Um leilão de 148 objetos ligados a Oscar Wilde na casa londrina Bonhams reunirá livros, cartas e manuscritos do acervo do colecionador Jeremy Mason.
Por FliparEntre os destaques estão documentos que narram o período de seu encarceramento e a rede de apoio que tentou protegê-lo durante o processo movido pelo Marquês de Queensberry.
Figura central da literatura vitoriana, Oscar Wilde utilizava sua inteligência poliglota e elegância sarcástica para dissecar a hipocrisia da elite britânica.
Ele nasceu em 16 de outubro de 1854, em Dublin, quando a Irlanda ainda integrava o Reino Unido.
Criado em um ambiente intelectual, Wilde dominou desde cedo o francês e o alemão e conquistou grande popularidade com peças teatrais que atraíam multidões.
Poeta, romancista e dramaturgo, era conhecido pelo humor refinado e pelo uso afiado do sarcasmo, com o qual expunha a hipocrisia moral do fim do século 19.
Sua vida pessoal, porém, acabou se tornando alvo de perseguição pública, por ser gay em uma época marcada por forte repressão.
Wilde foi processado, ridicularizado, condenado e encarcerado após o relacionamento com o jovem lorde Alfred Douglas provocar a fúria do pai do rapaz.
O julgamento transformou-se em espetáculo midiático e despertou reações hostis da população.
Preso entre 1895 e 1897 e submetido a trabalhos forçados, Wilde escreveu na cadeia a longa carta conhecida como “De Profundis”, publicada apenas depois de sua morte.
Após deixar a prisão, mudou-se para a França, onde produziu sua última grande obra, “A Balada do Cárcere de Reading”, e acabou falecendo em 1900, aos 46 anos.
Apesar das controvérsias envolvendo sua orientação, Wilde havia se casado com Constance Lloyd, com quem teve dois filhos.
Para protegê-los do escândalo causado pela condenação do escritor, ela retirou o sobrenome paterno das crianças e adotou Holland.
Cyril, um deles, morreu jovem na Primeira Guerra Mundial; Vyvyan viveu até a velhice, seguiu carreira literária e teve um filho; já seu único neto, Merlin Holland, se tornou um estudioso de sua obra e biografia.
Entre seus livros mais famosos está “O Retrato de Dorian Gray”, romance sombrio no qual o protagonista preserva a juventude enquanto seu retrato se degrada a cada ato cruel ou criminoso.
A história ganhou diversas adaptações para o cinema e até releituras modernas, como a inclusão do personagem em “A Liga Extraordinária”, ao lado de outras figuras clássicas da ficção, como Allan Quatermain, vivido por Sean Connery.