrar periferia, patrimônio histórico, arte contemporânea e gestão, iniciativas como essas desenham um novo mapa do turismo urbano em Minas Gerais. Contagem e Belo Horizonte deixam de ser vistas apenas como cidades industriais ou administrativas e passam a se afirmar como destinos culturais vivos, onde a arte ocupa o espaço público, ressignifica territórios e transforma a cidade em experiência.
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