No dia 4 de janeiro de 2026, funcionários da Prefeitura de Igaraçu do Tietê, no interior de São Paulo, realizaram a retirada de uma enorme quantidade de camarões encontrados mortos na prainha do município.
Por FliparA ação foi adotada após a constatação da mortandade de milhares de crustáceos ao longo das margens do Rio Tietê, situação registrada dois dias antes.
Durante o trabalho de limpeza, os animais que permaneciam acumulados na beira do rio foram recolhidos, acondicionados em sacos e encaminhados para descarte no aterro sanitário de Barra Bonita. Para facilitar a remoção, uma retroescavadeira foi utilizada pelas equipes responsáveis pelo serviço.
Imagens registradas por moradores da região mostram uma grande quantidade de crustáceos espalhados às margens do Tietê, evidenciando a dimensão do problema.
A prainha, onde ocorreu o episódio, é um espaço voltado ao lazer da população e fica situada nas proximidades da barragem da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita. Para apurar as causas da mortandade, técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo estiveram no local e realizaram vistorias, além da coleta de amostras da água e dos próprios animais.
O camarão é um crustáceo amplamente distribuído em ambientes aquáticos ao redor do mundo, podendo ser encontrado tanto em águas doces quanto salgadas.
Pertencente à ordem decapoda, o mesmo grupo dos caranguejos, lagostas e lagostins, esse animal possui dez patas, corpo alongado e uma carapaça resistente que protege seus órgãos internos. A principal diferença entre eles está no tamanho, na forma do corpo e no habitat.
As lagostas (foto) costumam ser maiores, vivem predominantemente em ambientes marinhos e possuem grandes pinças. Os lagostins, por sua vez, são semelhantes a pequenas lagostas, geralmente encontrados em água doce.
Existem milhares de espécies de camarões catalogadas, com variações de tamanho, coloração, comportamento e habitat, adaptadas a diferentes ecossistemas.
Na natureza, os camarões desempenham um papel fundamental no equilíbrio ambiental. Eles atuam como consumidores de algas, restos orgânicos e pequenos organismos, contribuindo para a limpeza dos ambientes aquáticos.
Ao mesmo tempo, servem de alimento para diversas espécies de peixes, aves e outros animais, ocupando uma posição estratégica na cadeia alimentar. Por essa razão, alterações significativas em suas populações costumam ser indicativas de desequilíbrios ambientais.
Há espécies amplamente conhecidas pelo consumo humano e outras valorizadas em atividades específicas. O camarão-barbeiro, por exemplo, é uma espécie de água doce bastante comum em rios e represas brasileiras, reconhecida por seu tamanho relativamente grande e por seus longos apêndices, semelhantes a “bigodes”.
Já o camarão-anão, muito menor, é encontrado tanto na natureza quanto em aquários, sendo apreciado por sua delicadeza, comportamento tranquilo e capacidade de auxiliar na limpeza do ambiente.
Além dessas variedades, existem os chamados camarões ornamentais, criados especialmente para aquarismo, como os camarões cereja, cristal e fantasma. Essas espécies são selecionadas por suas cores vibrantes, que podem variar entre tons de vermelho, azul, amarelo, branco e transparente.
Do ponto de vista econÃŽmico, o camarão é um dos produtos mais relevantes da pesca e da aquicultura mundial. PaÃses como China, Ãndia, Vietnã, Equador e Brasil se destacam na produção, tanto por meio da captura em ambientes naturais quanto pela criação em viveiros.Â
A carcinicultura, nome dado à criação de camarões em cativeiro, gera empregos, movimenta bilhões de dólares por ano e abastece mercados nacionais e internacionais.
Na alimentação humana, o camarão é valorizado por seu sabor e por seu valor nutricional. Ele é rico em proteínas de alta qualidade, possui baixo teor de gordura e contém minerais como zinco, selênio e fósforo, além de vitaminas do complexo B.
Apesar de sua importância, o camarão é sensível à poluição e às mudanças ambientais. A presença de resíduos industriais, esgoto doméstico, agrotóxicos e metais pesados nos rios e mares pode comprometer sua sobrevivência e tornar seu consumo arriscado.
O uso racional da água, o tratamento adequado de resíduos, o controle da poluição e o respeito aos períodos de reprodução são medidas apontadas como fundamentais para garantir a continuidade da atividade e a conservação dos ambientes naturais.