Os filhotes têm cerca de três meses de idade, com pelagem ainda marcada por “manchinhas”, que desaparecem com o crescimento. A mãe foi vista caminhando com os três filhotes, o que indica boa saúde fisiológica, abundância de alimento e território adequado na reserva.
O nascimento múltiplo é extremamente raro na natureza. Em cativeiro, há registros de até seis filhotes, mas na vida livre o comum é dois. As onças-pardas são predadores de topo de cadeia, e sua reprodução bem-sucedida indica que o ecossistema está equilibrado.
O Projeto Felinos, coordenado pela professora Ana Carolina Srbek da Universidade Vila Velha, realiza o monitoramento da fauna com armadilhas fotográficas. Esta é a terceira vez que essa mesma fêmea é registrada com filhotes, sendo que nas duas anteriores nasceram apenas dois.
A espécie não está em risco de extinção, mas é considerada vulnerável pelo ICMBio devido à perda de habitat e caça ilegal. O nascimento dos trigêmeos renova, portanto, a esperança na preservação da biodiversidade da Mata Atlântica.
A presença de onças-pardas em áreas com residências tem causado alarme em várias partes do país. Em dezembro de 2023, por exemplo, um felino selvagem entrou no quintal de uma casa em Indianópolis, no Paraná. Cachorros latiram e, quando o morador saiu, percebeu a onça na árvore (foto).
Bombeiros, veterinários e uma equipe do Insittuto Água e Terra foram chamados para fazer o resgate. E tiveram que dopar o animal.
A onça-parda era um macho de 45 kg, 1,87 metro de comprimento e 50 centímetros de largura. Ela foi levada para uma reserva natural. Mas os moradores ficaram preocupados, pois a região tem um corredor ecológico onde vivem animais selvagens.
Em 2022, dois casos de onças-pardas em áreas urbanas também chamaram atenção. Uma delas apareceu nas ruas de Nova Lima, em Minas Gerais. Moradores de condomínios ficaram amedrontados.
Câmeras de monitoramento gravaram imagens da onça passeando calmamente pelas ruas da cidade. Felizmente, ninguém estava por ali na hora.
O município de Nova Lima fica na região metropolitana de Belo Horizonte, a apenas 18 km da capital mineira. Ocupa uma área de 429 km² , com 97 mil habitantes.
A área onde a onça-parda apareceu se chama Vila da Serra. Um bairro luxuoso no limite com Belo Horizonte. Vila da Serra dá vista para as montanhas, o que, teoricamente, valoriza o bairro, repleto de condomínios do tipo resort e casas de alto padrão.
Também no dia 22/7/2022, uma outra onça da mesma espécie invadiu uma casa em Assaí, no Paraná. .
Câmeras de monitoramento mostram o momento em que o animal passa em frente a uma kombi. As imagens não têm boa qualidade, mas a onça passa diante do veículo e os olhos brilham na luz.
O município de Assaí faz parte da região metropolitana de Londrina. A cidade ocupa uma área de 440 km², com 15 mil habitantes.
O município faz parte do Terceiro Planalto Paranaense, a uma altitude de 650 metros na área urbana. E com vasta área verde. Ou seja, animais que vivem ali podem acabar entrando na cidade.
A onça-parda, também chamada de puma ou suçuarana, é nativa da América. É o mamífero terrestre com maior distribuição pelo continente, aparecendo desde o Canadá até o sul do Chile.
Esta onça é grande. É o segundo maior membro da família dos felíneos nas Américas, perdendo apenas para a onça-pintada.
A onça-parda pode medir até 1,55 metro sem a cauda e pesar até 72 quilos, com porte semelhante ao do leopardo.
A onça-parda consegue correr a quase 70 km/h. Portanto, fugir desse animal é tarefa impossÃvel para um ser humano a pé.
A expectativa de vida da onça-parda é de 8 a 13 anos. O animal tem hábitos noturnos. Portanto, não surpreendeu que ela aparecesse à noite nas ruas da cidade.
É um animal solitário, caminha bastante, e escolhe os locais de caça de presas levando em conta a presença ou não de outros carnívoros.