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Da consagração ao ostracismo: a história de Wilson Simonal, que nasceu há 88 anos


Caso estivesse vivo, o cantor Wilson Simonal teria completado 88 anos em 23 de fevereiro de 2026. A seguir, o Flipar relembra a história de um dos artistas mais populares e carismáticos que a música brasileira já produziu. 

Por Flipar
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Wilson Simonal de Castro nasceu no Rio de Janeiro, em 1938. Ele se tornou um fenômeno de público nas décadas de 1960 e 1970, um cantor de talento vocal, presença de palco e repertório pulsante que o fizeram uma figura central no cenário musical nacional.

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Simonal, o “Rei do Suíngue”, começou sua trajetória nos palcos integrando os conjuntos Dry Boys e Guaranis, mas foi como solista que conquistou o público. 

Flickr Arquivo Nacional do Brasil

Sua voz extensa, técnica refinada e estilo versátil, passando por gêneros como samba, soul e jazz, o colocaram em destaque nas rádios, em programas de televisão e nos maiores palcos do país.

Reprodução do Instagram @simonaloficial

No auge da carreira, Simonal era um ídolo que literalmente enchia estádios. Em 1969, durante um show no Maracanãzinho, ocorreu um dos momentos que marcaram a sua carreira. Na ocasião, cerca de 30 mil pessoas cantaram em uníssono “Meu Limão, Meu Limoeiro”, sob sua condução magnética, transformando o público em coro.

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Além do sucesso nos palcos, ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a dominar a televisão. Com programas como “Spotlight”, na extinta TV Tupi, e “Show em Si… Monal” e “Vamos S’imbora”, na TV Record, Simonal levou suas músicas e seu carisma para dentro das casas de brasileiros.

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No período, assinou grandes contratos publicitários. Entre eles, um com a Shell, que foi um dos maiores da época envolvendo um artista no Brasil. Simonal chegou a ser um dos rostos mais famosos do Brasil, ao lado de personalidades como Pelé. 

Reprodução do Instagram @simonaloficial

O repertório que o consagrou inclui sucessos que atravessaram gerações: “Balanço Zona Sul”, “Lobo Bobo”, “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Nem Vem Que Não Tem”, “País Tropical” – composição de Jorge Ben que se tornou seu maior hit comercial – e “Sá Marina”. 

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A canção “Tributo a Martin Luther King”, que Simonal compôs em parceria com Ronaldo Bôscoli, demonstrava também sua capacidade de diálogo com temas socioculturais mais amplos, como o combate à segregação racial, recebendo grande acolhimento popular e crítica positiva.

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O cantor carioca chegou a fazer duetos no palco com nomes famosos internacionalmente. Um dos exemplos eloquentes foi o show com Sarah Vaughan, uma das maiores cantoras da história do jazz.

Reprodução do Youtube Canal SpeedMerchants

Musicalmente, Simonal foi um protagonista ao lado do produtor Carlos Imperial do chamado movimento da pilantragem, estilo que mesclava samba, soul, rock e ritmos internacionais com uma levada marcante e dançante.

Reprodução do Instagram @simonaloficial

A carreira de Wilson Simonal sofreu um abalo dramático nos anos 1970. Em 1971, envolveu-se em um episódio que mudaria sua trajetória para sempre: após despedir seu contador em meio a desentendimentos profissionais, teria chamado agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), o órgão de repressão da ditadura militar, para resolver uma disputa com ele. 

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O caso resultou em violência contra o contador Raphael Viviani, cujo depoimento mais tarde tornou-se público, ligando Simonal à tortura e gerando acusações de colaboração com o regime militar por parte do agente do Dops Mário Borges. As injustas acusações de colaboração com a ditadura acabaram por determinar o declínio da carreira do cantor. 

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A história de Simonal foi revisitada por cineastas, críticos e historiadores. O documentário “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” (2009) e a cinebiografia “Simonal” (2019) exploram a ascensão meteórica e queda pública.

Reprodução do Youtube

Simonal morreu em 25 de junho de 2000, aos 62 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos em virtude de doença hepática crônica.

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Mesmo após sua morte, no hospital Sirio-Libanês, em São Paulo, Simonal continuou sendo uma figura discutida e estudada. 

 

Reprodução do Instagram @simonaloficial

Em outubro de 2012, a revista “”Rolling Stone Brasil” o elegeu o quarto maior voz da música brasileira. Um reconhecimento tardio, porém significativo, de seu impacto artístico e de seu legado na música popular.

Reprodução do Instagram @simonaloficial

Wilson Simonal deixou três filhos – Patrícia e os também músicos Wilson Simoninha e Max de Castro – e uma obra que, apesar das controvérsias, permanece como referência de talento e inovação na história cultural do Brasil.

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