Cultura

Araçuaí sobe ao palco do Brasil com o FESTA, o festival que celebra o teatro no Vale do Jequitinhonha

O Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua, movimenta Araçuaí e reforça o protagonismo cultural do Vale do Jequitinhonha. Com programação gratuita, o FESTA reúne artistas de várias regiões e transforma a cidade em palco de arte, reflexão social e valorização cultural.

Araçuaí sobe ao palco do Brasil com o FESTA, o festival que celebra o teatro no Vale do Jequitinhonha -  (crédito: Uai Turismo)
Araçuaí sobe ao palco do Brasil com o FESTA, o festival que celebra o teatro no Vale do Jequitinhonha - (crédito: Uai Turismo)
Araçuaí sobe ao palco do Brasil com o FESTA, o festival que celebra o teatro no Vale do Jequitinhonha (Foto: Pedro Bicalho)

No período de 27 a 29, Araçuaí se consolida como a capital do teatro e reafirma o protagonismo cultural no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais. Nestes dias acontece a 8ª edição do Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Araçuaí – FESTA na cidade, que contará com extensa programação e o melhor, totalmente gratuita!

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Araçuaí, localizada no Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, é um município marcado por uma cultura vibrante e belezas naturais que atraem visitantes de diferentes regiões do país e tem uma população estimada em 34.300 habitantes, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE.

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Do ponto de vista turístico, Araçuaí oferece atrações que incluem o encontro dos rios na Barra do Pontal, espaços comunitários como museus que preservam a memória local e centros de cultura, além das feiras tradicionais e gastronomia regional, que enriquecem também o cotidiano cultural da cidade e da região.

Não é atoa, que Araçuaí tem se destacado como polo cultural do Vale do Jequitinhonha, com corais, grupos teatrais, festas populares e uma forte presença do artesanato que valoriza a identidade da região. Estive por lá recentemente e claro, fiz questão de prestigiar o riquíssimo artesanato em argila, ou barro como alguns artistas preferem denominar.

É facilmente perceptível o trato e o aproveitamento que se dá à cerâmica produzida na região. Existem produções regulares em algumas comunidades que são reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais. 

A riqueza cultural do Jequitinhonha

De lá eu trouxe um Prato, um utilitário com motivos que mostram as tradições locais, lindo, mas as grandes referências são de fato, as Bonecas e as Esculturas de barro, que ressignificam e retratam a vida dura da região. São figuras emblemáticas do sertão, que impressionam pela sensibilidade artística demonstrada em suas expressões faciais.

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Estive por lá com um colega de trabalho, que residiu boa parte de sua infância em Araçuaí, que confirma, que o artesanato em barro é uma tradição secular e que sobrevive porque são técnicas passadas de geração em geração. É o benefício da salvaguarda das tradições locais, que deveria ser ação rotineira em todos os municípios, sem falar que a produção artesanal de qualidade, se consolida como uma eficiente fonte de renda para as famílias. 

São todos estes elementos, que fazem da cidade um ponto de interesse tanto para moradores da região quanto para turistas em busca de vivências autênticas no interior mineiro.

Espetáculo “Cadê Dulcinéia”, inspirada na história de Dom Quixote de La Mancha do escritor Miguel de Cervantes (Foto: Antônio Zardo)

No final de março, o FESTA vai movimentar a cidade durante três dias, com encontros, debates e trocas de experiências voltadas ao fortalecimento do teatro no interior de Minas Gerais. Nesta oitava edição, o FESTA celebra os 30 anos da Companhia de Teatro Ícaros do Vale, cuja trajetória foi marcada pela resistência, criação artística e compromisso com a cultura do Vale do Jequitinhonha.

Reconhecendo sua importância cultural, o festival também presta homenagem à mestra araçuaiense Maria Lira Marques, uma das grandes referências da cerâmica e da arte popular da região, representando tantos outros talentosos artistas da cidade.

Inspirado na célebre frase de Amir Haddad: Só o teatro salva, o FESTA reafirma a arte teatral como uma potente ferramenta de desenvolvimento pessoal, social e cultural. Mais do que entretenimento, o teatro se apresenta como agente de reflexão e transformação, capaz de provocar mudanças profundas na vida das pessoas e no tecido social, ressalta o produtor e idealizador do evento, o ator Luciano Silveira.

