
O brasileiro continua viajando, mas entender para onde vai exige olhar além das listas de destinos mais procurados. A escolha da próxima viagem envolve uma combinação de fatores: custo das passagens, preço da hospedagem, tempo disponível, experiências desejadas e possibilidade de aproveitar melhor cada dia fora de casa.
Do litoral nordestino às viagens internacionais, dados mostram um turismo em expansão, enquanto preço, planejamento e experiências influenciam as decisões dos viajantes.
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Os números mais recentes mostram que o transporte aéreo segue em expansão. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil registrou 88,6 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período de 2025. O mercado doméstico respondeu por 68 milhões de passageiros, enquanto os voos internacionais somaram 20,6 milhões. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
O avanço indica que as viagens continuam movimentando o mercado, mas não significa, isoladamente, que todos os brasileiros estejam viajando mais ou gastando mais. Para compreender o comportamento do consumidor, é necessário cruzar os números da aviação com pesquisas de preferência, indicadores econômicos e informações sobre hospedagem e permanência nos destinos.
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Praias, natureza e cidades com experiências diversificadas
No turismo nacional, o Nordeste permanece entre as regiões de maior apelo para quem procura sol, mar e contato com a natureza. Uma pesquisa divulgada em setembro de 2025 pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, apontou Fernando de Noronha (PE), Porto de Galinhas (PE) e Lençóis Maranhenses (MA) entre os destinos que mais despertavam o interesse dos brasileiros. Salvador (BA) e Maragogi (AL) também apareceram entre os destaques.
A lista mostra a força dos destinos de natureza e praia, mas não resume toda a demanda turística. Grandes centros urbanos e cidades de serra também atraem visitantes por sua oferta cultural, gastronômica, de entretenimento e de hospedagem.
Para as férias de julho de 2026, por exemplo, dados de buscas divulgados pela Booking.com colocaram São Paulo, Rio de Janeiro, Gramado, Campos do Jordão e Fortaleza entre os destinos nacionais mais pesquisados por brasileiros na plataforma. O levantamento considera buscas por hospedagem realizadas entre 1º de maio e 16 de junho de 2026, e não necessariamente reservas concluídas.
A diferença é importante: destinos desejados, destinos pesquisados e destinos efetivamente visitados são indicadores distintos. Ainda assim, as pesquisas ajudam a identificar tendências e antecipar os interesses dos viajantes.
Viagens internacionais ganham espaço
O movimento de passageiros nos aeroportos também aponta crescimento nas viagens internacionais. Nos oito primeiros meses de 2026, o mercado internacional registrou 20,6 milhões de passageiros, alta de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Anac.
Esse indicador inclui a movimentação de passageiros em voos internacionais e não deve ser confundido diretamente com o número de brasileiros que viajaram para o exterior. Mesmo assim, ajuda a dimensionar a expansão das conexões aéreas entre o Brasil e outros países.
Na hora de escolher um destino internacional, o custo total da viagem costuma ser mais relevante do que o preço isolado da passagem. Câmbio, alimentação, hospedagem, transporte local e atrações podem mudar significativamente o orçamento.
A América do Sul aparece com frequência nas pesquisas de mercado como alternativa para quem busca viagens internacionais com deslocamentos relativamente curtos. Já destinos de inverno, cidades históricas e regiões de praia continuam presentes no planejamento de férias, dependendo da época do ano, das conexões aéreas e das condições de compra.
Preço e planejamento mudam a maneira de viajar
O aumento dos custos não necessariamente elimina o desejo de viajar. Em pesquisa divulgada em setembro de 2026, o portal Melhores Destinos identificou estratégias de adaptação do orçamento, como a busca por promoções, o uso de milhas, a escolha de destinos mais econômicos e a redução da duração das viagens.
O levantamento ouviu 500 adultos conectados à internet, de todas as regiões brasileiras. Os resultados ajudam a compreender hábitos de um público digital, mas não devem ser tratados como retrato absoluto de toda a população.
A pesquisa também aponta a baixa temporada como uma oportunidade percebida pelos viajantes para economizar. Viajar fora das férias escolares e dos feriados mais concorridos pode ampliar as possibilidades de encontrar tarifas e hospedagens mais acessíveis, embora os valores variem conforme o destino e a demanda.
Na prática, o planejamento passou a envolver mais do que escolher um lugar para conhecer. Comparar datas, acompanhar tarifas, avaliar a localização da hospedagem e calcular os gastos durante a estadia pode fazer diferença no custo final.
Quanto tempo os brasileiros ficam e quanto gastam?
O tempo de permanência e o gasto médio são dois dos indicadores mais importantes para entender o impacto do turismo sobre a economia dos destinos. Uma viagem curta de fim de semana tem uma dinâmica de consumo diferente de uma estadia de uma semana, assim como uma viagem em família apresenta despesas distintas de uma viagem individual.
O Ministério do Turismo iniciou, em setembro de 2026, a primeira edição da Pesquisa Nacional de Demanda Turística, em parceria com o Itaipu Parquetec. O levantamento prevê aproximadamente 22,5 mil entrevistas presenciais em 50 municípios brasileiros, contemplando as cinco regiões do país.
A pesquisa investiga aspectos como motivação da viagem, transporte, hospedagem, duração da estadia, composição dos grupos, atividades realizadas e gastos. Também considera a avaliação dos visitantes sobre infraestrutura, segurança, acessibilidade e preços. A divulgação dos resultados está prevista para abril de 2027.
A iniciativa poderá ampliar a compreensão sobre as diferenças entre os destinos e sobre o comportamento de quem viaja pelo Brasil. Até a publicação desses resultados, é importante evitar generalizações sobre um suposto aumento nacional do tempo de permanência ou do gasto por turista sem uma série estatística comparável que sustente essa conclusão.
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Turismo cresce, os indicadores contam essa histórias
Os dados econômicos também ajudam a dimensionar o cenário. Em 14 de outubro de 2026, o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Mensal de Serviços referentes a agosto. O índice de atividades turísticas avançou 2,5% em relação a julho, com ajuste sazonal, acumulando alta de 5,5% em dois meses.
O indicador acompanha a evolução do volume de atividades relacionadas ao turismo, e não apenas a quantidade de pessoas que viajam. Seu desempenho pode refletir mudanças em segmentos como transporte, hospedagem, alimentação e outros serviços associados às viagens.
Por isso, crescimento do setor, aumento no número de passageiros e popularidade de um destino precisam ser analisados em conjunto, sem serem tratados como medidas equivalentes.
O panorama aponta para um mercado em transformação, no qual destinos tradicionais continuam atraindo visitantes, novas experiências despertam interesse e o planejamento financeiro influencia as escolhas. Para o viajante, a decisão envolve equilibrar desejo, tempo e orçamento. Para os destinos, o desafio é transformar a procura em permanência, consumo local e experiências capazes de estimular o retorno.
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