Aos 88 anos, celebrados com entusiasmo nas redes sociais, Martinho da Vila voltou a receber homenagens dos fãs e da própria equipe. “Martinho da Vila nasceu no carnaval de 1938. Hoje, ele completa 8.8! Vivaaaa!!!!”, publicou o perfil do artista.
Por FliparA postagem destaca exatamente a ligação simbólica entre sua trajetória e a festa que ajudou a eternizar no samba e no carnaval. Além disso, o cantor também dividiu momento íntimo com o público ao comemorar os 55 anos da esposa, Cléo Ferreira.
Ao compartilhar uma foto ao lado da companheira, declarou: “Estrela guia que me norteia! Viva os 55 da Clediomar”. Assim, o músico uniu celebração pessoal e carinho familiar em duas datas marcantes.
Martinho da Vila, aliás, será homenageado com uma estátua monumental — em bronze e tamanho natural — erguida sobre uma coroa na Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, bairro que inspirou seu nome artístico.
A obra, idealizada pelo carnavalesco Paulo Barros e esculpida por Mário Pitanguy, terá cerca de 14 metros de altura e prestará tributo ao legado do sambista. Veja agora a carreira de Martinho.
Filho de lavradores, Martinho José Ferreira nasceu em 12/2/1938 em Duas Barras, no interior do RJ. Com apenas quatro anos, mudou-se com a família para a capital. Antes de se tornar um ícone da arte, ele serviu o exército na juventude.
Na década de 1970, decidiu abandonar a carreira militar para dedicar-se ao samba, paixão que o tornaria conhecido nacionalmente.
No Festival da Música Popular Brasileira de 1967 da Record, vencido por Edu Lobo com “Ponteio”, concorreu com a canção “Menina Moça”, interpretada por Jamelão, cantor que se tornaria um emblema da Mangueira.
No ano seguinte, Martinho da Vila emplacou seu primeiro grande sucesso, “Casa de Bamba”, canção que se tornaria um dos clássicos de seu repertório.
A canção foi faixa do primeiro álbum do sambista, lançado em 1969 pela RCA Victor. O disco trazia ainda sucessos como “Quem É Do Mar Não Enjoa”, “O Pequeno Burguês” e “Pra Que Dinheiro”.
Daí em diante, passou a lançar discos quase todos os anos, emplacando clássicos definitivos do samba nacional. Entre suas produções mais cultuadas estão “Canta Canta, Minha Gente” (1974) e ‘Tá Delícia, Tá Gostoso” (1995).
Além de “Casa de Bamba” e “Canta Canta, Minha Gente”, outras músicas muito conhecidas do compositor e cantor são “Disritmia”, “Devagar Devagarinho” (composição de Eraldo Divagar), “Mulheres” (de Toninho Geraes) e “Ex-Amor”.
Martinho da Vila também é uma das personalidades mais ilustres do Carnaval carioca. Especialmente por sua ligação com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, da qual é presidente de honra.
É dele a idealização do histórico enredo “Kizomba: A Festa da Raça”, que deu à escola o seu primeiro título do Grupo Especial, em 1988, no centenário da abolição da escravatura.
Entre as características marcantes da obra de Martinho estão a celebração da cultura popular, a crítica social e a exaltação da negritude.
Em 1991, Martinho encontrou-se com Nelson Mandela, líder sul-africano que foi símbolo da luta contra o apartheid no país. Um reconhecimento a um dos artistas brasileiros que mais se engajaram no combate ao racismo e pelos direitos da população negra.
Apesar de sua forte ligação com o samba, o artista é reconhecido como detentor de estilo eclético, incursionando por outros gêneros da MPB, e também um pesquisador da cultura popular.
Martinho da Vila também tem uma trajetória consistente como escritor. Em 2024, ele lançou seu 21º livro, “Martinho da Vida”. Sua obra bibliográfica passeia por gêneros diversos, do infanto-juvenil ao romance e ao autobiográfico.
Martinho da Vila tem oito filhos, incluindo a cantora Mart’nália. Ele é casado desde 1993 com Cléo Ferreira, mãe de seus dois filhos mais novos.