Cientistas alcançaram um marco na astrobiologia ao demonstrar a resistência do musgo Physcomitrium patens em ambiente orbital, ou seja, fora do planeta.
Por FliparUm experimento fixou a planta do lado de fora da Estação Espacial Internacional (ISS), onde permaneceu por nove meses exposta ao vácuo, à radiação ultravioleta e a oscilações extremas de temperatura.
O estudo, publicado na revista iScience, indica que plantas primitivas podem possuir mecanismos de defesa muito mais resistentes do que se imaginava.
Essa estrutura robusta do musgo ajuda a explicar como os primeiros vegetais conseguiram colonizar ambientes hostis na Terra primitiva, marcados por alta radiação e clima severo.
Os cientistas concentraram a análise nos esporófitos — estruturas responsáveis pela formação das esporas —, que já haviam demonstrado resistência elevada em testes laboratoriais.
A análise concluiu que a camada esponjosa que protege os esporos funciona como um escudo que permite que essas células reprodutivas poderiam resistir até 15 anos no espaço.
Embora a microgravidade e a falta de pressão tenham causado pouco impacto, a luz ultravioleta direta foi o fator mais agressivo, degradando pigmentos como a clorofila.
As amostras foram instaladas na plataforma externa do módulo japonês Kibo e não tiveram nenhuma proteção extra enquanto ficaram no ambiente espacial.
A resiliência do musgo o torna um candidato ideal para projetos de suporte à vida em bases na Lua ou em futuras expedições a Marte, onde a proteção contra radiação e a sobrevivência em condições extremas são requisitos vitais.
Além da resistência demonstrada no espaço, o Physcomitrium patens é uma das espécies vegetais mais importantes para a biologia moderna, servindo como uma “planta modelo”.
Seu genoma foi totalmente sequenciado em 2008, o que ajudou os biólogos a entender como as plantas desenvolveram raízes, sementes e sistemas de transporte de água.
O musgo é um descendente direto das primeiras plantas que saíram da água para a terra há cerca de 450 milhões de anos. Sua capacidade de sobreviver à dessecação total é um vestígio dessa era primitiva.
Diferentemente da maioria das plantas superiores, sua elevada eficiência em recombinação genética permite modificações direcionadas no DNA com grande precisão, algo semelhante ao que ocorre em leveduras.
De acordo com os pesquisadores que publicaram o estudo, o desempenho das esporas no espaço representa um passo decisivo rumo à criação de ecossistemas autossustentáveis além do planeta, fortalecendo perspectivas de futuras colonizações.