Em 2026, o primeiro álbum solo do compositor e cantor Monarco (1933 – 2021) completa 50 anos de seu lançamento.
Por Flipar
O disco, que chegou ao mercado em 1976, trouxe sambas de Monarco que se tornaram célebres, como “Lenço”, parceria com Francisco Santana, e “O Quitandeiro”, com Paulo da Portela.
Hildemar Diniz, mais conhecido pelo nome artístico Monarco, nasceu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1933 e se tornou uma personalidade emblemática do samba, admirado por sua contribuição à cultura popular e pela longa trajetória dedicada à música e à escola de samba Portela.
Ele passou a infância no bairro de Oswaldo Cruz, onde conviveu com personalidades do samba e recebeu o apelido de Monarco.
Ainda muito jovem, aos 17 anos, Monarco foi convidado a integrar a ala de compositores da Portela, posição que marcaria sua vida artística e o colocaria em contato direto com nomes lendários do samba como Paulo da Portela, Manacéa e Alcides Dias.
Ao longo de sua trajetória na Portela, Monarco exerceu diferentes funções, como líder da Velha Guarda e diretor de harmonia da escola, além de tornar-se presidente de honra da agremiação.
Monarco construiu um legado sólido por meio dos chamados sambas de quadra, apresentados nos ensaios e incorporados ao repertório afetivo da Portela. Essas composições tornaram-se símbolos da identidade da escola, como é o caso de “Passado de Glória”, frequentemente utilizado como samba de aquecimento antes dos desfiles.
A carreira fonográfica de Monarco teve início em 1976, com o lançamento de álbum solo que levou seu nome. Ao longo dos anos, sua obra passou a despertar interesse também internacional, como no caso do disco “A Voz do Samba”, lançado em 1995 no Japão.
Cinco anos antes, ele já havia gravado pela RGE o álbum “Portela Passado de Glória”, ao lado da Velha Guarda. O disco teve produção de Paulinho da Viola, que interpreta em uma das faixas “Lenço”, um dos sambas mais famosos de Monarco.
Ao longo da carreira, Monarco emplacou uma série de sucessos que marcaram o samba. Seu primeiro grande destaque ocorreu em 1973, quando Martinho da Vila gravou “Tudo Menos Amor”, composta em parceria com Walter Rosa.
Além de “Lenço”, interpretada por Paulinho da Viola, outras canções de sua autoria ganharam projeção. Beth Carvalho registrou “Obrigado pelas Flores”, escrita com Manacéa, enquanto Zeca Pagodinho popularizou canções como “Coração em Desalinho” e “Vai Vadiar”, ambas em parceria com Alcino Correia Ferreira, conhecido como Ratinho.
Curiosamente, Monarco nunca venceu uma disputa de samba-enredo na Portela, embora tenha disputado.
Porém, teve êxito em outras escolas. Na Unidos do Jacarezinho, por exemplo, compôs sambas-enredos como “A História de Vila Rica do Pilar” e “Geraldo Pereira, Eterna Glória do Samba”.
Em 1999, ele foi convidado por Marisa Monte para participar do álbum “Tudo Azul”, ao lado da Velha Guarda da Portela, em um projeto que também contou com a presença de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.
Em 2008, a trajetória de Monarco e da Velha Guarda da Portela foram tema do documentário “Mistério do Samba”, dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, com produção de Marisa Monte.
Em 2015, o álbum “Passado de Glória – Monarco 80 anos” foi reconhecido no Prêmio da Música Brasileira como Melhor Álbum de Samba.
Monarco morreu no dia 11 de dezembro de 2021, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações após uma cirurgia no intestino. O velório ocorreu na quadra da Portela, em Oswaldo Cruz.
Em homenagem à sua importância para a cultura carioca, a prefeitura rebatizou o Parque Madureira como Parque Madureira Mestre Monarco.