Olhar turístico

Rota do Rosário: uma oportunidade para fortalecer o afroturismo em Minas Gerais

Projeto aprovado na Assembleia Legislativa propõe roteiro que valoriza as Festas do Rosário, os Congados e as Guardas de Moçambique, ampliando o potencial do turismo cultural e abrindo espaço para o fortalecimento do afroturismo em Minas Gerais.

Rota do Rosário: uma oportunidade para fortalecer o afroturismo em Minas Gerais -  (crédito: Uai Turismo)
Rota do Rosário: uma oportunidade para fortalecer o afroturismo em Minas Gerais - (crédito: Uai Turismo)
Rota do Rosário: uma oportunidade para fortalecer o afroturismo em Minas Gerais (As manifestações do Rosário unem religiosidade, patrimônio cultural e potencial turístico, inspirando a criação da Rota do Rosário em Minas Gerais. (Foto: Luci Sallum/PMC))

Minas Gerais é reconhecida pela riqueza de seu patrimônio histórico, cultural e religioso. Nesse contexto, o Projeto de Lei nº 2.991/2024, que institui a Rota do Rosário em Minas Gerais, representa um importante avanço para o reconhecimento dessas manifestações como patrimônio histórico-cultural e como um produto com potencial turístico.

Entre as manifestações que mais expressam essa diversidade estão as Festas do Rosário, os Congados, as Guardas de Moçambique e as Irmandades do Rosário, tradições centenárias que preservam a memória, a ancestralidade e a identidade afro-brasileira em centenas de municípios mineiros.

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A proposta, aprovada pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, prevê a implantação da rota em dez regiões do estado: Central, Mata, Sul de Minas, Triângulo, Alto Paranaíba, Centro-Oeste, Noroeste, Norte, Jequitinhonha/Mucuri e Rio Doce.

A iniciativa atribui ao Estado a responsabilidade de identificar os municípios participantes, reconhecer os trajetos historicamente percorridos pelos festeiros e pelas Irmandades do Rosário e implantar marcos de sinalização que identifiquem oficialmente a rota. Mais do que um roteiro turístico, trata-se de uma estratégia de valorização da memória coletiva e das expressões culturais afrodescendentes presentes em Minas Gerais.

Entre os objetivos previstos estão o mapeamento e a divulgação das Festas do Rosário, o incentivo ao turismo cultural, étnico, religioso e de experiência, a valorização da economia criativa, a preservação da memória da ancestralidade negra, a recuperação de atrativos turísticos, além da promoção de investimentos em infraestrutura, geração de emprego e renda e fortalecimento dos saberes tradicionais.

Embora a proposta apresente uma visão abrangente sobre preservação cultural e desenvolvimento turístico, chama atenção a ausência de uma referência direta ao afroturismo. Considerando que as Festas do Rosário, os Congados e as Guardas de Moçambique são manifestações profundamente ligadas à cultura afro-brasileira, o afroturismo poderia ocupar papel estratégico na concepção e na promoção da rota.

O afroturismo vai além da visitação. Trata-se de uma política de valorização dos territórios, das comunidades tradicionais, da memória e da identidade negra, promovendo experiências que respeitam os saberes locais e geram benefícios para os próprios detentores desse patrimônio cultural. Inserir essa perspectiva fortalece não apenas a promoção turística, mas também políticas públicas voltadas à diversidade, à inclusão e ao desenvolvimento sustentável.

No campo acadêmico, uma rota turística é definida como um itinerário planejado e organizado em torno de uma temática comum, capaz de integrar diferentes atrativos e proporcionar experiências articuladas aos visitantes, trata-se de um caminho orientado por um tema específico. O Ministério do Turismo (2007) define rota como “um percurso continuado e delimitado cuja identidade é reforçada ou atribuída pela utilização turística”.

Essa definição demonstra que a criação de uma rota vai muito além da aprovação de uma lei. É necessário planejamento, governança, investimentos, sinalização turística, qualificação dos serviços, promoção integrada, inventário da oferta turística e, principalmente, participação dos municípios, das comunidades tradicionais e do trade turístico.

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Da proposta à política pública: o desafio para consolidar a Rota do Rosário

Minas Gerais possui exemplos desse modelo, como a Estrada Real e o Caminho Religioso da Estrada Real, iniciativas que demonstram que a construção de uma rota depende de articulação permanente entre Estado, municípios, instituições e sociedade civil.

A Rota do Rosário reúne todos os elementos para se tornar um importante roteiro cultural do estado. No entanto, para que esse potencial se concretize, será necessário transformar a legislação em uma política pública estruturada, garantindo recursos, planejamento e participação social. Afinal, preservar a cultura é também preservar histórias, fortalecer identidades e criar oportunidades de desenvolvimento por meio de um turismo responsável, inclusivo e comprometido com a valorização do patrimônio cultural mineiro.

Congadeiros e integrantes das Irmandades do Rosário participam de celebrações que preservam a memória e a identidade afro-brasileira em diversas regiões de Minas Gerais. (Foto: Luci Sallum/PMC)

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Uai Turismo
Thalita Brito - Uai Turismo
postado em 03/08/2026 07:26
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