
Quantas vezes você já olhou para um mapa-múndi para escolher uma viagem?
A nova discussão sobre a representação do planeta revela dimensões que os mapas tradicionais escondem e convida o viajante a redescobrir destinos como África, América do Sul e até o próprio Brasil. O mundo é maior do que você imaginava.
Talvez para descobrir onde fica determinado país, calcular aproximadamente a distância até um destino ou simplesmente imaginar como seria atravessar o oceano e chegar ao outro lado do planeta.
Agora imagine descobrir que aquele mapa que você conhece desde a escola não mostra exatamente o tamanho que você imaginava.
A África é muito maior do que parece. A América do Sul também. A Groenlândia, que em algumas representações parece gigantesca, é muito menor do que o continente africano. E até a posição do Brasil no mapa pode mudar completamente dependendo da maneira como escolhemos representar a Terra.
A discussão ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira, 4 de setembro, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução incentivando representações cartográficas que mostrem de maneira mais fiel as dimensões dos continentes. A proposta recebeu 164 votos favoráveis, um contrário e seis abstenções.
Entre as projeções que ganham espaço está a Equal Earth, criada para preservar melhor a proporção das áreas terrestres.
Não significa que o mapa que conhecemos desaparecerá dos livros ou dos aplicativos de uma hora para outra. A resolução não obriga os países a substituir seus mapas, mas ela abre uma discussão interessante para quem gosta de viajar:
será que a maneira como enxergamos o mundo também influencia os lugares que desejamos conhecer?
LEIA MAIS: Férias Frustradas: por que as viagens da família Griswold parecem tanto com as nossas
Quando o mapa muda, alguns destinos parecem ganhar outra dimensão
Olhar para a África em uma projeção que preserva melhor as áreas é uma experiência curiosa. O continente aparece enorme.
E essa dimensão ajuda a compreender algo que o turismo costuma explicar na prática:
não existe uma única viagem para a África.
Um roteiro pelo Marrocos é completamente diferente de uma viagem pela África do Sul. Conhecer o Quênia não tem nada a ver com explorar o Egito. Tanzânia, Namíbia, Senegal, Etiópia, Ruanda e tantos outros destinos oferecem paisagens, culturas, gastronomias e experiências completamente diferentes. A dimensão territorial ajuda a entender essa diversidade.
O mesmo acontece com a América do Sul. Quando o mapa tradicional deixa de ser a única referência, países como Chile, Argentina, Peru, Colômbia, Bolívia e Equador aparecem dentro de um continente que é muito maior e mais diverso do que muitas vezes imaginamos.
E isso pode provocar uma pergunta simples no viajante:
quantos lugares incríveis estão relativamente perto de nós e ainda não entraram no nosso roteiro?
A África que o mapa da escola não mostrava
Durante décadas, muitos brasileiros cresceram vendo a Groenlândia representada com tamanho semelhante ao da África.
A comparação é enganosa, na realidade, a África é aproximadamente 14 vezes maior que a Groenlândia.
A distorção acontece porque a projeção de Mercator, criada no século XVI, amplia visualmente as regiões próximas aos polos. Ela foi desenvolvida principalmente para facilitar a navegação e continua tendo utilidade para essa finalidade.
O problema aparece quando usamos essa representação para imaginar o tamanho dos territórios. E o turismo trabalha justamente com imagens.
Antes de comprar uma passagem, o viajante imagina lugares. Visualiza distâncias. Compara países. Pensa em quanto tempo levaria para atravessar determinada região.
Um mapa faz parte desse imaginário, por isso, quando ele muda, nossa percepção também pode mudar um pouco.
Três mapas para uma mesma viagem
É justamente por isso que três representações diferentes podem funcionar tão bem para contar essa história.
O primeiro é o mapa antigo, que mostra como diferentes civilizações tentaram representar o mundo conhecido.
O segundo é o mapa de Mercator, que durante séculos ajudou navegadores e acabou se tornando uma das imagens mais familiares do planeta.
O terceiro é a Equal Earth, que apresenta uma visão mais próxima das proporções reais das áreas continentais.
Viajar também é mudar de perspectiva
Talvez essa seja a melhor maneira de entender toda essa história.
Viajar não é apenas sair de um lugar e chegar a outro, é mudar o ponto de vista.
É descobrir que uma cidade que parecia distante pode estar a poucas horas de voo. Que um país que parecia pequeno pode esconder uma enorme diversidade. Que um continente que aparecia comprimido em um mapa pode ser grande o suficiente para abrigar dezenas de países e centenas de experiências completamente diferentes.
A decisão da ONU não muda o tamanho da Terra, também não vai fazer os mapas dos celulares mudarem imediatamente. Mas ela ajuda a colocar uma pergunta interessante na mesa:
como aquilo que vemos todos os dias influencia aquilo que imaginamos?
Para o viajante, talvez seja uma boa oportunidade para abrir novamente o mapa.
Desta vez, sem pensar apenas em onde já fomos, mas também em tudo aquilo que ainda não conhecemos.
O mundo continua lá. Só estamos aprendendo a enxergá-lo melhor
No fim, a maior mudança talvez não esteja no mapa e sim no olhar.
Porque a África já era imensa antes de aparecer maior em uma projeção. A América do Sul sempre teve suas montanhas, florestas, cidades, praias e culturas. O Brasil sempre esteve no coração de um continente extraordinário.
O que muda é a nossa percepção, e talvez seja justamente isso que torna viajar tão fascinante. E transforma cada viagem em uma maneira de redesenhar o próprio mapa do mundo.
Siga o @portaluaiturismo no Instagram e no TikTok @uai.turismo

