Na Marquês de Sapucaí, a Unidos do Viradouro construiu um desfile em que a emoção falou mais alto que qualquer efeito visual. Afinal, o enredo “Pra Cima, Ciça!” reverenciou Mestre Ciça (Moacyr da Silva), uma das grandes referências do samba.
Por FliparO desfile homenageou sua trajetória como referência entre ritmistas, com direito ao próprio à frente da bateria. Cada parada e cada retomada ganharam significado especial, com a multidão indo à loucura na Sapucaí.
A festa mostrou diferentes momentos da carreira do mestre, recriando passagens marcantes em alas coreografadas que simulavam ensaios, bastidores e grandes noites do Carnaval carioca.
No encerramento, a bateria assumiu papel absoluto de protagonista. Com paradinhas longas, bossas elaboradas e retomadas explosivas, os ritmistas transformaram a avenida em um verdadeiro espetáculo de precisão e potência.
As baterias de escola de samba, aliás, são um dos elementos mais importantes do desfile, sendo responsáveis por dar o ritmo e o andamento da apresentação. Saiba tudo sobre elas nesta galeria!
As baterias são formadas por uma grande variedade de instrumentos, que são tocados por ritmistas experientes. A tradição das baterias de escola de samba é longa e rica.
Elas surgiram no início do século 20, quando os blocos carnavalescos começaram a incorporar instrumentos de percussão em seus desfiles. As primeiras baterias usavam como instrumento tamborins, latas de manteiga, cuícas e pandeiro.
As baterias se tornaram cada vez mais complexas e sofisticadas, e hoje são um dos elementos mais importantes. Além de darem ritmo, as baterias de escola de samba influenciam nos outros quesitos técnicos do desfile de diversas maneiras.
São elas que podem ajudar a criar uma atmosfera animada e contagiante, o que ajuda a motivar as demais alas e atrair a atenção do público.
As baterias tornaram-se verdadeiras orquestras percussivas, compostas por instrumentos específicos que desempenham papéis distintos na formação do som característico das escolas de samba.
A influência da bateria vai além do quesito de percussão. A marcação rítmica precisa e a intensidade controlada da bateria têm um impacto direto no andamento do desfile, influenciando a evolução da escola de samba na avenida.
Quanto mais rápido e forte a bateria toca, mais rápido os membros da escola geralmente desfilam. Isso está diretamente ligado à maneira como a escola evolui na avenida.
Nas escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, cada bateria tem em média entre 250 e 300 componentes.
Quando se avalia a bateria, deve-se levar em conta a consistência do ritmo em harmonia com o Samba-Enredo.
Também são levados em conta a combinação perfeita dos sons produzidos pelos diferentes instrumentos e a capacidade criativa e versátil da bateria.
No carnaval carioca, algumas escolas se destacam por estarem sempre conseguindo as melhores notas no quesito bateria. São elas: Unidos da Tijuca, Salgueiro, Portela, Beija-Flor e Mocidade Independente de Padre Miguel.
Um detalhe importante é que, até o início do século 20, as baterias das escolas de samba eram compostas apenas por homens, mas isso vem mudando radicalmente nos últimos anos.
Em 2023, por exemplo, as mulheres já representavam cerca de 40% dos ritmistas das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro.