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Por que as companhias de cruzeiro estão investindo tanto em destinos exclusivos

De ilhas privativas a grandes complexos, empresas ampliam atrações em terra e transformam o destino em parte da experiência de viajar de navio

Por que as companhias de cruzeiro estão investindo tanto em destinos exclusivos -  (crédito: Uai Turismo)
Por que as companhias de cruzeiro estão investindo tanto em destinos exclusivos - (crédito: Uai Turismo)
Por que as companhias de cruzeiro estão investindo tanto em destinos exclusivos (Great Stirrup Cay reúne praias, piscinas, cabanas e novas atrações em terra para os passageiros da Norwegian Cruise Line.(Foto: NCL/Divulgação))

De ilhas privativas a grandes complexos exclusivos, companhias ampliam investimentos em atrações em terra e transformam o destino em parte da decisão de compra de um cruzeiro

Great Stirrup Cay, ilha privativa da Norwegian Cruise Line nas Bahamas, reúne praias, piscinas e atrações para os passageiros. (Foto: Divulgação NCL)

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Durante décadas, escolher um cruzeiro significava comparar navios, cabines, preços e os portos incluídos no roteiro. Uma nova variável, porém, ganha importância nessa decisão: o que a própria companhia oferece quando o passageiro desembarca. Nesse sentido, ilhas privativas e destinos exclusivos vêm recebendo investimentos e se transformando em extensões da experiência oferecida a bordo. 

Parques aquáticos, grandes piscinas, praias exclusivas para adultos, cabanas, restaurantes e áreas para famílias ajudam a criar atrações que o passageiro só encontra viajando com determinadas companhias. Afinal, elas ampliaram a experiência de realizar um cruzeiro.

A transformação pode ser observada em Great Stirrup Cay, ilha privativa da Norwegian Cruise Line nas Bahamas. A inauguração do Great Tides Waterpark em agosto de 2026 adicionou um parque aquático de quase 24.300 m² à estrutura que já reúne praias, piscinas, cabanas e espaços destinados a diferentes perfis de viajantes.

Mas o movimento está longe de ser exclusivo da Norwegian. Royal Caribbean, Carnival, MSC Cruises, Disney Cruise Line, Holland America Line e Princess Cruises também operam ou investem em destinos próprios ou exclusivos, muitos deles concentrados nas Bahamas.

Quando a ilha deixa de ser apenas uma parada

Great Tides Waterpark amplia as opções de lazer de Great Stirrup Cay com toboáguas e áreas para diferentes perfis de visitantes. (Foto: Divulgação NCL)

Para John Chernesky, vice-presidente sênior e diretor de vendas da Norwegian Cruise Line, o papel desses destinos mudou significativamente nas últimas décadas.

Durante o painel de apresentação do Great Tides, o executivo lembrou que, quando começou a trabalhar no setor de cruzeiros, há mais de 30 anos, as ilhas privativas já existiam, mas não ocupavam uma posição central na experiência de viagem. Hoje, segundo ele, tornaram-se muito importantes.

Great Stirrup Cay ajuda a mostrar essa evolução. Em vez de funcionar apenas como uma praia onde os passageiros passam algumas horas, a ilha oferece possibilidades diferentes para o mesmo dia: parque aquático, piscina com bares dentro d’água, área exclusiva para adultos, cabanas, esportes aquáticos e espaços para quem prefere simplesmente permanecer na praia.

A mesma transformação pode ser observada em outros destinos. A Royal Caribbean fez do Perfect Day at CocoCay, nas Bahamas, uma das referências desse modelo, reunindo parque aquático, piscina, praias, cabanas sobre a água e espaços premium e exclusivos para adultos.

A Disney Cruise Line segue uma lógica adaptada à identidade da marca. Castaway Cay, sua ilha particular nas Bahamas, combina áreas para famílias, crianças e adolescentes com espaços reservados aos adultos. A companhia também desenvolveu o Disney Lookout Cay at Lighthouse Point, no extremo sul de Eleuthera, onde a experiência incorpora referências à cultura, à arte e às tradições bahamenses.

Já a MSC Cruises transformou Ocean Cay MSC Marine Reserve em um destino privado que combina praias e lazer com uma proposta ligada à natureza e à conservação marinha. A companhia ainda prepara Sandy Cay, uma nova experiência insular exclusiva prevista para a temporada 2027-2028.