O coordenador explica que o festival tem o papel relevante de democratizar o acesso à cena contemporânea, valorizar artistas locais e promover o encontro entre diferentes linguagens, saberes e públicos. O FESTA não apenas ocupa palcos e ruas, mas amplia horizontes, fortalece vínculos comunitários e reafirma o direito à arte como experiência essencial, salienta.

Atrações

Na abertura, na sexta-feira, 27, Dia Nacional do Teatro, será a vez do espetáculo E a palhaça negra o que é? Preciso falar da Aluá Cia e Produtora Cultural de Manaus – AM. A apresentação será no Instituto Sociocultural Bruta Flor, às 8h. Na peça Lola, interpretada por Daniely Lima, desenha um mapa de territórios, histórias remendadas e resistência, afirmando o local de fala da mulher negra no picadeiro.

Espetáculo “Saga: Uma história do povo preto” (Foto: Willian Dias ALMG)

Já às 10h haverá apresentação do espetáculo Saga: Uma história do povo preto da Preqaria Cia. de Teatro de Sete Lagoas (MG) no Centro Cultural Luz da Lua. A peça retrata a história do povo negro, desde a invasão portuguesa ao Brasil até os dias atuais, abordando o racismo estrutural terá a peça Eu sou o vento da Preqaria Cia. de Teatro de Sete Lagoas (MG) no Centro Cultural Luz da Lua. No espetáculo, Jon Fosse, Prêmio Nobel de Literatura de 2023, convida a todos para uma meditação sobre a existência, a solidão e a delicada complexidade das relações.

Às 15h30 será realizada a palestra Ícaros do Vale Mire e Veja – 30 anos de pertencimento no Instituto Bruta Flor. O tema será abordado pelas professoras e especialistas em teatro Anna Esteves e Niuxa Drago, do Rio de Janeiro (RJ).

Na sequência, às 17h, a atriz, diretora, dramaturga e professora de teatro Cida Falabella ministrará a palestra Teatro feminista e autobiografia em cena no Instituto Bruta Flor.

Depois, às 20h, haverá a abertura oficial do festival com a participação do ator, diretor, dramaturgo e professor do Teatro Universitário da UFMG (TU-UFMG), Fernando Limoeiro, no Centro Cultural Luz da Lua. Já, às 20h30, tem o espetáculo Curra(L) da Ícaros do Vale, companhia de teatro de Araçuaí, idealizadora e realizadora do FESTA, no Centro Cultural Luz da Lua.

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No sábado, 28, às 10h, tem o espetáculo Sebastião do Coletivo Território Sirius de Salvador (BA) no Centro Cultural Luz da Lua. Trata-se da história de um nordestino chamado Sebastião (interpretado pelo ator Fábio Vidal), que se vê envolvido em uma trama de perseguição depois que participa do saque de um avião que caiu com R$5,6 milhões.

Às 16h será o momento do espetáculo Outono no Centro Cultural Luz da Lua. A peça gira em torno da trajetória de uma mulher de cabelos brancos que se constrói a partir de memórias, fragmentos de vida e vozes femininas que atravessam o tempo.

Depois, às 18h, tem o espetáculo Gisberta – Basta um nome para lembrarmos de um ódio da Cara Dupla Coletivo de Teatro de João Pessoa (PB) no Instituto Bruta Flor. A atriz Letícia Rodrigues traz à vida a história de Gisberta Salce Júnior, vítima de transfobia em 2006, na cidade do Porto, em Portugal.

Às 20h30 acontece a apresentação da peça Chico Rei da Companhia Pé de Pano de Matozinhos (MG) no Centro Cultural Luz da Lua. Inspirado livremente na obra do escritor matozinhense Agripa Vasconcelos, o espetáculo apresenta elementos da narrativa sobre a aparição de Nossa Senhora do Rosário aos escravizados, além da captura do Rei Galanga, que viria a ser conhecido como Chico Rei.

No domingo, 29, às 10h tem o espetáculo Tucumã & Buriti – As Brocadas do Tarumã do Grupo Jurubebas de Manaus (AM) no Centro Cultural Luz da Lua. É a história de duas irmãs que nasceram grudadas pelo umbigo, crias de comunidade ribeirinha, do Amazonas.

