
Experiências em Minas Gerais e no Pará têm aproximado turismo, cidadania e geração de oportunidades, com um aprendizado central de que o desenvolvimento começa pelas pessoas e pelos lugares.
Ao olhar para a trajetória e para o trabalho realizado em 2026, vejo um ano de conversas, escuta, planejamento e presença em territórios muito diferentes. Como geógrafo e consultor social, tenho acompanhado de perto processos que me ajudam a compreender melhor o potencial de cada lugar e, sobretudo, as condições necessárias para que esse potencial se converta em oportunidades para quem vive ali.
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Essa experiência também reforça uma convicção, sustentabilidade não é uma palavra reservada aos projetos ou aos discursos institucionais, ela se revela nas escolhas do cotidiano, no cuidado com os espaços comuns, na preservação dos recursos naturais e na disposição para construir soluções coletivas.
Ter comportamento cidadão é reconhecer que nossas ações individuais afetam a vida compartilhada. Esse entendimento se aprende e se fortalece na prática, com diálogo, participação e responsabilidade.
Em Minas Gerais, atuar na estruturação da Rota Turística Jaguara tem me permitido acompanhar como paisagens, histórias, modos de vida, gastronomia e iniciativas locais podem formar uma experiência turística com identidade. A rota aproxima comunidades e empreendedores de diferentes distritos e municípios, valorizando aquilo que já existe e criando condições para que essas riquezas sejam reconhecidas, organizadas e acessadas por mais pessoas.
Esse trabalho não se resume a traçar caminhos no mapa ou divulgar atrativos. Envolve articulação, confiança e planejamento; pede que os moradores participem das decisões e que os negócios locais encontrem espaço para se desenvolver. O turismo ganha consistência quando dialoga com a realidade do território e contribui para fortalecer vínculos, conservar referências culturais e ampliar as possibilidades de trabalho e renda.
No distrito de Serra Pelada, no Pará, contribuir com a requalificação espacial traz outro conjunto de desafios e possibilidades. A proposta parte dos atributos naturais, culturais, artesanais, sociais e gastronômicos da comunidade para imaginar um destino acolhedor, seguro e sustentável. Para isso, é preciso olhar também para os espaços de convivência, para a vida cotidiana e para a maneira como a própria comunidade deseja se apresentar e receber visitantes. A perspectiva de desenvolvimento precisa fazer sentido primeiro para quem mora ali.
Os dois trabalhos têm escalas e contextos próprios, mas compartilham uma pergunta importante, como transformar as qualidades de um lugar em benefícios duradouros para sua população?
A resposta passa por organização, cuidado com as pessoas, as histórias, o patrimônio natural e cultural, participação comunitária e compromisso dos diferentes atores envolvidos. O resultado não se mede apenas pelo número de visitantes, ele também aparece na ampliação das oportunidades, na valorização dos saberes locais e na capacidade de a comunidade conduzir escolhas sobre o próprio futuro.
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É desse percurso que vem minha satisfação e o sentimento de paz, quando vamos caminhando para o encerramento de mais um ano de trabalho. Não pela ideia de que tudo esteja pronto, mas por ter participado de processos que aproximam planejamento e vida real, e por perceber que o desenvolvimento territorial pode ser construído com mais escuta e colaboração.
Em 2026, aprendi mais sobre os lugares e sobre as pessoas que os fazem existir. Levo comigo a certeza de que reconhecer um território é também assumir responsabilidade por aquilo que ajudamos a construir nele.
Os trabalhos que participo em Minas Gerais e no Pará, são experiências distintas e ainda em construção, mas ambas me permitem ver o valor de aproximar planejamento, cuidado e iniciativa comunitária.
A cada dia me convenço mais de que o futuro de um lugar ganha força quando seus moradores participam das decisões e reconhecem a potência do território onde vivem. Para mim, essa é uma das melhores medidas do trabalho, ajudar a abrir caminhos para que cada comunidade possa construir, com dignidade e participação, o futuro que deseja.
Até a próxima!
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