
O Uruguai deu um passo importante para se posicionar na vanguarda das transformações do setor turístico mundial. Em parceria com a ONU Turismo, o país foi escolhido para liderar um projeto-piloto de formação em turismo regenerativo voltado aos países do Mercosul, uma iniciativa que cria ferramentas, capacita profissionais e desenvolve metodologias capazes de transformar o turismo em um agente efetivo de melhoria dos territórios.
O projeto, apresentado oficialmente pelo Ministério do Turismo do Uruguai e pela ONU Turismo, pretende fortalecer capacidades técnicas, gerar conhecimento aplicado e impulsionar modelos turísticos que contribuam para o desenvolvimento das comunidades locais. A proposta envolve governos, universidades, empresas e organizações ligadas ao turismo e ao desenvolvimento territorial.
Para o diretor nacional de Turismo do Uruguai, Cristian Pos, a iniciativa representa uma oportunidade estratégica para o país consolidar sua imagem como um destino boutique, diferenciado e alinhado às novas demandas globais. Estamos falando de um turismo que valoriza a identidade cultural, ambiental e social dos territórios e que, ao mesmo tempo, contribui para fortalecê-los. Não se trata apenas de preservar, mas de melhorar os lugares onde vivemos por meio da atividade turística, afirma.
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Turismo regenerativo na prática
Embora ainda seja um conceito relativamente novo no setor, o turismo regenerativo ganha espaço em diversos destinos internacionais. Diferentemente do turismo sustentável, que busca reduzir impactos negativos da atividade, o turismo regenerativo propõe uma atuação mais ampla: gerar impactos positivos e duradouros para os territórios.
Na prática, isso significa que visitantes, empresas, comunidades e gestores públicos trabalham de forma integrada para fortalecer ecossistemas, preservar tradições culturais, estimular economias locais e melhorar a qualidade de vida da população residente. O modelo responde a uma demanda crescente de viajantes que buscam experiências mais autênticas, responsáveis e conectadas aos valores locais.
Para Cristian Pos, trata-se de uma mudança de paradigma que já começa a influenciar o comportamento do mercado internacional. É um processo gradual, mas que já está redefinindo tendências de consumo no turismo global. Para o Uruguai, participar dessa construção desde a fase piloto significa não apenas acompanhar essa transformação, mas também ajudar a liderá-la, destaca.
O objetivo inicial do projeto da ONU Turismo é criar uma base de conhecimento capaz de disseminar o conceito em todo o território uruguaio. A primeira fase será dedicada à formação e sensibilização de atores estratégicos do ecossistema turístico, incluindo representantes do setor público, da academia e de associações empresariais. Essa etapa contará com atividades virtuais de alcance regional envolvendo países do Mercosul. Posteriormente, o projeto avançará para uma fase territorial, com a realização de seis oficinas presenciais em diferentes regiões do Uruguai. Os encontros buscarão adaptar os conceitos do turismo regenerativo às características de cada território e estimular processos colaborativos de construção de soluções.
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O objetivo é alcançar a maior capilaridade possível. Existem iniciativas e empreendimentos que já incorporam elementos do turismo regenerativo, mas queremos ampliar conhecimento e criar condições para que ele possa ser aplicado em escala nacional, explica Pos. Após essa etapa, será realizada uma avaliação dos resultados para identificar os territórios com maior potencial de desenvolvimento e engajamento. Depois, serão definidos os próximos passos para aprofundar a implementação do modelo.
Experiência que poderá beneficiar o Brasil
Embora o Uruguai seja o laboratório inicial, o projeto nasce com vocação regional. A iniciativa foi desenvolvida em conjunto com o escritório da ONU Turismo para as Américas, sediado no Rio de Janeiro, e está inserida nos trabalhos da Reunião Especializada em Turismo do Mercosul. Por isso, parte da formação ocorrerá em âmbito regional, permitindo a participação de representantes de diferentes países. Além disso, os materiais, metodologias e aprendizados produzidos ao longo do projeto ficarão disponíveis para futuras aplicações em outros destinos sul-americanos.
A expectativa é que o Brasil esteja entre os principais beneficiados por essa troca de conhecimento, especialmente diante da diversidade de seus destinos naturais, culturais e comunitários. O projeto foi concebido para gerar replicabilidade. Os aprendizados desenvolvidos no Uruguai poderão ser utilizados por outros países da região, incluindo o Brasil, afirma o diretor nacional de Turismo.
Com o lançamento do projeto, o Uruguai reforça sua estratégia de apostar em um turismo que gere valor econômico, social e ambiental simultaneamente. Mais do que atrair visitantes, a proposta é transformar a atividade turística em uma ferramenta capaz de melhorar os destinos para quem viaja e, principalmente, para quem vive neles.
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