
Todo brasileiro estudou sobre a inversão da pirâmide etária e esse momento está mais próximo do que se imagina. Entretanto, os idosos de hoje em dia já não são os mesmos de quando os primeiros estudos sobre esse fenômeno começaram. Enquanto há poucas décadas a terceira idade era vista apenas como a última fase, atualmente é o momento em que muitos mais aproveitam a vida. E é nessa nova versão de quem já chegou nos 60+ que o turismo precisa se atentar.
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O viajante 60+ é um grande apoio para diminuir as questões de sazonalidade que o setor enfrenta. Por não estarem presos ao calendário como a maioria dos viajantes, são os principais clientes da baixa temporada, principalmente por procurarem fugir das grandes aglomerações que acontecem durante a alta. Além disso, são reconhecidos como excelentes pagadores, com o menor índice de inadimplência do mercado.
No cenário global, a economia prateada já alcança a marca de US$15 trilhões por ano, enquanto no Brasil movimenta cerca de US$2 trilhões (Fonte: Data8). Os valores provam a necessidade de maior representação do público no mercado, adotando também um letramento por parte do setor.
De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas acima dos 60 anos são consideradas idosas, contudo, nem todos se encaixam no estereótipo de idoso velinho que não consegue fazer muita coisa. Atualmente, o mercado assiste ao surgimento do NOLT (New Older Living Trend), que são idosos no documento, mas se mantêm ativos e bem cuidados, preparados para viver experiências e aventuras.
Ainda existem os idosos que desejam apenas jogar bocha e frequentar os bailes da terceira idade, mas com os avanços da medicina, nutrição e informação, o número de pessoas 60+ dispostas a viver de tudo tudo mesmo, até saltar de paraquedas! aumentou significativamente.
“Os 60 de hoje não são os novos 40; são os 60 mesmos, mas com uma expectativa de vida e qualidade de saúde muito superiores”, define Ana Carolina Kuwabara, idealizadora do Expo Fórum Turismo 60+ e referência em comportamento do viajante maduro e economia prateada.
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Turismo Prateado
A urgência por adaptação é real. Mesmo plenamente inseridos nas redes sociais, o turista 60+ não costuma resolver tudo pela internet, sendo fiel às agências de viagens. Não apenas pelo apoio, mas também pela segurança, personalização e o conforto de saber que tudo chegará pronto” às suas mãos. O agente de viagem se torna o porto seguro do viajante, que sabe que tem a quem recorrer caso alguma coisa dê errado ou se sinta perdido em algum momento.
Por isso, é preciso que o agente de viagem se capacite para atender o viajante maduro, compreendendo suas dores e necessidades, sabendo a forma de atendê-lo sem ser incômodo e se tornando uma fonte de segurança. Questões como o autoatendimento dos aeroportos e hotéis podem ser um problema durante a viagem por ignorarem limitações naturais da idade como a presbiopia (vista cansada) e dificuldades auditivas.
Uma parcela dos turistas 60+ tem medo dos aeroportos devido à constante mudança de portões e as sinalizações com letras reduzidas nos letreiros, dessa forma, o agente de viagem fica encarregado de orientar o passageiro sobre o direito de acompanhamento da companhia aérea até a porta do avião e auxílio com malas pesadas garantido através de agendamento. Outra forma de apoio que o agente de viagem pode oferecer é, além de montar um roteiro completo, é entregá-lo impresso, facilitando o acompanhamento para o viajante.
As adaptações precisam vir do setor de forma completa. Na hotelaria, pequenas mudanças podem transformar a viagem do turista e impedir acidentes graves, como: a disponibilização de tapetes antiderrapantes e barras de apoio nos banheiros, o tamanho das fontes nos rótulos dos amenities, a alocação em quartos próximos aos elevadores e restaurantes e até mesmo o vocabulário utilizado no atendimento. Além disso, criar programações pensadas para este público também são essenciais para que eles possam aproveitar a hospedagem de forma completa.
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Mas antes de se adaptar, o mercado precisa conhecer o viajante maduro. Além das questões de assessibilidade e personalização do atendimento, é preciso entender a forma de consumir e viajar deste público. A comodidade, o conforto e a segurança estão sempre entre os primeiros parâmetros na hora de decidir o próximo destino. Por isso, são grandes fãs de cruzeiros, resorts e de voltar ao mesmo lugar mais de uma vez. Saber o que vão encontrar somado a comodidade de ter entretenimento, gastronomia e hospedagem em um só local são pontos positivos para estes viajantes. Em ambientes como os cruzeiros e resorts, a vantagem de realizar poucos deslocamentos e a facilidade de socialização também são fatores levados em conta.
Expo Fórum Turismo 60+
Pensado na profissionalização do setor, acontece em São Paulo o único fórum voltado para o turista 60+ do Brasil. O Expo Fórum Turismo 60+ chega à sua 4ª edição em 2026. O evento acontecerá em 11 e 12 de maio, sendo o primeiro ano que acontecerá em dois dias, no Centro de Convenções Rebouças. O evento tem o foco no letramento do trade, com uma programação montada para a capacitação e apresentação de dados inéditos.
O Fórum também ajuda na criação de conteúdo sobre o viajante 60+, que ainda é negligenciado pelo mercado e por órgãos governamentais de turismo, que ainda sabem e investem pouco neste público, mesmo apresentando um potencial gigante de retorno.
Uma novidade do evento para 2026 será a possibilidade de sentir na pele como um idoso se movimenta, com a possibilidade de vestir um macacão que representa o peso de estar em um corpo 70+. A intenção é sensibilizar para poder transformar. É a partir do conhecimento que é possível construir práticas adequadas para este viajante.
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O evento também reforça seu caráter social com o ingresso solidário no valor de R$60,00, em que a arrecadação será integralmente revertida para o Instituto Velho Amigo, que apoia idosos em situação de vulnerabilidade.
O turismo é uma poderosa ferramenta para a longevidade e precisa estar preparado para receber este turista que investe cada vez mais no seu hoje.
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