Cultura

Madrigal Renascentista, 70 anos dando o tom do canto coral brasileiro

Fundado em 1956, em Belo Horizonte, o Madrigal Renascentista chega a 2026 celebrando sete décadas de excelência coral, patrimônio cultural, renovação artística e resistência da música erudita brasileira.

Madrigal Renascentista, 70 anos dando o tom do canto coral brasileiro -  (crédito: Uai Turismo)
Madrigal Renascentista, 70 anos dando o tom do canto coral brasileiro - (crédito: Uai Turismo)
Madrigal Renascentista, 70 anos dando o tom do canto coral brasileiro (Primeira Formação (Foto: Acervo Madrigal Renascentista))

Há histórias que atravessam e ajudam a moldar o tempo! Em Belo Horizonte, uma dessas trajetórias ganha contornos ainda mais simbólicos em 2026, quando o Madrigal Renascentista, ou a Fundação de Arte Madrigal Renascentista, celebra seus 70 anos de existência, reafirmando-se como um dos pilares da música coral brasileira e como patrimônio vivo da cultura mineira.

Fundado em 1956 por três nomes que carregariam, cada um à sua maneira, um legado expressivo na música erudita nacional, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Carlos Eduardo Prates e Isaac Karabtchevsky, o Madrigal nasce em um tempo em que o Brasil buscava afirmar sua identidade cultural em meio a transformações profundas, e não demorou para que aquele coro, inicialmente formado por vozes movidas pela paixão e pelo rigor musical, encontrasse seu lugar de destaque.

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A trajetória que projetou Minas Gerais para o cenário internacional do canto coral

A participação em momentos históricos no Brasil, já sinalizava que não se tratava de um grupo comum, mas de uma construção artística destinada a ganhar o país e o mundo. Sob a regência de Isaac Karabtchevsky, ainda em seus primeiros anos, o Madrigal Renascentista, ampliou horizontes, cruzou fronteiras e levou a sonoridade mineira a palcos internacionais.

Era o início de uma trajetória marcada por excelência, disciplina e uma busca permanente por repertórios que dialogassem com diferentes tempos e sensibilidades. Se o ponto de partida foi o mergulho na música renascentista, o grupo logo demonstrou maturidade e ousadia ao incorporar elementos da música folclórica, contemporânea e da própria canção popular brasileira, aproximando-se de públicos diversos sem perder sua identidade.

Ao longo das décadas, o Madrigal Renascentista resistiu às mudanças de cenário e sempre soube se reinventar. Em sua trajetória, gravou oito discos e CDs e participou de acontecimentos históricos de grande relevância, como a missa de inauguração de Brasília e se apresentou em solenidades oficiais para autoridades internacionais, incluindo presidentes, embaixadores de diversas nações e o Papa Pio XII, durante viagem a Roma na década de 1950. 

A partir de 1971, com a atuação do maestro Afrânio Lacerda, novas leituras e possibilidades interpretativas foram incorporadas, fortalecendo ainda mais o grupo.

O que era um coro com características híbridas entre o amador e o profissional consolidou-se como uma instituição estruturada, hoje representada pela Fundação de Arte Madrigal Renascentista, responsável por preservar, difundir e renovar esse patrimônio imaterial.

Trajetória de sucesso e tradição

A entidade também recebeu o título de utilidade pública do Estado de Minas Gerais, por meio da Lei nº 3.118/1964. Em 1997, ano em que Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, comemorou o seu centenário, diversas ações de reconhecimento histórico na capital mineira foram trabalhadas pelos poderes executivo e legislativo à época.

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Entre eles, por meio do então vereador Geraldo Félix, o coral recebeu o título de Patrimônio Cultural do município, reconhecendo sua trajetória desde 1956 na música coral em Minas Gerais.  

A entidade, teve sua história registrada em 2012, no livro Madrigal Renascentista, do jornalista Manoel Hygino dos Santos, reafirmando seu valor como patrimônio vivo da música coral brasileira. 

Para quem já participou da intimidade do Madrigal Renascentista e como cantor eu tive esta oportunidade, celebrar 70 anos, em 2026 é reconhecer a permanência de um projeto artístico que atravessou gerações, formou músicos, educou plateias e ajudou a construir uma percepção mais sensível sobre o valor da música coral no Brasil.

Com os dias mais acelerados, a longevidade do Madrigal se impõe como um convite à escuta atenta, ao encontro entre vozes e à valorização do coletivo. O atual momento do Madrigal Renascentista é de reconstrução, renovação e fortalecimento institucional.

As dificuldades de manutenção

Assim como inúmeras entidades culturais brasileiras, o grupo enfrentou severos desafios durante a pandemia da COVID-19, período em que suas atividades presenciais permaneceram interrompidas por quase dois anos.

Mesmo possuindo sede própria, o coro teve suas reservas financeiras drasticamente reduzidas, passando a depender da realização de projetos específicos para manter suas atividades e custos operacionais. 

E há, talvez, um simbolismo ainda mais profundo nesse percurso. Em um país de tantas camadas culturais, onde tradição e contemporaneidade caminham lado a lado, o Madrigal Renascentista de Belo Horizonte se apresenta como ponte entre séculos, entre repertórios e entre gerações.

