
A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato 100% digital passou a ser obrigatória para meios de hospedagem em todo o país a partir do último dia 20 de abril. A implementação, iniciada em novembro de 2025 através de bases de testes, entra agora em fase obrigatória e exige adaptação operacional e tecnológica dos estabelecimentos, com diferentes níveis de complexidade em sua adoção conforme o porte e a estrutura de cada empreendimento.
CADASTUR é essencial
Desenvolvido pelo Serpro para o Ministério do Turismo, o sistema substitui o formulário em papel utilizado por décadas por uma plataforma integrada ao Gov.br, alterando a dinâmica do check-in em todo o setor hoteleiro. Dados mais recentes indicam que a adesão até o momento alcança cerca de 20% dos estabelecimentos inseridos no CADASTUR. Ao todo, pouco mais de 4 mil empreendimentos já operam com o novo modelo, em um universo superior a 19 mil conforme estimativa do MTur.
Nosso objetivo central é o bem-estar do viajante. Com a Ficha Digital de Hóspedes, estamos acabando com as filas e oferecendo um acolhimento muito mais ágil e seguro nos meios de hospedagem de todo o país. Com a adesão ao sistema, a própria hotelaria ganha uma gestão mais inteligente e reduz custos operacionais, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
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Além de reduzir filas, o modelo elimina o uso de papel, portanto mais sustentável. Diminui o tempo médio de atendimento nas recepções dos hotéis. Importante destacar que os hóspedes estrangeiros também podem utilizar o sistema sem necessidade de conta Gov.br, mantendo assim o fluxo de atendimento adequado aos visitantes de todas as partes do mundo.
Como funciona na prática para o hóspede
A principal mudança está na antecipação do check-in, que deixa de ser um processo exclusivamente presencial. Na prática, o fluxo passa a ser dividido em duas etapas:
Pré check-in (antes da chegada ao hotel)
O hóspede recebe do hotel onde pretende se hospedar um link ou QR Code através de email ou rede de mensagem como o Whatsapp ou Telegram.
Acessa a plataforma digital via Gov.br caso assim deseje.
Preenche seus dados pessoais com antecedência agilizando assim sua hospedagem quando chegar.
No momento do check-in (chegada ao hotel)
Valida as informações enviadas antecipadamente.
Conclui o processo em poucos segundos, sem preenchimento manual.
Caso tenha feito o processo pelo Gov.br a assinatura digital substitui a necessidade da assinatura física no balcão.
O que muda para os meios de hospedagem?
A adaptação ao sistema não ocorre de forma uniforme e depende diretamente do nível de digitalização de cada estabelecimento.
Hotéis com sistema de gestão (PMS)
A integração é feita por meio de APIs, que conectam automaticamente os sistemas do hotel à plataforma nacional. Após a geração de uma chave de acesso, o envio dos dados passa a ser contínuo e automático, eliminando retrabalho e digitação manual. Na prática, a API funciona como uma ponte entre o sistema do hotel e a plataforma do governo. Isso permite que os dados sejam enviados automaticamente a cada operação, sem intervenção manual, reduzindo erros e garantindo consistência das informações ao longo de todo o processo, detalha o presidente do Serpro, Wilton Mota.
Hotéis e pousadas sem sistema próprio
Para esse público, o sistema oferece um módulo de gestão integrado. Nele, é possível cadastrar reservas, realizar pré-check-in e concluir check-in e check-out diretamente na plataforma, sem necessidade de contratação de softwares externos. Tudo pode ser feito em ambiente único, sem custo adicional de tecnologia para os estabelecimentos. A proposta é justamente garantir que a transformação digital alcance todo o setor, independentemente do porte do empreendimento, sem criar barreiras de entrada ou custos adicionais, complementa Mota.”
O que não muda?
O envio de informações ao governo federal já era uma obrigação do setor, anteriormente realizado por meio de formulários físicos e processos manuais. Com a digitalização, o fluxo passa a ser automatizado e estruturado em tempo real, reduzindo inconsistências e ampliando a capacidade de análise sobre o perfil dos turistas e a ocupação da rede hoteleira. Não se trata de uma nova coleta de dados, mas de uma mudança na forma como essas informações são tratadas. O que antes dependia de preenchimento manual e consolidação posterior passa a ocorrer de forma automática, com mais qualidade e velocidade para apoiar as políticas públicas de Turismo no Brasil, analisa o presidente do Serpro.
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O que acontece com o hotel que não aderir?
A obrigatoriedade está vinculada ao Cadastur. Isso significa que o envio das informações depende da regularidade do cadastro, estabelecimentos irregulares podem ter o envio dos dados bloqueado. A não adequação pode gerar processos administrativos e há previsão de advertências e multas subsequentes. A adaptação, portanto, deixa de ser opcional e passa a ter impacto direto na operação dos meios de hospedagem facilitando em muito todos os processos internos, auxiliando na obtenção de estatísticas confiáveis sobre a origem dos hóspedes, tempo de permanência, número de pessoas por acomodação, meio de transporte e motivo da hospedagem (lazer, trabalho, eventos, congressos etc).
Infraestrutura digital
A FNRH Digital opera sobre uma arquitetura integrada de serviços públicos digitais, conectando sistemas privados e bases governamentais em escala nacional de serviços públicos digitais, conectando sistemas privados e bases governamentais em escala nacional. Desenvolvida pelo Serpro, a solução combina APIs, módulos de gestão e integração com o Gov.br para viabilizar o fluxo contínuo de dados entre os meios de hospedagem e o Ministério do Turismo. O modelo garante escalabilidade, segurança e padronização das informações, consolidando uma infraestrutura digital que sustenta a operação do setor e a formulação de políticas públicas baseadas em dados.
A aplicação da Ficha Digital está em plena conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e não permite a extração de dados sensíveis dos cidadãos. Os dados coletados são os mesmos que eram requeridos nas fichas em papel, estas muito mais vulneráveis conforme posso atestar após décadas de atuação na hotelaria nacional.
Maarten Van Sluys (Consultor Estratégico em Hotelaria – MVS Consultoria)
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