Durante os desfiles do Carnaval do RJ, a Imperatriz Leopoldinense levou à Marquês de Sapucaí uma narrativa centrada na trajetória de Ney Matogrosso, mostrando sua capacidade de se reinventar ao longo das décadas.
Por FliparO enredo construiu um percurso visual que destacou a quebra de padrões, a teatralidade e a presença de palco que transformaram o cantor em referência de originalidade na música brasileira.
As alegorias investiram em formas marcantes e contrastes de cores para simbolizar as várias fases do artista, enquanto as fantasias dialogaram com sua estética ousada e performática.
A apresentação se firmou como um retrato de personalidade e coragem artística, mostrando a dramaticidade e o impacto visual de Ney para defender seu lugar entre as protagonistas do Carnaval.
E Ney está em evidência. A sua cinebiografia, “Homem com H”, com direção de Esmir Filho, narra a trajetória do artista desde a infância e adolescência, permeada pela relação turbulenta com o pai, até a consagração no universo musical.
No longa-metragem, o ator Jesuíta Barbosa interpreta Ney Matogrosso. Ele emagreceu 12 quilos e fez aulas de dança para encarnar o cantor, conhecido pelo vigor que exibe nos palcos.
Em 2025, Ney lançou um novo álbum nas plataformas digitais. “Canções para um novo mundo”, parceria do consagrado artista com a banda Hecto, tem seis faixas inéditas e conta com a participação especial de Ana Cañas, Frejat e do baterista Will Calhoun.
Um dos grandes intérpretes da história da música brasileira, Ney de Souza Pereira (seu nome de batismo) nasceu em 01/08/1941 na cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com o Paraguai.
Na adolescência, a relação conturbada com o pai, o militar Antonio Matogrosso Pereira, fez com que Ney saísse de casa aos 17 anos.
Após servir por dois anos como militar na aeronáutica, um meio de sobreviver, entre Rio de Janeiro e Brasília, Ney Matogrosso chegou a se apresentar como cantor amador e trabalhar com artesanato.
No início dos anos 70, o cantor entrou na banda Secos e Molhados, onde iniciaria a carreira de sucesso que já dura mais de meio século. A banda era liderada por João Ricardo e teve em sua formação mais famosa Ney Matogrosso e Gerson Conrad.
Em 1973, a banda dominou as paradas musicais do Brasil com o álbum homônimo – considerado pela Revista Rolling Stones o quinto melhor da história da música brasileira.
O cantor de voz aguda e com o corpo e rosto desenhados, além de adereços e acessórios ousados para a época, ou muitas vezes com pouca roupa, construiu uma persona artística que o acompanharia nas décadas seguintes.
Em apenas dois meses, o primeiro disco do Secos e Molhados vendeu mais de 300 mil cópias e tornou-se um clássico da música nacional. O álbum traz hits como “Sangue Latino”, “O Vira” e “Rosa de Hiroshima”.
O grupo teve vida curta. Logo após o lançamento do segundo álbum, “Flores Astrais”, também com muitos versos de poetas famosos musicados, a banda se desfez. Em especial por divergências de Ney com João Ricardo.
Ney Matogrosso iniciou, então, a sua carreira solo e lançou seu primeiro álbum em 1974, batizado de “Água do Céu – Pássaro”. Em uma entrevista no programa Altas Horas, em 2019, Ney Matogrosso revelou que na adolescência tinha vergonha da própria voz.
Ney Matogrosso já lançou 26 discos de estúdio em sua trajetória solo, com alguns deles considerados essenciais por especialistas, como “Pecado” (1977) e “Pescador de Pérolas” (1986).
Um fato da vida pessoal de Ney Matogrosso que se tornou bastante famoso foi seu namoro com Cazuza, ícone do rock nos anos 80. “A relação durou três intensos meses”, comentou o cantor em entrevista à revista Veja.
Entre tantas amizades de Ney Matogrosso, uma especial foi com Rita Lee, a Rainha do Rock brasileiro que morreu em 2023. O cantor revelou até que foi o responsável por apresentar a artista ao seu futuro marido, Roberto Carvalho.