
Mais de 63 milhões de passageiros viajaram sem seguro viagem no Brasil durante o primeiro semestre de 2026. É o que aponta um levantamento realizado pela Affinity Seguro Viagem a partir de dados públicos da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Entre janeiro e junho, 15.044.705 passageiros realizaram viagens internacionais. Desse total, 1.529.889 contavam com seguro viagem, enquanto 13.514.816 embarcaram sem a proteção. O número representa aproximadamente 89,8% dos passageiros internacionais considerados no levantamento.
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No mercado nacional, a proporção foi ainda maior. Dos 50.181.271 passageiros contabilizados, apenas 520.109 tinham seguro viagem. Outros 49.661.162 viajaram sem a proteção, o equivalente a cerca de 99% do total.
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Imprevistos podem pesar no orçamento
Mesmo com o roteiro planejado, situações inesperadas podem ocorrer durante uma viagem. Problemas de saúde, acidentes, intoxicações alimentares, quedas e emergências odontológicas estão entre as situações que podem exigir atendimento.
Também podem surgir problemas relacionados à bagagem ou situações que levem o viajante a antecipar o retorno para casa.
Os números mostram o quanto ainda precisamos ampliar a conscientização sobre a importância do seguro viagem, afirma Alexandre Lança, diretor de Marketing da Affinity Seguro Viagem.
Segundo ele, o viajante deve observar as coberturas oferecidas e escolher um produto compatível com o perfil da viagem e o destino.
Em viagens internacionais, o custo de um atendimento médico pode representar uma despesa significativa, especialmente em países onde os serviços de saúde são mais caros. Entre as coberturas que podem estar previstas em uma apólice estão despesas médicas e hospitalares, assistência odontológica, traslado médico, regresso sanitário e serviços relacionados à bagagem, conforme as condições contratadas.
Quanto pode custar um atendimento médico no exterior?
Um levantamento produzido pela própria Affinity reúne estimativas de custos de diferentes atendimentos médicos em destinos internacionais. Os valores mostram como situações aparentemente simples podem gerar despesas inesperadas.
Em Miami, por exemplo, uma cirurgia de apendicite pode ultrapassar US$ 50 mil, segundo o estudo. Em Bangkok, uma torção de tornozelo aparece com custo médio de US$ 2.100.
Outros exemplos citados são o tratamento de uma infecção urinária em Londres, estimado em US$ 430, e uma consulta relacionada a dor de cabeça ou febre em Barcelona, com valor médio de US$ 35.
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Custos médios apontados pelo levantamento
| Destino | Apendicite | Gastroenterite | Dor de cabeça ou febre | Infecção urinária | Torção de tornozelo |
|---|---|---|---|---|---|
| Bangkok | US$13.500 | US$ 420 | US$ 2.100 | ||
| Barcelona | US$ 4.000 | US$ 35 | US$ 600 | ||
| Bogotá | US$ 5.000 | US$ 50 | US$ 80 | US$ 900 | |
| Buenos Aires | US$ 6.000 | US$ 130 | US$ 40 | US$ 130 | US$ 1.100 |
| Cidade do México | US$ 3.500 | US$ 70 | US$ 40 | US$ 80 | US$ 1.500 |
| Cusco | US$ 3.500 | US$ 70 | US$ 120 | US$ 1.500 | |
| Londres | US$ 6.500 | US$ 380 | US$ 430 | US$ 1.500 | |
| Madri | US$ 4.000 | US$ 45 | US$ 50 | US$ 600 | |
| Miami | US$50.000 | US$ 200 | US$ 250 | US$ 5.500 | |
| Milão | US$ 5.000 | US$ 200 | US$ 200 | US$ 1.200 |
Os valores são médias apresentadas no levantamento da Affinity e podem variar de acordo com o atendimento, o estabelecimento de saúde, o procedimento realizado e as condições de cada caso.
Seguro não substitui planejamento
A contratação do seguro viagem é uma das etapas que podem fazer parte do planejamento, principalmente em viagens internacionais. Antes de contratar, a recomendação é verificar as coberturas, limites de indenização, regras de utilização e situações previstas no contrato.
A proteção também não deve ser confundida com uma cobertura universal para qualquer ocorrência: as condições variam conforme o plano contratado e o destino.
No primeiro semestre de 2026, porém, os números levantados pela Affinity mostram que a maioria dos passageiros brasileiros ainda embarcou sem esse tipo de proteção.
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Planejar também é viajar
Viajar começa antes do embarque. Escolher o destino, organizar as malas, conferir os documentos e calcular os gastos fazem parte da experiência e pensar em como lidar com imprevistos também pode entrar nessa lista.
Os números do primeiro semestre de 2026 ajudam a dimensionar esse cenário: entre os passageiros considerados no levantamento, 89,8% das viagens internacionais e 99% das nacionais foram realizadas sem seguro viagem. São milhões de pessoas que viajaram sem essa proteção.
Isso não significa que todo viajante terá um problema durante o percurso. Mas mostra que o seguro ainda é pouco presente na rotina de planejamento das viagens no Brasil. Para quem decide contratar, o mais importante é conhecer as coberturas, os limites e as condições previstas antes de embarcar.
No fim, planejamento não é imaginar que algo dará errado. É viajar sabendo como agir caso o roteiro precise mudar no caminho.
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