A ditadura militar na Argentina durou de 1976 a 1983 e, segundo organizações de direitos humanos, a repressão do regime provocou o desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas. Em 1977, um grupo de mulheres fundou a Avós da Praça de Maio (Abuelas de Plaza de Mayo, no original), organização de direitos humanos que tem como objetivo principal identificar crianças sequestradas durante a ditadura.
Durante o regime, muitas das vítimas presas ilegalmente estavam grávidas e, ao nascerem, os bebês dessas mulheres foram entregues à adoção, geralmente para famílias de pessoas ligadas à ditadura.
Após o fim da ditadura militar, a organização formada por avós de crianças desaparecidas passou a se reunir na Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, como símbolo de resistência.
Em um sábado, dia 30 de abril de 1977, 14 mulheres trajando um lenço branco na cabeça ocuparam a Praça de Maio, no primeiro ato do que seria um dos mais importantes movimentos de direitos humanos da América Latina.
Em mais de quatro décadas de atuação, a organização foi ganhando mais integrantes e criou um banco nacional de dados genéticos para identificar os desaparecidos e comprovar os crimes perpetrados pelo regime.
O trabalho das Avós da Praça de Maio já conseguiu recuperar a identidade de mais de 140 pessoas. Assim, essas vítimas puderam ter contato com suas famílias biológicas e conhecer sua história.
'O apoio da sociedade, que segue fornecendo informações sobre possíveis filhos e filhas de pessoas desaparecidas e acolhendo quem tem dúvidas sobre sua origem, demonstra que essa busca não pode ser solitária', declarou a organização em comunicado de julho de 2025, por ocasião da identificação do 140º neto.
O homem identificado em abril de 1977 nasceu no centro clandestino La Escuelita, em Bahía Blanca, cidade a 630 quilômetros de Buenos Aires. Ele é filho de dois militantes do período, Graciela Alicia Romero e Raúl Eugenio Metz.
A organização Avós da Praça de Maio tem como presidente Estela de Carlotto, ativista de direitos humanos que teve uma das filhas, Laura Estela Carlotto, que estava grávida quando foi sequestrada pela ditadura.
Na ESMA (Escola de Mecânica da Armada), que foi um dos espaços de repressão da ditadura, foi instalada a Casa por la Identidade, local destinado a preservar a memória e símbolo da busca por encontrar os desaparecidos.
A atuação das Avós da Praça de Maio tornou-se uma referência internacional na defesa dos direitos humanos e na luta contra crimes de Estado. A organização foi fundamental no julgamento de lideranças envolvidas nos crimes da ditadura militar argentina, considerada a mais violenta da América do Sul.