Instalado em um casarão antigo que passou por ampla recuperação, o equipamento marca a chegada de um polo cultural público à zona Norte da cidade.
Durante a abertura oficial, o prefeito Rodrigo Neves lembrou que o cantor Cauby Peixoto, que dá nome ao centro, viveu no bairro e manteve uma forte ligação afetiva com Niterói, sua cidade natal.
A inauguração apresentou três mostras simultâneas. Uma delas reunia materiais raros sobre a trajetória de Cauby, explorando sua estética e presença cênica.
A família do cantor participou do evento e doou parte do acervo pessoal dele ao centro. A sobrinha Magali Velasco destacou a importância de tornar público um conjunto de itens que, até então, permanecia restrito aos parentes.
Cauby Peixoto foi uma das vozes mais singulares da música brasileira e um dos intérpretes mais marcantes do século 20, conhecido tanto pela técnica vocal impecável quanto pelo estilo exuberante.
Nascido em Niterói, em 10 de fevereiro de 1931, ele cresceu em uma família profundamente ligada à música. Seus parentes tocavam em bandas e orquestras, e desde cedo ele se conectou com repertórios que iam do samba-canção às influências norte-americanas que chegavam pelo rádio.
No início da década de 1950, Cauby mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades profissionais. Começou cantando em cassinos e programas de calouros, onde sua voz potente e afinadíssima rapidamente chamou atenção de produtores e radialistas.
Não demorou para conquistar seu primeiro contrato fonográfico. A partir daí, iniciou uma trajetória que o levaria a se tornar um dos maiores ídolos da época de ouro da música brasileira.
Seus figurinos chamavam atenção: roupas brilhantes, capas e detalhes extravagantes. Tudo isso fazia dele um artista à frente de seu tempo, que entendia a importância da imagem muito antes da televisão se consolidar como principal vitrine musical.
A consagração definitiva veio com o lançamento de “Conceição”, em 1956, canção de Dunga e Jair Amorim que se tornaria seu maior êxito comercial e um símbolo de sua carreira.
Ele gravou dezenas de discos, participou de projetos especiais e criou parcerias marcantes, especialmente com a cantora Angela Maria, com quem dividiu palcos e álbuns. O disco 'Angela e Cauby' (1982) é até hoje lembrado como um dos ápices da carreira de ambos.
Cauby também participou de filmes musicais da época, entre eles “Com Água na Boca” (1956), onde aparecia interpretando seus sucessos - prática comum para os grandes cantores populares da era.
Sua relação com o público permaneceu fiel e intensa; Cauby era daqueles artistas que mantinham plateias cativas por toda a vida.
Entre outros sucessos em sua voz estão “Blue Gardenia”, “Bastidores”, de Chico Buarque, “Tarde Fria”, um de seus sambas-canção mais conhecidos.
Outro elemento que marcou sua trajetória foi a longevidade artística. Nos últimos anos de carreira, fez shows memoráveis em pequenas casas de espetáculo, onde o público podia sentir de perto a potência e o carisma do intérprete.
Em 2015, apenas um ano antes de morrer, lançou 'Cauby Sings Nat King Cole', trabalho muito elogiado que mostrava sua ligação antiga com o jazz e reforçava sua capacidade de interpretar repertórios complexos.
Cauby Peixoto morreu em 2016, aos 85 anos, deixando um legado imenso para a música brasileira. Sua voz permanece como referência técnica, e sua presença artística - ousada, dramática e intensamente pessoal - segue influenciando novas gerações de cantores.