Os exemplos mostram que não existe um único modelo. Alguns destinos ocupam ilhas inteiras, enquanto outros são grandes complexos exclusivos instalados em ilhas habitadas. Em comum está a tentativa de criar em terra experiências diretamente associadas à marca.

Um destino desenhado pela própria companhia

Great Life Lagoon é uma das áreas de lazer de Great Stirrup Cay, com espaço para relaxar e aproveitar a estrutura da ilha. (Foto: Divulgação NCL)


Existe uma diferença importante entre incluir um porto tradicional em um roteiro e levar passageiros para um destino desenvolvido especificamente para eles.
Nesse segundo modelo, cada empresa pode construir atrações de acordo com o público que pretende alcançar. A Norwegian aposta no Great Stirrup Cay em uma combinação de praia, parque aquático e espaços para diferentes perfis de viajantes. A Disney leva para terra características de seu modelo de entretenimento. A Royal Caribbean aposta na combinação de aventura, lazer e experiências premium, enquanto a MSC associa Ocean Cay a uma proposta ligada ao ambiente marinho.
A escala desses investimentos aparece no Celebration Key, inaugurado pela Carnival Cruise Line em Grand Bahama em 2025. Resultado de um investimento de US$ 600 milhões, o complexo reúne lagoas de água doce, praias, toboáguas, espaços para famílias e adultos, cabanas, comércio e gastronomia. Em seu primeiro ano, recebeu 2,4 milhões de passageiros.
A infraestrutura portuária é outra peça dessa estratégia. Novos píeres permitem receber mais navios diretamente e facilitam a inclusão desses destinos nos itinerários. Great Stirrup Cay, por exemplo, ganhou uma estrutura capaz de receber dois navios simultaneamente.

Quando o destino ajuda a vender o navio

Talvez a mudança mais significativa esteja na forma como essas ilhas começam a participar da decisão de compra.

Ao falar sobre a importância dos destinos privativos para os agentes de viagens, Chernesky destacou que Great Stirrup Cay se tornou parte relevante do argumento de venda de um cruzeiro da Norwegian.

Para o executivo, quem deixa de apresentar o destino aos clientes acaba deixando de mostrar uma parcela importante do produto.

A ideia é simples: se duas viagens oferecem duração, preço e roteiros semelhantes, aquilo que o passageiro encontrará no destino exclusivo pode se tornar um elemento de diferenciação.

Isso ajuda a explicar por que as companhias procuram criar atrações difíceis de reproduzir em uma parada convencional.

A competição deixa, portanto, de acontecer apenas no mar.

Um argumento para conquistar novos cliente

Os investimentos também podem ajudar as companhias a chegar a passageiros que ainda não conhecem suas marcas.

Durante a apresentação do Great Tides, Chernesky foi questionado sobre a importância do parque aquático para a estratégia de crescimento da Norwegian e se a nova atração poderia ajudar a conquistar pessoas que nunca haviam viajado com a companhia.

A resposta foi afirmativa.

Segundo ele, o Great Tides tem potencial para chamar a atenção tanto de quem nunca fez um cruzeiro quanto de passageiros que ainda não conhecem a Norwegian, especialmente pela combinação entre a experiência da ilha privativa, o parque aquático e os demais destinos dos roteiros.

Não construímos isso apenas para que nossos antigos hóspedes aproveitem. Trata-se também de ampliar nossa presença no mercado, afirmou Chernesky.

A declaração revela uma mudança importante na função desses destinos. Eles não servem apenas para acrescentar atividades ao roteiro de quem já comprou o cruzeiro. Também podem se tornar um argumento para atrair novos clientes.

Por que tantas estão nas Bahamas?

A concentração desses investimentos nas Bahamas não é coincidência. Além das praias e do clima, a localização ajuda a explicar essa concentração. A proximidade com os grandes portos de embarque da Flórida favorece a inclusão das Bahamas tanto em viagens curtas quanto em roteiros mais longos pela região.

Para as companhias, isso possibilita combinar portos tradicionais com destinos desenvolvidos de acordo com a proposta de cada marca. Para o passageiro, acrescenta outra variável à escolha da viagem.

Se antes a principal disputa entre as companhias acontecia a bordo, os investimentos em ilhas, parques, praias e píeres mostram que uma parte cada vez mais importante dessa competição desembarcou em terra.

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Uai Turismo
Tuka Pereira - Uai Turismo
postado em 27/09/2026 10:35
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