
Localizada no coração de Belo Horizonte, a Praça Sete é um dos cartões-postais mais emblemáticos da capital mineira e ponto obrigatório em roteiros turísticos pelo hipercentro. Agora, um projeto que prevê a instalação de painéis de LED publicitários nos edifícios do entorno, apelidado de “Times Square Mineira”, reacende o debate sobre os rumos do turismo urbano na cidade.
Um livro a céu aberto da arquitetura mineira
Para quem visita Belo Horizonte, a Praça Sete funciona como uma verdadeira aula a céu aberto. Concebida no traçado urbanístico de Aarão Reis em 1895, a região reúne exemplares que vão do ecletismo do antigo Banco Hipotecário ao Art Déco do Cine Teatro Brasil, passando pelo protomodernismo do Brasil Palace Hotel e pelos edifícios modernistas dos anos 1950, como o P7 Criativo e o Edifício Clemente Faria.
Esse conjunto arquitetônico é um dos grandes atrativos turísticos do centro e é justamente ele que pode ser encoberto pelos painéis. “Isso representa um retrocesso. A cidade lutou por décadas para regulamentar a propaganda agressiva, que de certa forma apaga a história social, econômica e arquitetônica do local”, alerta Ulisses Morato, Arquiteto e Urbanista, PHD pela Universidade de Lisboa.
Revitalização ou maquiagem? O impacto dos painéis de LED na Praça Sete no turismo belorizontino
Enquanto dois ícones do entorno, o Cine Brasil e o P7 Criativo, passaram por revitalizações recentes, críticos apontam que os painéis de LED podem comprometer a experiência de quem visita a cidade. Para o especialista, a verdadeira revitalização do centro passa por políticas de ativação do comércio, moradias, atividades culturais e sinalização histórica e turística, não por esconder o patrimônio atrás de publicidade.
“Esses painéis não trazem benefícios reais. O que o centro precisa é de iluminação das fachadas, que inclusive pode ser isenta de taxas, e de políticas que valorizem o turismo local”, argumenta.
A voz de quem vive e recebe turistas na Praça Sete
Trabalhadores que estão há décadas no local também apontam que os painéis de led na Praça Sete são paliativos diante de problemas estruturais que afetam diretamente o turismo. “Pode ficar bonito no começo, mas se não tiver uma estruturação no contexto geral, não vai mudar muita coisa. Coloca uns painéis bonitos e a cidade toda feia. À noite vai ficar iluminado pra mostrar a sujeira”, desabafa Charles Vieira, jornaleiro que trabalha há 20 anos na praça.
Felipe Gonçalves, piloto de avião que passeava pela região comentou: “Acho que descaracteriza o centro e as construções. Essa ideia de trazer o que funciona lá fora como se tudo fosse melhor. Nem sempre é assim.”
O debate sobre os painéis de LED na Praça Sete escancara uma questão central para o turismo urbano de Belo Horizonte: enquanto o mundo inteiro reconhece a valorização do patrimônio local como um grande ativo turístico, a capital mineira parece seguir na contramão. A escolha entre modernização e preservação impacta diretamente a experiência de quem visita a cidade e o futuro de um dos seus principais pontos turísticos.
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