
Erguido em Great Stirrup Cay, o Great Tides exigiu centenas de trabalhadores, produção de concreto na própria ilha e soluções de engenharia para resistir até a furacões de categoria 5
Depois de cerca de 25 anos trabalhando em projetos que foram de centros de convenções a grandes obras de infraestrutura, Joel Garcia acreditava conhecer bem os desafios de uma construção. Até receber a missão de erguer um parque aquático nas Bahamas.
Nada poderia ter me preparado para construir em uma ilha, contou o vice-presidente de Construção e Engenharia da Norwegian Cruise Line Holdings (NCLH), durante painel de apresentação do Great Tides Waterpark.
O novo parque aquático da Norwegian Cruise Line ocupa quase 24.300 m² em Great Stirrup Cay, ilha privativa da companhia nas Bahamas. Para tirá-lo do papel, foi preciso enfrentar uma equação pouco comum: garantir materiais, equipamentos e mão de obra necessários para erguer uma estrutura desse porte em uma ilha.
Segundo Garcia, o projeto levou cerca de 15 meses do início ao fim, incluindo aproximadamente quatro meses de projeto e 11 meses de obras. No período de maior atividade, mais de 625 trabalhadores atuaram na ilha, em uma operação que envolveu seis grandes empreiteiras e cerca de 12 empresas subcontratadas.
Sem uma loja de materiais na esquina
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Garcia usou uma comparação simples para explicar o que significa construir longe dos fornecedores. Em uma obra convencional, esquecer um parafuso, silicone ou um adaptador pode significar apenas uma nova ida à loja. Em Great Stirrup Cay, a situação era bem diferente.
Infelizmente, eu não tinha uma Home Depot na ilha, brincou.
Pequenos itens poderiam interromper o andamento dos trabalhos, o que exigia antecipar as necessidades e coordenar cuidadosamente a chegada dos materiais. Tudo precisava ser transportado até Great Stirrup Cay: aço, matérias-primas, equipamentos e até a própria força de trabalho.
O concreto foi outro desafio. Como não havia uma estrutura capaz de atender à demanda da obra, a solução foi produzir o material no próprio destino. Segundo Garcia, duas usinas de concreto foram construídas em Great Stirrup Cay para acompanhar o ritmo necessário à construção do parque.
A rotina ajuda a dimensionar a operação. Todos os dias, às 5h30, Garcia reunia encarregados e empreiteiros para definir o plano de trabalho. Duas horas depois, condições meteorológicas, problemas com equipamentos ou outros imprevistos já podiam exigir mudanças.
Você faz o plano e depois executa o plano. É assim que nos tornamos eficientes e chegamos à linha de chegada, resumiu o executivo.
Uma obra no meio dos turistas
Além dos desafios de construir em uma ilha, havia uma condição pouco usual: Great Stirrup Cay continuou recebendo passageiros durante todo o período das obras.
Nunca fechamos a ilha. Ela permaneceu em operação o tempo todo, afirmou Garcia.
Segundo ele, planejar a execução sem prejudicar a jornada e a experiência dos hóspedes foi crucial. Algumas instalações chegaram a ser transferidas para vias internas, longe das áreas frequentadas pelos visitantes.
Garcia conta que algumas das realizações das quais mais se orgulha são justamente aquelas que o turista não vê: uma usina de geração de energia, uma estação de tratamento de água e outras estruturas instaladas para sustentar não apenas o parque, mas também futuras expansões de Great Stirrup Cay.
De acordo com o executivo, parte dessa estrutura foi dimensionada pensando nas melhorias e novas atrações que a ilha poderá receber nas próximas décadas.
Uma torre de 52 metros preparada para furacões
O desafio de engenharia fica ainda mais evidente na Tidal Tower. Com 52 metros de altura, a estrutura concentra oito dos principais toboáguas do Great Tides e se tornou um dos elementos mais visíveis do parque.
Para garantir a estabilidade de uma estrutura dessa dimensão, os trabalhadores precisaram escavar cerca de nove metros. Segundo Garcia, a solução de engenharia foi projetada para que a torre pudesse resistir às condições de um furacão de categoria 5, o nível máximo da escala Saffir-Simpson.
A altura trouxe ainda uma questão bastante prática: como transportar até o topo as grandes boias utilizadas nos toboáguas? A solução foi incorporar um transportador próprio, evitando que os visitantes precisem subir as escadas carregando os equipamentos.
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Uma ilha em transformação
Durante o período de implantação do Great Tides, outra grande obra também avançava em Great Stirrup Cay: o novo píer, capaz de receber dois navios simultaneamente.
Antes da nova estrutura, o desembarque dependia de embarcações menores que transportavam os passageiros entre os navios e a ilha e estava mais sujeito às condições meteorológicas. Agora, os navios podem atracar diretamente no destino, simplificando o acesso dos visitantes.
A transformação ajuda a dimensionar os planos da Norwegian para Great Stirrup Cay. O Great Tides integra um processo mais amplo de expansão das experiências e da capacidade da ilha de receber passageiros.
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Da engenharia à diversão
Depois de meses de obras, centenas de trabalhadores e uma complexa operação nos bastidores, o resultado aparece nas atrações espalhadas pelo parque.
Além da Tidal Tower, o Great Tides reúne o Cliffside Cove, com saltos de 3 e 4,5 metros e um toboágua para até quatro pessoas; o Wandering River, percurso aquático de mais de 240 metros; e o Splash Cay, área infantil com mais de 836 m², oito mini toboáguas e atrações interativas.
Para o visitante, são algumas horas de toboáguas, água e diversão. Por trás delas, porém, existe uma história bem diferente: a de centenas de pessoas trabalhando em uma ilha que continuava recebendo turistas, produzindo concreto no próprio local e adaptando diariamente o cronograma para colocar de pé um parque de 24.300 m² em apenas 11 meses de obras.
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