
Para muita gente, trabalhar nas alturas vai muito além de uma viagem de férias. A profissão de piloto de avião aparece como a carreira dos sonhos mais buscada no mundo, segundo levantamento da plataforma Resume.io. O estudo analisou as buscas por diferentes profissões em diversos países e identificou mais de 1,3 milhão de pesquisas anuais relacionadas à carreira de piloto. A profissão aparece como a mais desejada em 34 países, entre eles o Brasil.
O interesse pela carreira reúne fatores como a possibilidade de conhecer diferentes destinos, trabalhar em um setor internacional e construir uma trajetória profissional na aviação. Mas, antes de chegar à cabine de um avião comercial, o candidato precisa passar por uma formação técnica, acumular experiência e obter as licenças e habilitações exigidas pela autoridade aeronáutica.
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Como começar a carreira de piloto
No Brasil, a formação segue regras estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O primeiro passo para quem pretende se tornar piloto de avião é obter a licença de piloto privado. Pelas regras atuais, o candidato precisa ter pelo menos 18 anos, ensino médio completo, aprovação no exame teórico e treinamento prático em um centro de instrução certificado.
Para a licença de piloto privado de avião, a exigência mínima é de 40 horas de instrução e voo solo. Esse número pode cair para 35 horas quando toda a formação é realizada em um curso de piloto privado aprovado pela ANAC. A licença, porém, não permite ao profissional exercer atividade remunerada.
O passo seguinte é a licença de piloto comercial. O candidato precisa ser titular da licença de piloto privado, ter 18 anos ou mais e ensino médio completo, além de cumprir os requisitos teóricos e práticos estabelecidos pela ANAC.
Horas de voo são fundamentais
A experiência prática é uma das etapas mais importantes da formação. Para a licença de piloto comercial de avião, a regulamentação prevê um mínimo de 200 horas de voo. Esse requisito pode ser reduzido para 150 horas quando as horas são cumpridas integralmente durante um curso de piloto comercial de avião aprovado pela ANAC.
Quem pretende chegar às companhias aéreas precisa avançar ainda mais. Para a licença de piloto de linha aérea na categoria avião, a ANAC estabelece um mínimo de 1.500 horas de voo, além de outros requisitos de experiência e formação.
Na prática, portanto, a formação não termina com a obtenção da licença de piloto comercial. O profissional precisa continuar acumulando horas, qualificações e experiência até alcançar os requisitos necessários para avançar na carreira.
Inglês faz parte da formação
O domínio do inglês também é um componente importante da carreira, especialmente para quem pretende trabalhar em operações internacionais. A aviação utiliza uma linguagem padronizada para as comunicações e exige proficiência específica em determinadas operações.
A regulamentação brasileira prevê requisitos de proficiência linguística para pilotos, especialmente em operações internacionais. A ANAC estabelece níveis de proficiência e avaliações periódicas para determinados níveis de inglês.
Para Reginaldo Kaeneêne, CEO da KNN Idiomas, o conhecimento do idioma está diretamente relacionado às exigências da atividade. O inglês deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito operacional em diversas carreiras. Na aviação, isso é ainda mais evidente, porque toda a comunicação segue um padrão global.
A capacidade de compreender e responder com precisão é especialmente importante em uma atividade que envolve comunicação operacional em tempo real.
Quanto custa para se tornar piloto?
A formação de um piloto exige um investimento significativo, principalmente por causa do custo das horas de voo, além de cursos teóricos, exames, licenças, habilitações e demais etapas da formação.
Estimativas de mercado citadas no material que deu origem à pauta colocam o investimento total na formação entre R$ 80 mil e R$ 150 mil, dependendo da escola, da quantidade de horas realizadas e das qualificações buscadas.
O valor, entretanto, não é fixo. O caminho profissional pode exigir novas horas de voo e habilitações ao longo da carreira, o que faz com que o custo final varie de acordo com o percurso escolhido pelo aluno.
Quanto ganha um piloto?
A remuneração também varia de acordo com o tipo de operação, empresa, experiência, função exercida e qualificações do profissional.
Por isso, números salariais apresentados como uma média única devem ser vistos com cautela. Um piloto em início de carreira, um copiloto e um comandante de uma companhia aérea estão em momentos profissionais diferentes e podem ter remunerações bastante distintas.
Além do salário-base, a remuneração pode incluir adicionais relacionados à atividade e à escala de trabalho.
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Uma profissão que também conecta destinos
Além da formação técnica e das horas de voo, a carreira de piloto está diretamente ligada ao universo do turismo. Aviões são responsáveis por conectar grandes centros a destinos nacionais e internacionais, movimentando passageiros, hotéis, restaurantes, atrações e toda uma cadeia de serviços turísticos.
Para quem trabalha na aviação comercial, cada escala também significa conhecer diferentes cidades, culturas e paisagens, ainda que a rotina profissional seja marcada por treinamento, responsabilidade e longas jornadas.
É justamente essa possibilidade de cruzar fronteiras e estar em contato com diferentes destinos que ajuda a explicar o fascínio que a profissão exerce sobre quem sonha em trabalhar nos céus.
Uma carreira que começa muito antes da cabine
O levantamento da Resume.io ajuda a explicar por que a profissão desperta tanto interesse: além de piloto, outras carreiras ligadas a viagens também aparecem entre as profissões mais pesquisadas, como comissário de bordo, na quinta posição, e agente de viagens, na sexta.
Para quem sonha em transformar o interesse por aviões e viagens em profissão, entretanto, o caminho envolve muito mais do que conhecer diferentes destinos. É necessário cumprir uma sequência de etapas técnicas, acumular experiência, manter as certificações em dia e desenvolver competências específicas para atuar em um dos setores mais regulamentados do transporte.
Do sonho de infância à cabine de um avião comercial, a trajetória é longa e começa muito antes do primeiro voo como profissional.
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