
A cidade de Nova York voltou ao Brasil para apresentar à imprensa as novidades do destino e reforçar uma mensagem estratégica: há muito mais para conhecer além de Manhattan. O movimento também revela como um dos destinos mais visitados do mundo trabalha seus principais mercados emissores para renovar pautas, estimular novas viagens e ampliar a circulação de turistas pela cidade.
As informações foram apresentadas nesta segunda-feira (3), durante almoço realizado em São Paulo pela New York City Tourism + Conventions. O encontro foi conduzido por Julie Coker, presidente e CEO da organização oficial de promoção turística dos cinco distritos nova-iorquinos.
A presença no Brasil não é casual. O país permanece entre os mercados internacionais mais importantes para Nova York. Em 2024, mais de 700 mil brasileiros visitaram a cidade, colocando o Brasil entre seus cinco principais emissores internacionais.
Nova York recebeu 65 milhões de visitantes em 2025 e projeta alcançar 66,3 milhões em 2026. Desse total esperado, 12,9 milhões deverão vir do exterior. Os visitantes internacionais têm peso especial porque, embora representem uma parcela menor do fluxo total, respondem por aproximadamente metade dos gastos turísticos na cidade.
Um destino que vai ao encontro do viajante
A visita ao Brasil mostra uma estratégia relevante de promoção turística. Em vez de esperar que viajantes e veículos de comunicação descubram espontaneamente o que mudou, Nova York vai aos mercados emissores para apresentar novos hotéis, atrações, experiências culturais e investimentos.
Essa atualização permanente ajuda a criar novas razões para retornar a um destino que muitos brasileiros já conhecem. Também permite que a imagem da cidade seja ampliada para além dos cartões-postais tradicionalmente associados a Manhattan.
Em entrevista ao Uai Turismo, Julie Coker destacou a relação dos brasileiros com Nova York e apresentou sugestões para explorar Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island. Somados a Manhattan, eles formam os cinco boroughs, divisões administrativas que, em português, costumam ser chamadas de distritos.
Manhattan continuará sendo a principal referência mundial da cidade. É onde estão atrações como Times Square, Central Park, Broadway e boa parte dos edifícios que definem o horizonte nova-iorquino. O desafio não é diminuir a força desse ícone, mas utilizá-la para aumentar o tempo de permanência, distribuir melhor os visitantes e revelar outras experiências.
Novos motivos para voltar
Entre as novidades está a transformação do One Times Square, edifício de onde desce a famosa bola do réveillon. O endereço passou a funcionar durante todo o ano com experiências imersivas sobre a história de Times Square e da celebração de Ano-Novo, além de um mirante exclusivo.
No Harlem, o Studio Museum reabriu em uma nova sede de sete andares, com espaços dedicados a exposições, atividades públicas e à produção de artistas de ascendência africana. A região também ganha força com projetos relacionados à história dos direitos civis e à cultura negra nos Estados Unidos.
O Ellis Island Museum passa por uma revitalização estimada em US$ 100 milhões. O projeto inclui novas exposições, teatros, recursos tecnológicos e a ampliação do centro de pesquisa de registros familiares. A base disponível para consulta deverá passar de 65 milhões para 154 milhões de documentos.
Outros investimentos ajudam a levar o visitante a diferentes regiões. No Queens, a transformação do Aeroporto Internacional John F. Kennedy inclui novos terminais, áreas comerciais e espaços de convivência. No South Bronx, o futuro Hip Hop Museum celebra o bairro onde o movimento nasceu. Já o sistema NYC Ferry conecta os cinco distritos por meio de rotas que oferecem outra perspectiva da cidade a partir da água.
Mais do que aumentar a lista de atrações, a estratégia mostra um desafio compartilhado por muitos destinos turísticos: evitar que um único lugar, por mais forte que seja, resuma toda a experiência. Em Nova York, Manhattan abre a porta. Mas Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island podem dar ao viajante novos motivos para permanecer, retornar e descobrir que a cidade é maior do que a imagem que a tornou famosa.
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