Em uma aldeia remota no noroeste do Vietnã, a precariedade da infraestrutura obriga famílias a enfrentarem grandes riscos para garantir que seus filhos frequentem a escola.
Por FliparA comunidade vive em uma região montanhosa, pobre e de difícil acesso, habitada majoritariamente pela etnia Hmong.
O rio Nam Chim separa a aldeia isolada de Huoi Ha das escolas e de serviços básicos, como mercados e postos de saúde.
Durante a estação seca, a travessia é feita por pontes improvisadas de bambu ou jangadas simples.
Porém, nas monções, o rio se transforma em uma correnteza forte e perigosa, destruindo essas estruturas frágeis.
Sem alternativas seguras e temendo que as crianças percam aulas, os pais criaram uma solução extrema: colocam os filhos dentro de grandes sacolas de nylon, fechadas com ar no interior, e nadam com elas até a outra margem.
Estima-se que mais de 50 crianças já dependeram desse método arriscado para continuar estudando.
Após a travessia, as crianças ainda enfrentam uma longa caminhada de cerca de cinco horas por trilhas íngremes até a escola, onde ficam alojadas durante a semana.
A ampla repercussão internacional dessas imagens gerou pressão sobre o governo vietnamita por investimentos em pontes permanentes.
Mesmo com relatos de melhorias recentes, o caso permaneceu como símbolo da luta pelo direito à educação e do abismo social que isola comunidades rurais.
O distrito de Muong Cha, onde fica a aldeia de Huoi Ha, integra a província de ?i?n Biên, uma região montanhosa próxima à fronteira com o Laos.
O local se caracteriza por relevo acidentado, vales profundos e extensas áreas de floresta, o que influencia diretamente o modo de vida local e dificulta o acesso a algumas comunidades.
Historicamente conhecido como Muong Lay, o distrito passou por mudanças que moldaram sua identidade atual como um dos pontos mais selvagens e culturalmente preservados da região de fronteira.
A população é formada majoritariamente por minorias étnicas, como os Hmong, Thai e Kho Mu, que preservam línguas, trajes tradicionais e costumes próprios, especialmente ligados à agricultura de subsistência.
O cultivo de arroz em terraços, milho e mandioca é a principal base econômica, complementada pela criação de animais e pela coleta de produtos florestais.
A região é frequentemente foco de programas governamentais voltados para a redução da pobreza e a melhoria do acesso à educação e saúde em áreas de difícil acesso.
Para viajantes mais aventureiros, Muong Cha é atravessado por estradas sinuosas que proporcionam vistas espetaculares das florestas tropicais e das comunidades que vivem em casas sobre estacas.