Ouriços-do-mar são criaturas fascinantes que habitam os oceanos e, além de serem comestíveis, escondem histórias surpreendentes. Uma coleta rotineira desses animais invertebrados, por exemplo, terminou em uma das maiores disputas judiciais envolvendo um tesouro submerso da Europa.
Por Flipar
Esses equinodermos possuem espinhos característicos e vivem em fundos rochosos. Além de desempenharem papel ecológico, também são apreciados na culinária, especialmente em países mediterrâneos.
Assim, mergulhadores que buscavam esses ouriços-do-mar no litoral da Córsega, no Mar Mediterrâneo, pertencendo à França, acharam milhares de moedas de ouros romanas, atualmente avaliadas em R$ 9,1 bilhões. A atividade, desse modo, se tornou uma descoberta arqueológica sem precedentes.
As moedas datavam do século III e estavam acompanhadas de uma travessa de ouro maciço. Portanto, tratava-se de um achado raríssimo para a arqueologia e para a história da Roma Antiga.
Parte das moedas foi vendida discretamente, a preços bem abaixo do valor real. Assim, o tesouro começou a se dispersar em coleções privadas. A comunidade numismática percebeu padrões em leilões, alertou autoridades francesas, e o caso ganhou repercussão e chamou atenção da imprensa.
Em 1986, ano seguinte à descoberta, jornais locais tornaram público o assunto e a gendarmaria francesa (força militar com funções de polícia civil) iniciou uma grande investigação. Dessa maneira, o episódio deixou de ser apenas curiosidade e virou caso policial.
Na década seguinte, 78 moedas foram recuperadas e os envolvidos multados. Contudo, grande parte do tesouro já havia desaparecido. Hoje, a Interpol rastreia peças identificadas em catálogos de leilões internacionais.
Enquanto o caso continua vivo mesmo décadas após a descoberta, os ouriços-do-mar seguem sendo iguarias apreciadas. Seu sabor delicado é comparado ao do mar concentrado em pequenas porções.
Além disso, podem ser confundidos com outro animal popular no Brasil: a bolacha-da-praia. Tanto que são considerados parentes próximos, embora criaturas diferentes.
O ouriço-do-mar é um animal fascinante que desperta curiosidade por suas características únicas. Embora seja comum em diversos lugares, ele apresenta aspectos que o diferenciam de outros seres marinhos.
Sua reprodução ocorre de forma indireta e externa. As fêmeas desse animal têm grandes gônadas que soltam gametas reprodutores no ambiente, onde ocorre a fecundação. Em seguida, as larvas se alimentam sozinhas para se desenvolverem até a fase adulta, mostrando um ciclo de vida peculiar.
O sistema digestivo do ouriço-do-mar é bem curioso. Inclui a “lanterna de Aristóteles”, um aparelho bucal que raspa algas nas rochas. Dessa forma, ele consegue separar alimento de sedimentos, garantindo nutrição eficiente.
Os ouriços-do-mar pertencem à classe Echinoidea, dentro dos equinodermos. Além deles, existem pepinos-do-mar (Holothuroidea) e estrelas-do-mar (Asteroidea), cada grupo com adaptações próprias para sobreviver em diferentes ambientes.
Há milhares de espécies de ouriços-do-mar espalhadas pelo planeta. No entanto, por serem invertebrados lentos, enfrentam desafios constantes no ambiente marinho, tornando-se presas fáceis para lontras e estrelas-do-mar.
Quando não há controle, os ouriços podem causar desequilíbrios. Um exemplo é a superpopulação de ouriços-roxos na Califórnia, que reduziu drasticamente as florestas de algas, afetando todo o ecossistema.
Esses animais se alimentam de algas e restos orgânicos, atuando como herbívoros e detritívoros. Assim, eles realizam a remineralização de substâncias, devolvendo nutrientes à cadeia alimentar.
Além dos espinhos, algumas espécies possuem veneno. O ouriço-flor é considerado o mais letal, capaz de causar convulsões e choque anafilático em humanos, enquanto o Echinometra lucunter, no Brasil, também apresenta toxinas defensivas.
Pesquisas revelaram que o ouriço-do-mar possui células sensíveis à luz nos pés ambulacrários. Dessa forma, ele detecta iluminação e busca refúgio em locais escuros, reforçando sua estratégia de proteção contra predadores.
Uma das curiosidades mais marcantes é que o ouriço-do-mar pode viver mais de 200 anos em seu hábitat natural. Contudo, espécies tropicais têm vida mais curta, chegando a cerca de cinco anos, o que mostra a diversidade dentro do grupo. Quando morre ele perde os espinhos.