Durante a premiação, Kimmel fez referências à retirada temporária do programa da grade da ABC no fim de 2025, uma decisão tomada após reclamações de emissoras afiliadas por conta de monólogo em que o humorista falou a respeito do suposto assassino do ativista de direita Charlie Kirk.
A decisão da emissora gerou forte reação em Hollywood, com artistas, roteiristas e sindicatos se posicionando em defesa do apresentador e da liberdade de expressão.
Em seu discurso, Kimmel destacou a relevância desse apoio coletivo e ressaltou a responsabilidade da classe artística diante de tentativas de censura. Em tom firme, agradeceu aos que se mobilizaram em solidariedade ao programa.
Ao fim do seu pronunciamento, o apresentador recorreu ao sarcasmo ao mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuindo a ele, de maneira irônica, parte da visibilidade recente do programa.
“E, acima de tudo, quero agradecer ao nosso presidente, Donald Jennifer Trump, sem o qual estaríamos indo para casa de mãos vazias esta noite. Então, obrigado, Sr. presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia. Foram semanas excepcionais, e mal podemos esperar para voltar ao ar amanhã à noite para falar sobre elas. Obrigado a todos”, afirmou, arrancando risos e aplausos da plateia.
Jimmy Kimmel Live! estreou em 26 de janeiro de 2003, pela ABC, em um momento de transição importante para os talk shows americanos.
Criado como uma alternativa mais irreverente aos programas tradicionais do horário noturno, o formato rapidamente se destacou pelo humor ácido, pela informalidade e pela disposição de brincar tanto com celebridades quanto com a própria indústria do entretenimento.
Desde o início, Jimmy Kimmel assumiu um tom mais próximo do público jovem, misturando entrevistas, esquetes, quadros recorrentes e comentários sarcásticos sobre a cultura pop e a política.
Com duração de uma hora, ele é gravado no coração de Hollywood. Com o tempo, o programa consolidou-se como uma vitrine privilegiada para artistas de cinema, música e televisão, especialmente durante a temporada de premiações.
Uma das marcas registradas do talk show é justamente a capacidade de transformar o próprio bastidor de Hollywood em matéria-prima para o humor, seja por meio de piadas internas, seja pela participação frequente de atores consagrados dispostos a rir de si mesmos.
Entre os quadros mais famosos está o “Mean Tweets” (“Tweets Malignos”, em português), no qual celebridades leem, em voz alta, mensagens ofensivas publicadas sobre elas nas redes sociais, sempre com um tom de autodepreciação que virou febre online.
Outro segmento recorrente é o “Lie Witness News”, em que pedestres são entrevistados sobre eventos fictícios, expondo de forma bem-humorada a desinformação e a superficialidade de parte do consumo de notícias.
Esses conteúdos ajudaram o programa a conquistar enorme alcance digital, fazendo com que muitos de seus vídeos acumulassem milhões de visualizações fora da televisão.
Com o passar do tempo, Jimmy Kimmel também passou a ocupar um espaço mais explícito no debate político. Embora o humor sempre tenha sido o eixo central do programa, monólogos críticos sobre temas sociais, eleições e figuras públicas se tornaram cada vez mais frequentes, especialmente a partir da década de 2010.
Outra curiosidade é que Jimmy Kimmel Live! frequentemente contou com apresentadores convidados durante as férias ou ausências de Kimmel, incluindo atores, músicos e comediantes de renome, o que se tornou quase um evento à parte para os fãs.
Personalidades brasileiras já participaram do Jimmy Kimmel Live! Entre elas estão a atriz Fernanda Torres, o ator Wagner Moura, a cantora Anitta e o jogador de futebol Neymar.
Mais de duas décadas após sua estreia, Jimmy Kimmel Live! permanece como um dos talk shows mais longevos e influentes da TV americana. Sua combinação de humor, comentário social, engajamento político e forte presença digital ajudou a redefinir o gênero para o século 21.