Um avião que transportava 55 pessoas realizou pouso de emergência na Somália após apresentar falha técnica pouco após a decolagem em Mogadíscio. O comandante retornou ao aeroporto, mas, ao aterrissar, não conseguiu manter a aeronave dentro da pista.
Por FliparO avião ultrapassou os limites do aeródromo e foi parar na faixa litorânea próxima, ficando parcialmente na água. Imagens registraram uma das asas desprendida. Equipes de resgate atuaram rapidamente e retiraram todos os ocupantes sem ferimentos.
“O piloto conseguiu pousar o avião, mas ao tocar o solo, perdeu o controle e a aeronave saiu da pista e parou no mar. Felizmente, não há feridos”, afirmou a autoridade local. As circunstâncias serão apuradas.
Quando o assunto é pouso na água, o Rio Hudson, em Nova York, sempre vem à tona. Este rio, que agora é lugar de uma tragédia, faz parte da memória coletiva dos americanos por um ato de heroísmo que salvou vidas.
Foi em 15/1/2009, quando um avião precisou fazer pouso de emergência na água. O mundo acompanhou o resgate em Nova York. Um avião AirBus A320 pousou, às 15h31, em pleno rio Hudson. Relembre esta história.
O voo doméstico iria de Nova York para o Aeroporto Internacional de Charlotte/Douglas, na Carolina do Norte, com escala em Washington.
No comando estava o piloto Chesley Burnett Sullenberger III, às vésperas de celebrar seu 58º aniversário (em 23/1). Ex-piloto de caça, ela trabalhava em linhas aéreas civis desde 1980, quando deixou a Força Aérea dos Estados Unidos.
O pouso de emergência foi feito porque o voo US Airways 1549 sofreu uma colisão com gansos canadenses, espécie comum na região. Eram 15h27 quando aves bateram no avião e foram sugadas pelos motores, que perderam potência.
O primeiro aviso à torre de controle foi às 15h27, dois minutos após a decolagem. A tripulação reportava a colisão com as aves e pedia autorização para retorno ao aeroporto de La Guardia. Passageiros viram fogo nas turbinas.
Controladores de voo indicaram uma pista disponível no La Guardia, mas Sullenberger disse que não conseguiria fazer a manobra. Ele ainda cogitou aterrissar em Nova Jersey, mas o avião tinha baixa altitude.
Noventa segundos antes do pouso, Sully anunciou que haveria impacto e as comissárias de bordo instruíram os passageiros. O avião aterrissou apenas seis minutos após a decolagem do La Guardia, às 15h31, quando seguia a 240 km/h.
A aterrissagem foi na altura de Manhattan. Os 150 passageiros e 5 tripulantes do avião parcialmente submerso foram evacuados pelas duas asas do avião e por escorregadores infláveis que foram ativados. Embarcações logo se aproximaram para o resgate.
Cinco pessoas sofreram lesões. Entre elas, a comissária Doreen Welsh, com cortes na perna. 78 pessoas tiveram ferimentos leves ou hipotermia, já que o frio era intenso. Ninguém morreu.
O avião foi retirado do rio dois dias depois. Sullenberger foi aclamado como herói pela população e pela mídia, mas enfrentou uma investigação minuciosa sobre o caso.
Autoridades de aviação confrontavam a versão apresentada pelo comandante com suposições de outros motivos para o pouso emergencial.
Durante seis meses, Sully ficou afastado das atividades para as investigações. Mas sua versão sobre o choque com os pássaros foi comprovada. Penas de aves (foto) foram encontradas nos motores.
Sully recebeu diversas condecorações. Até hoje, recebe prêmios e menções honrosas. Cada passageiro do avião recebeu uma carta de desculpas, uma compensação de US$ 5 mil e o reembolso da passagem aérea.
Sullenberger foi considerado pela Revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Em 2010, se aposentou da atividade de piloto comercial. No ano seguinte, foi contratado pela CBS News como comentarista, especialista em aviação.
Em 2016, foi lançado “Sully”, com Tom Hanks no papel do comandante. Dirigido por Clint Eastwood, o filme tem Aaron Eckhart na pele do co-piloto Jeff Skiles, e Laura Linney como Lorraine, esposa de Sully.