O dispositivo é capaz de higienizar todos os dentes ao mesmo tempo em apenas 20 segundos, reduzindo drasticamente o tempo normalmente dedicado à escovação.
Ao contrário das escovas tradicionais, que exigem movimentos dente por dente, o equipamento tem formato semelhante ao de uma prótese, desenvolvido para se ajustar à arcada dentária.
O uso é simples: o usuário posiciona o aparelho primeiro na parte inferior e depois na superior da boca, completando todo o processo em poucos segundos, bem abaixo dos dois minutos geralmente recomendados por dentistas.
Desenvolvida pela empresa Y-Brush e apresentada na feira, a novidade não se limita à limpeza dos dentes.
A tecnologia permite analisar o hálito e identificar sinais associados a diferentes condições de saúde, como diabetes, distúrbios no fígado e problemas bucais, incluindo inflamações gengivais.
As informações coletadas podem ser enviadas para um aplicativo, onde ficam disponíveis para acompanhamento médico, abrindo caminho para um monitoramento contínuo e integrado da saúde do usuário.
A preocupação com a limpeza da boca e dos dentes acompanha a história da humanidade desde tempos muito antigos, muito antes da existência da escova de dentes como é conhecida hoje.
Na China antiga, por volta do século 15, surgiu um precursor direto da escova de dentes moderna. Relatos indicam a criação de instrumentos com cabos de bambu ou madeira, aos quais eram fixadas cerdas feitas de pelos de javali, mais rígidas e eficazes para remover resíduos.
A partir do Renascimento, com o avanço da ciência e o crescente interesse pelo corpo humano, a higiene bucal ganhou importância. Escovas de dentes importadas da Ásia começaram a circular na Europa, ainda vistas como itens de luxo, enquanto receitas de pós dentais se tornavam mais sofisticadas.
No século 18, a escova de dentes passou a se popularizar gradualmente no Ocidente. O hábito de escovar os dentes começou a ser recomendado com mais frequência por médicos, embora ainda estivesse longe de ser universal. A prática era mais comum entre as elites urbanas do que entre as camadas populares.
A grande virada ocorreu no século 19, com a Revolução Industrial. A produção em massa reduziu custos e tornou as escovas mais acessíveis.
Paralelamente, a odontologia se consolidou como campo científico, reforçando a importância da higiene bucal na prevenção de cáries e infecções. Foi também nesse período que surgiram os primeiros cremes dentais comerciais, substituindo gradualmente os pós abrasivos usados até então.
No início do século 20, a escovação diária passou a ser amplamente difundida, impulsionada por campanhas de saúde pública e, em alguns países, por exigências militares, que passaram a valorizar a saúde bucal dos soldados.
Materiais sintéticos, como o nylon, revolucionaram as escovas de dentes a partir da década de 1930, tornando-as mais duráveis, higiênicas e confortáveis do que as versões com cerdas naturais.
Ao longo da segunda metade do século 20, os hábitos de higiene bucal se tornaram parte da rotina cotidiana da maior parte da população urbana. Escovas com diferentes formatos, níveis de rigidez e designs ergonômicos foram desenvolvidas, assim como cremes dentais com flúor, voltados à prevenção de cáries.
O uso do fio dental e de enxaguantes bucais também passou a ser incentivado como complemento à escovação.
Nas últimas décadas, a tecnologia passou a desempenhar um papel central na evolução da higiene bucal. Escovas elétricas, sensores de pressão, aplicativos de monitoramento e até dispositivos capazes de analisar dados de saúde ampliaram a relação entre cuidados dentais e bem-estar geral.
Ao mesmo tempo, cresceu a conscientização sobre a importância da prevenção e da manutenção da saúde bucal ao longo da vida, reforçando a ideia de que cuidar dos dentes é um hábito essencial, profundamente enraizado na história humana e em constante transformação.