Com direção de Georgia Oakley (“Blue Jean”) e roteiro adaptado por Diana Reid, o filme terá como protagonistas Daisy Edgar-Jones (“Normal People” - na foto) e Esme Creed-Miles (“Névoa Prateada”), na pele das irmãs Elinor e Marienne Dashwood, respectivamente.
A nova adaptação confirma a vitalidade impressionante da obra da autora mais de dois séculos após sua morte.
O universo de Austen já foi tema inúmeras vezes no cinema e na televisão, em versões que marcaram época, como o próprio “Razão e Sensibilidade” (1995), dirigido por Ang Lee e com Emma Thompson e Kate Winslet no elenco.
Outros exemplos cinematográficos são “Orgulho e Preconceito”, como a versão de Joe Wright em 2005, e a celebrada minissérie da BBC de 1995, além de diferentes leituras de “Emma” e “Persuasão” ao longo das décadas.
Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, uma pequena localidade rural no condado de Hampshire, na Inglaterra, região onde viria a morrer também.
Filha de um pastor anglicano, cresceu em um ambiente familiar que valorizava a leitura, a educação e o debate intelectual, algo relativamente raro para mulheres de sua época.
Desde muito jovem demonstrou inclinação para a escrita, produzindo textos satíricos, histórias curtas e paródias, chamados de “juvenília”, que já revelavam seu olhar afiado sobre os costumes sociais e as relações humanas.
A vida de Jane Austen foi marcada por certa discrição e por limites impostos à condição feminina no fim do século 18 e início do 19.
Ela nunca se casou, viveu grande parte da vida com a família e teve uma rotina aparentemente simples, dividida entre afazeres domésticos, convivência social e escrita.
Ainda assim, foi justamente desse cotidiano aparentemente modesto que extraiu material para construir romances de enorme densidade psicológica e social.
Seu primeiro romance publicado foi “Razão e Sensibilidade”, lançado em 1811, inicialmente de forma anônima, como era comum para escritoras da época. A obra já apresentava muitos dos elementos que se tornariam marcas registradas da autora: protagonistas femininas complexas, diálogos irônicos e um equilíbrio delicado entre emoção e lucidez moral.
Em seguida vieram “Orgulho e Preconceito” (1813), talvez seu livro mais famoso, “Mansfield Park” (1814) e “Emma” (1815), consolidando sua reputação como uma observadora perspicaz da sociedade inglesa da era georgiana.
Mesmo sem grande fama em vida, seus livros tiveram boa recepção e garantiram-lhe certo reconhecimento dentro de círculos literários.
Após sua morte, em 18 de julho de 1817, aos apenas 41 anos, possivelmente em decorrência de uma doença crônica ainda debatida por estudiosos, foram publicados “Persuasão” e “A Abadia de Northanger”. Ela morreu em em uma casa na College Street, em Winchester, onde buscava tratamento.
'Persuasão' teve sua mais recente adaptação em 2022, pela Netflix, com Dakota Johnson ('Amores Materialistas') no papel da protagonista Anne Elliot.
Foi nesse momento que seu nome passou a ser oficialmente associado às obras, revelando ao público a identidade da autora que até então assinava apenas como “By a Lady” (“Uma Senhora”).
Com o passar do tempo, a importância de Jane Austen cresceu de forma contínua, transformando-a em uma das escritoras mais estudadas, adaptadas e admiradas da literatura mundial. o colocar mulheres no centro da narrativa, dotadas de inteligência, senso crítico e capacidade de escolha, Austen antecipou debates que só ganhariam força muitos anos depois.