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Leonel Brizola: a trajetória do único governador eleito pelo voto popular em dois estados


Há 104 anos, em 22 de janeiro de 1922, nascia Leonel de Moura Brizola, único político da história brasileira a ser eleito pelo voto popular para governador em dois estados.

Por Flipar
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Brizola nasceu no povoado de Cruzinha, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Em 1939, formou-se técnico rural e, no ano seguinte, iniciou sua trajetória no serviço público ao ser nomeado funcionário do Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura de Porto Alegre. 

- Agência Brasil /Wikimédia Commons

Em 1949, formou-se em engenharia civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nessa mesma década, deu seus primeiros passos na vida política, filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em agosto de 1945. 

- Reprodução do Flickr Arquivo Nacional do Brasil

Em janeiro de 1947, elegeu-se deputado estadual pela legenda, iniciando uma carreira que o colocaria entre os nomes centrais da política brasileira do século 20.

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Em março de 1950, Brizola casou-se com Neusa Goulart, irmã de João Goulart, então deputado estadual, com quem teve três filhos: José Vicente, Neusinha e João Otávio. Reeleito deputado estadual no mesmo ano, exerceu o mandato por pouco tempo, pois em 1952 foi nomeado secretário estadual de Obras do Rio Grande do Sul.

Agência Senado /Wikimédia Commons

Dois anos depois, foi eleito deputado federal e, em 1955, venceu a eleição para prefeito de Porto Alegre. Sua gestão na capital gaúcha projetou seu nome para além das fronteiras do estado e o credenciou à disputa do governo do Rio Grande do Sul, vencida em outubro de 1958. 

Serginho Neglia/Wikimédia Commons

Brizola ganhou projeção nacional em 1961, durante a crise política desencadeada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e a tentativa dos ministros militares de impedir a posse do vice-presidente João Goulart, seu cunhado. 

Agência Senado

À frente da chamada Cadeia da Legalidade, organizada a partir da ocupação de emissoras de rádio em Porto Alegre, mobilizou a população em defesa da ordem constitucional. O impasse foi solucionado com a adoção do parlamentarismo, permitindo a posse de Goulart em setembro daquele ano. 

Agência Senado

No ano seguinte, Brizola foi eleito deputado federal pelo antigo estado da Guanabara, com votação recorde, e deixou o governo gaúcho em janeiro de 1963 para assumir o mandato na Câmara dos Deputados.

- Reprodução do instagram @leonelbrizolavive

A crise política no Brasil se aprofundou em 1964, culminando no comício de 13 de março, no Rio de Janeiro, onde Brizola discursou de forma contundente. Poucos dias depois, a movimentação de tropas marcou o início do golpe militar. João Goulart deixou o país e seguiu para o exílio, enquanto Brizola tentou articular resistência no Rio Grande do Sul, permanecendo no interior do estado até maio. 

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Em abril, teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 1 e, pouco depois, se exilou no Uruguai. Permaneceu no país vizinho por mais de uma década, até ser expulso em 1977 pela ditadura local.

João Borges de Souza/Wikimédia Commons

Fixou-se então em Lisboa, capital de Portugal, e, em 1979, com a abertura política em curso no Brasil, passou a articular o retorno do trabalhismo à cena política nacional.

- Reprodução do Youtube

Após a anistia, Brizola voltou ao país e estabeleceu residência no Rio de Janeiro. Com a extinção do bipartidarismo, assumiu a presidência do novo PTB, mas a disputa judicial pela legenda resultou na fundação do Partido Democrático Trabalhista, o PDT, em 1980, sob sua liderança.

Arquivo Nacional /Wikimédia Commons

Sua gestão ficou marcada, sobretudo, pela implantação dos Centros Integrados de Educação Pública, escolas de tempo integral de autoria do antropólogo Darcy Ribeiro, e pela construção do Sambódromo, ambos projetos assinados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. 

Reprodução/Youtube

Em 1984, Brizola teve papel de destaque na campanha das Diretas Já, promovendo um comício que reuniu cerca de um milhão de pessoas no Rio de Janeiro. Após a derrota da emenda, apoiou a candidatura de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, que selou o fim da ditadura militar. 

- Reprodução do instagram @leonelbrizolavive

Em 1989, disputou a presidência da República pelo PDT, ficando em terceiro lugar no primeiro turno e transferindo seu apoio a Lula no segundo contra Fernando Collor, que acabaria eleito.

Andréa Farias Farias/Wikimédia Commons

Em 1990, foi eleito para um segundo mandato no governo do Rio de Janeiro. Quatro anos depois, deixou o governo estadual para disputar novamente a presidência, mas terminou a eleição em quinto lugar. Em 1998, integrou como vice a chapa encabeçada por Lula, derrotada por Fernando Henrique Cardoso. 

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No ano 2000, tentou sem sucesso a prefeitura do Rio de Janeiro. Leonel Brizola morreu em 21 de junho de 2004, aos 82 anos, vítima de um infarto decorrente de complicações infecciosas.

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