Por muito tempo, acreditou-se que os grandes dinossauros com chifres existiram apenas na América do Norte e na Ásia, já que não havia registros fósseis desse grupo no continente europeu.
Por FliparEssa visão começou a mudar com um estudo que reexaminou materiais encontrados na Hungria.
Foram reveladas características típicas dos ceratopsianos, como um bico curvado e um palato arqueado — traços comuns dos dinossauros com chifres.
Historicamente, muitos desses fósseis eram classificados como pertencentes aos iguanodontídeos, por apresentarem semelhanças externas com esse grupo.
Segundo os pesquisadores, essa interpretação equivocada ocorreu porque ambos compartilham um ancestral distante.
Além disso, os iguanodontídeos e os ceratopsianos desenvolveram traços parecidos ao longo da evolução.
A revisão não se limitou a essa espécie. Outros exemplares europeus também foram reavaliados, revelando erros de identificação mantidos por décadas.
Um dos casos mais simbólicos envolve um fóssil da Romênia que mudou de nome: antes chamado Zalmoxes shqiperorum, passou a ser classificado como Ferenceratops shqiperorum.
O paleontólogo Franz Nopcsa tinha uma teoria de que a Europa do período Cretáceo teria abrigado linhagens peculiares em ambientes insulares — hipótese que ele não conseguiu comprovar.
Ao mesmo tempo, os novos dados colocam em xeque a ideia de que a fauna europeia era isolada das demais regiões do planeta.
A identificação de ceratopsianos sugere que o continente pode ter funcionado como uma rota de dispersão entre a Ãsia e a América do Norte, por meio de ilhas e pontes terrestres.
As descobertas alteram a forma como se interpreta a história evolutiva da região.