
Depois de conquistar o público com seu humor afiado e personagens marcantes na televisão, no cinema e no teatro, Marcelo Serrado desembarca em Belo Horizonte com o espetáculo Terapia. A comédia transforma crises, neuroses, medos e situações corriqueiras em uma experiência divertida, imprevisível e, em muitos momentos, surpreendentemente íntima.
As apresentações acontecem nos dias 5 e 6 de setembro, no Cine Theatro Brasil, localizado na Praça Sete, no coração da capital mineira. Em cena, Serrado conduz o público por uma espécie de sessão de análise nada convencional, na qual as fragilidades humanas deixam o ambiente reservado dos consultórios para ocupar o palco e se transformar em matéria-prima para muitas risadas.
Com texto assinado por Marcelo Serrado e Guilherme Rocha e direção de Fernando Ceylão, o espetáculo parte de questões reconhecíveis por qualquer pessoa: angústias, crises conjugais, episódios de pânico, viagens inusitadas, cobranças, inseguranças e dilemas existenciais. Temas que, vistos de perto, podem parecer desconfortáveis, mas que ganham novos sentidos quando atravessados pelo humor.
Uma sessão de análise compartilhada
Ao longo dos 70 minutos de apresentação, Marcelo Serrado interpreta um homem disposto a expor suas inquietações e contradições diante do público. Entretanto, não se trata de um personagem fechado em sua própria narrativa. A plateia é convidada a participar da experiência, tornando-se confidente, testemunha e, de certa maneira, companheira dessa sessão coletiva.
Entre confissões, piadas afiadas e situações tragicômicas, o ator constrói uma atmosfera de proximidade. O público reconhece nas histórias apresentadas alguns dos impasses que fazem parte da vida contemporânea: a dificuldade de administrar as emoções, os desencontros afetivos, as pressões sociais e a tentativa, nem sempre bem-sucedida, de manter tudo sob controle. É justamente desse reconhecimento que nasce boa parte da comicidade. Rimos do personagem, mas também de nós mesmos. De nossos exageros, manias, medos aparentemente inexplicáveis e das pequenas neuroses que se escondem atrás de uma rotina supostamente organizada.
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O improviso torna cada apresentação única
Um dos elementos centrais de Terapia é a relação direta estabelecida por Marcelo Serrado com a plateia. O ator alterna o texto previamente construído com intervenções espontâneas, comentários e improvisações, fazendo com que cada sessão tenha características próprias.
Essa abertura para o inesperado mantém o espetáculo vivo e amplia a cumplicidade entre artista e público. As reações da plateia passam a interferir no ritmo da apresentação, permitindo que novas situações surjam no palco e tornando cada noite uma experiência singular.
Em meio às histórias e interações, o público ainda é surpreendido por momentos inusitados, entre eles uma sessão de hipnose ao vivo. O recurso reforça o caráter imprevisível da montagem e brinca com os limites entre realidade, representação e participação coletiva.
Rir também é uma forma de compreender
Sem recorrer ao melodrama, Terapia aborda situações delicadas com ironia e leveza. Ansiedade, pânico, relações afetivas e inseguranças são tratados a partir de um olhar bem-humorado, sem ignorar sua complexidade, mas também sem permitir que o peso desses temas domine inteiramente a narrativa.
O espetáculo se aproxima de uma tradição importante da comédia, aquela que utiliza o riso não apenas como entretenimento, mas também como uma maneira de observar comportamentos, revelar contradições e tornar suportáveis algumas das dificuldades da existência.
Ao rir das inquietações do personagem, o público encontra espaço para reconhecer as próprias fragilidades. E talvez esteja aí uma das grandes virtudes da montagem, mostrar que nossas crises, embora pareçam absolutamente particulares, muitas vezes são compartilhadas por tantas outras pessoas.
Afinal, em uma época marcada por pressões, excesso de informações, cobranças permanentes e relações cada vez mais complexas, falar sobre saúde emocional tornou-se necessário. O teatro, ao abordar essas questões por meio do humor, ajuda a retirar delas o peso do silêncio e abre caminho para uma reflexão mais próxima, humana e acessível.
Marcelo Serrado e a proximidade com o público
Dono de uma trajetória marcada pela versatilidade, Marcelo Serrado transita entre personagens dramáticos e cômicos, explorando diferentes linguagens e formatos. Em Terapia, essa experiência aparece especialmente na capacidade de sustentar sozinho o ritmo da apresentação e de reagir rapidamente às manifestações da plateia.
O improviso exige atenção, presença e disponibilidade para o encontro. Mais do que simplesmente interpretar, o ator precisa escutar o ambiente, perceber suas reações e incorporar ao espetáculo aquilo que acontece em cada sessão.
Essa troca direta recupera uma das dimensões mais interessantes do teatro: nenhuma apresentação é exatamente igual à outra. Ainda que o texto seja o mesmo, o público muda, as reações são diferentes e o espetáculo se reconstrói a cada noite.
Humor no coração de Belo Horizonte
A escolha do Cine Theatro Brasil como palco para as apresentações também acrescenta significado à temporada. Instalado na Praça Sete, ponto central e simbólico de Belo Horizonte, o espaço faz parte da memória cultural e urbana da cidade.
Receber uma comédia que fala das tensões e contradições da vida cotidiana em pleno centro da capital estabelece uma conexão interessante entre palco e cidade. Do lado de fora, o movimento intenso, os compromissos, os encontros e a pressa. Dentro do teatro, a possibilidade de interromper a rotina por alguns instantes e observar tudo isso por uma perspectiva mais leve.
Terapia convida o público a compartilhar medos, rir das próprias incoerências e perceber que as fragilidades também podem gerar identificação e afeto. Sem oferecer respostas prontas, o espetáculo encontra no humor uma maneira de reorganizar os dramas cotidianos e lembrar que, em alguns momentos, rir de si mesmo pode ser uma das formas mais sinceras de enfrentá-los.
Até a próxima e programe-se!
Serviço
Espetáculo: Terapia, com Marcelo Serrado
Datas: 5 e 6 de setembro
Horários: sábado, às 21h, e domingo, às 19h
Local: Cine Theatro Brasil
Endereço: Avenida Amazonas, 315 Centro/Praça Sete Belo Horizonte/MG
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: a partir de R$ 70,00, meia-entrada, e R$ 140,00, inteira
Vendas: site da Eventim