Hoje o Madrigal é um organismo vivo que respira arte e que, aos 70 anos, olha para trás com orgulho e segue projetando futuro, mantendo acesa a força de um canto coletivo que permanece no cenário artístico, com elegância e potência.

O primeiro concerto do Madrigal Renascentista aconteceu no dia 2 de fevereiro de 1956 no salão da Sociedade Mineira dos Engenheiros, à época situado na Av. Álvares Cabral esquina com R. Goiás, pegado ao Automóvel Club, em Belo Horizonte.

Na ocasião o grupo foi contratado pelo então diretor social da instituição, o Engenheiro Márcio Ferreira Drumond, coincidentemente, pai do futuro cantor e maestro da entidade, Marco Antônio Maia Drumond, que assumiu a regência do Madrigal, em 1986, após o encerramento da vitoriosa trajetória do maestro Afrânio Lacerda na entidade.

Nos últimos anos, a entidade manteve agenda própria de concertos em Belo Horizonte e no interior de Minas Gerais, além de participar como convidado especial de diversos projetos artísticos, gravações de CDs e DVDs, festivais, apresentações com solistas renomados e concertos em parceria com coros e orquestras.

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A nova fase institucional do Madrigal Renascentista

Em 2025, o Madrigal inicia um novo ciclo artístico com a chegada do maestro Sérgio Borborema à regência titular do coro. Regente, professor e pesquisador da área coral, Sérgio Borborema assume a direção artística trazendo propostas de renovação, fortalecimento técnico e ampliação do alcance cultural da entidade.

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O trabalho conta ainda com o apoio do maestro Felipe Magalhães, ex-regente e diretor artístico do grupo e com a mentoria do maestro Arnon Oliveira, formando uma importante rede de colaboração que fortalece esta nova fase do Madrigal. 

Os 70 anos do Madrigal

Em ritmo de comemoração dos seus 70 anos, a entidade preparou uma programação especial, que busca celebrar sua história e projetar o coro para o futuro.

Entre os concertos previstos estão a apresentação da Misa Criolla, no dia 31 de maio de 2026, no Teatro Sesiminas do Centro de Cultura Nansen Araújo em Belo Horizonte, com ingressos gratuitos, retirados pelo Sympla. 

Dentro da programação de aniversário, acontecerá um Concerto de Gala comemorativo dos 70 anos, ainda sem data prevista, que reunirá um repertório marcante da trajetória do coral.

Estrategicamente, o Madrigal Renascentista retornará com o projeto O Coral Vai à Escola, ainda em 2026. Esta será uma iniciativa patrocinada por meio de mecanismos de incentivo à cultura. O projeto O Coral Vai à Escola representa um dos principais marcos desta nova fase institucional.

A iniciativa prevê apresentações em nove escolas públicas localizadas em regiões periféricas de Belo Horizonte, promovendo acesso à música coral para novos públicos. O projeto inclui ainda uma oficina de canto coral voltada para professores da rede municipal de ensino e será encerrado com um grande concerto gratuito no centro da capital mineira. 

Para os 70 anos, a entidade também trabalha na consolidação de novos registros e marcos institucionais, fortalecendo seu acervo histórico e ampliando sua presença cultural no cenário artístico nacional. Entre os objetivos da atual diretoria está a valorização da memória do grupo, a modernização de sua comunicação institucional e a ampliação de sua atuação artística e educativa. 

Preparando o futuro

Os planos futuros do Madrigal Renascentista envolvem a consolidação de sua sustentabilidade financeira por meio da captação contínua de recursos e parcerias culturais, o fortalecimento de sua condição de coro independente e a ampliação de projetos de formação de plateia e educação musical.

A atual diretoria do Madrigal Renascentista, por meio do seu Presidente Norton Caldeira e do Vice-presidente Helton Castro,  vê este momento como um período de esperança, reconstrução e reafirmação do compromisso histórico do Madrigal com a arte coral. A expectativa é de que esta nova fase permita ao Madrigal Renascentista alcançar novos públicos, fortalecer sua relevância artística e manter vivo um legado construído ao longo de gerações. 

A verdade é que, comemorar os 70 anos do Madrigal Renascentista não se resume a reverenciar uma instituição histórica da música coral brasileira. De fato, o adequado é compreendermos a importância da permanência da arte em um tempo marcado pela velocidade, pela superficialidade e pelo descarte quase instantâneo das experiências culturais.

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Que bom, que o Madrigal segue reafirmando que tradição nos remete ao passado, mas o que vemos é um trabalho firme de continuidade. Esta é a maior grandeza, a capacidade de se renovar com nuances de vozes, formando sensibilidades, atravessando gerações e mantendo viva a força coletiva do canto coral, que resiste ao tempo sem perder sua elegância, sua relevância e sua capacidade de emocionar.

Participei como cantor do Madrigal Renascentista, por quase 30 anos e posso afirmar, que conheci personalidades da música que me ajudaram a entender que todas aquelas experiências entre ensaios, viagens e concertos, estavam bem além do que eu buscava! Que sorte a minha!

Por isso, recomendo ficarem atentos à programação de aniversário do Madrigal Renascentista, porque os 70 anos prometem muito. Notícias sobre a entidade, você encontra no Instagram, é só buscar @madrigalrenascentista.

Até a próxima!

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Uai Turismo
Ubiraney Silva - Uai Turismo
postado em 23/05/2026 06:17
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