Em seguida, às 16h, tem o espetáculo Cadê Dulcinéia? da Cia Imediata de Teatro e o Payaso Chungo Malungo Venezuela   Sorocaba (SP) na Praça José Antônio Tanure (antigo fórum). A peça foi inspirada na história de Dom Quixote de La Mancha do escritor Miguel de Cervantes, pegando a essência e o surreal que nela acontece.

Espetáculo “Eu Sou o Vento” (Foto: Jéssica de Souza)

Depois, às 18h, terá a peça Eu sou o vento da Preqaria Cia. de Teatro de Sete Lagoas (MG) no Centro Cultural Luz da Lua. No espetáculo, Jon Fosse, Prêmio Nobel de Literatura de 2023, convida a todos para uma meditação sobre a existência, a solidão e a delicada complexidade das relações

Às 20h30 tem o espetáculo Seu Bomfim do Coletivo Território Sirius de Salvador (BA) no Cultural Luz da Lua. Com atuação, texto e direção de Fábio Vidal e codireção de Meran Vargens, a peça foca em um contador de histórias chamado Seu Bomfim, um velho e errante homem do sertão.

Fomento Cultural

No Vale do Jequitinhonha, região historicamente marcada por desafios socioeconômicos, iniciativas culturais ganham uma dimensão ainda mais estratégica.

Quando um município como Araçuaí investe na realização de um evento como o Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Araçuaí FESTA, demonstra compreender que a arte não é apenas entretenimento, mas também uma poderosa ferramenta de transformação social.

Espetáculo: “Tucumã e Buriti” – As Brocadas do Tarumã (Foto: Josef Ponciano)

Ao ocupar ruas, praças e espaços culturais com espetáculos e artistas de diferentes origens, o festival movimenta a economia local, fortalece o turismo cultural e cria oportunidades para artistas, técnicos, produtores e pequenos empreendedores da cidade e da região.

Gerando fluxo de visitantes e renda, o festival reafirma o papel da cultura como um vetor de desenvolvimento humano.

As artes cênicas têm a capacidade singular de provocar emoções, suscitar debates e ampliar o olhar coletivo sobre temas que atravessam a vida cotidiana. Quando o repertório dialoga com questões contemporâneas, sociais, ambientais, identitárias ou políticas, o teatro transforma-se em espaço de reflexão e de construção de consciência crítica, aproximando o público de narrativas que muitas vezes refletem a própria realidade do território.

Nesse sentido, eventos como o FESTA ajudam a consolidar Araçuaí como um polo de produção e difusão cultural no Vale do Jequitinhonha.

Ao valorizar o teatro de palco e de rua, o município democratiza o acesso à arte, estimula o sentimento de pertencimento da população e projeta sua identidade cultural para além das fronteiras regionais. A cultura, quando bem articulada com políticas públicas e com a participação da comunidade, torna-se não apenas expressão artística, mas também caminho consistente para o desenvolvimento social, simbólico e econômico.

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Particularmente, gosto muito de incentivar e promover estas pautas culturais, que ampliam as oportunidades de acesso às artes para as comunidades, seja em qual parte for do nosso país. Parabéns, Araçuaí e obrigado Ivana Andrade, que presta uma assessoria de imprensa focada na promoção cultural, no empreendedorismo e na valorização dos artistas locais. Continue me encaminhando pérolas como está de hoje!

Mais informações

Para quem quiser conferir, a programação completa no Instagram @festa.aracuai e os espaços das apresentações são facilmente localizados, veja aí os endereços:

Centro Cultural Luz da Lua – Rua Dom Serafim, 426 Centro. Instituto Sociocultural Bruta Flor – Rua Benjamim Constant, 114 – Bairro Esplanada. Praça José Antônio Tanure Centro – (antigo fórum). Viram, não tem erro! Se você já está no Vale do Jequitinhonha, siga até Araçuaí e aproveite. Se não estiver por lá, reserve sua agenda, programe sua viagem e se jogue nesse festival!

Por hoje a dica é esta, Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Araçuaí / FESTA! Programe-se!

Até a próxima.

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Uai Turismo
Ubiraney Silva - Uai Turismo
postado em 07/03/2026 06:27
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