A expectativa é que o medicamento represente um avanço importante no combate à AIDS no Brasil, ainda que sua incorporação ao SUS dependa de análises específicas.
Antes da oferta pública, a CMED deve definir o preço máximo. A CMED é a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão do governo federal responsável por definir o preço máximo que um medicamento pode ter no Brasil. Ela atua para evitar abusos e equilibrar o mercado.
Já a Conitec avaliará custo-benefício e impacto orçamentário. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS avalia se um medicamento, vacina ou tratamento deve ou não ser oferecido pelo SUS. Ela analisa eficácia, segurança, custo-benefício e impacto no orçamento público antes de recomendar a incorporação.
O lenacapavir atua de forma inovadora, agindo diretamente sobre o capsídeo do vírus HIV-1, estrutura essencial para a reprodução viral.
Ao se ligar à “casca” do vírus, o medicamento desregula o processo de replicação, dificultando que o HIV se multiplique no organismo
Essa forma de ação é diferente da maioria dos antirretrovirais, que bloqueiam principalmente enzimas envolvidas na integração do DNA viral.
Estudos apresentados à Anvisa indicam alta eficácia, com 100% de prevenção em mulheres cisgênero e desempenho robusto em comparação a PrEP oral.
A PrEP oral diária está disponível no SUS desde 2018, mas a versão injetável promete maior comodidade e adesão por exigir menos aplicações.
HIV-1 é o tipo predominante de vírus no mundo e no Brasil, com a variante alvo principal das estratégias de prevenção pública.
A aprovação pela Anvisa se limita à prevenção da infecção pelo HIV-1, não sendo aplicada à variante HIV-2.
Mesmo com a licença sanitária concedida, a entrada no SUS ainda enfrenta etapas burocráticas e debate sobre custos.
Nos Estados Unidos, o custo anual por pessoa usando essa profilaxia semestral pode ultrapassar US$ 28 mil, o que levanta questões de orçamento.
Entre as vantagens do método estão a redução da necessidade de uso diário de medicamento e melhor logística de distribuição.
Especialistas destacam que a aplicação semestral pode ser especialmente útil em áreas com baixa cobertura de atenção primária à saúde.
O lenacapavir está disponível em versões oral e injetável, com a formulação subcutânea indicada para manutenção prolongada da PrEP.