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Terroir brasileiro transforma produtos regionais em identidade e experiência turística

Conceito antes restrito ao universo dos vinhos avança no Brasil, fortalece economias locais e reposiciona territórios por meio da gastronomia, da cultura e do turismo

Terroir brasileiro transforma produtos regionais em identidade e experiência turística -  (crédito: Uai Turismo)
Terroir brasileiro transforma produtos regionais em identidade e experiência turística - (crédito: Uai Turismo)
Terroir brasileiro transforma produtos regionais em identidade e experiência turística (O açafrão de Mara Rosa, de Goiás, estará no Conection Terroirs do Brasil, em Gramado, no próximo mês (Fotos: divulgação))

O terroir brasileiro vem ganhando protagonismo ao transformar produtos regionais em símbolos de identidade, autenticidade e experiência turística. Antes associado quase exclusivamente ao universo dos vinhos, o conceito hoje impulsiona territórios, fortalece economias locais e valoriza saberes tradicionais em diferentes regiões do país..

De origem francesa, a palavra terroir significa território ou lugar de origem. Na prática, porém, o conceito vai além da geografia: envolve a combinação entre clima, solo, cultura, tradição e saberes locais que tornam determinado produto único e impossível de ser reproduzido exatamente da mesma forma em outro lugar.

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É esse conjunto de fatores que explica por que um queijo artesanal, um café especial ou até um açafrão podem carregar sabores, aromas e histórias profundamente conectados ao território onde são produzidos. Segundo Marta Rossi, CEO da Rossi & Zorzanello, o avanço dessa discussão revela uma mudança na forma como o Brasil enxerga suas próprias origens. Cada território carrega uma história, um modo de fazer e uma identidade que precisam ser reconhecidos e valorizados, afirma.

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Açafrão de Goiás vira símbolo de terroir brasileiro

Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento vem de Mara Rosa, no interior de Goiás. Conhecida pela produção de açafrão, a cidade transformou um cultivo tradicional em referência nacional de identidade territorial. Produzido majoritariamente por agricultores familiares e cultivado de forma manual, o açafrão da região se destaca pela alta concentração de curcumina e pela pureza do produto características associadas diretamente às condições locais de solo e clima.

O reconhecimento ganhou força com a conquista da Indicação Geográfica (IG), selo concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos com origem e características vinculadas a determinado território. A Indicação Geográfica abriu portas que nós nunca imaginaríamos. Jornalistas, chefs e compradores passaram a nos procurar, afirma Patrícia Aguiar, gerente da cooperativa que reúne cerca de 40 produtores.

Além do reconhecimento de mercado, o açafrão de Mara Rosa movimenta a economia local. A colheita manual mobiliza centenas de trabalhadores e amplia a renda de famílias da região, reforçando o impacto social do terroir.

Turismo, autenticidade e valorização do território

Em um cenário em que consumidores buscam cada vez mais autenticidade e experiências com propósito, o terroir brasileiro deixa de ser apenas um diferencial gastronômico e passa a ocupar espaço estratégico também no turismo.

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Do vinho da Serra Gaúcha aos cafés especiais de Minas Gerais, passando pelos queijos artesanais e pelo cacau do Sul da Bahia, o Brasil reúne um mosaico de terroirs que começam a ganhar protagonismo nacional e internacional.

A trajetória da produtora Magna de Fátima Leles Vieira Moreira Pimentel ilustra essa transformação. Ela deixou a enfermagem em Goiânia para investir no cultivo de açafrão em Mara Rosa. Começou com uma produção pequena, enfrentando resistência em um setor predominantemente masculino. Hoje, ultrapassa três toneladas produzidas. Minha primeira colheita foi pequena, ninguém acreditava muito. Mas fui persistindo, relata.

Esse movimento também está no centro do Connection Terroirs do Brasil, promovido pela Rossi & Zorzanello em parceria com o Sebrae. O evento reúne produtores, chefs, especialistas e profissionais do turismo para discutir o terroir como patrimônio econômico, cultural e turístico.

Com o tema feito com alma, a muitas mãos, o encontro reforça a ideia de que terroir não é apenas um conceito técnico ou elitizado, mas uma ferramenta de desenvolvimento regional e construção de experiências autênticas. O terroir também é uma experiência, não só um produto, resume Marta Rossi.

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Uai Turismo
Isabella Ricci - Uai Turismo
postado em 11/05/2026 18:12
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