Artes

Casa de Tomie Ohtake recebe exposição e passa a ser centro cultural


A Casa-Ateliê Tomie Ohtake abriga desde o início de março de 2026 a exposição “Ruy Ohyake - Percursos do habitar”. A mostra, que vai até 31 de maio, inaugura uma nova etapa do espaço, que agora passa a compor a programação do Instituto Tomie Ohtake com foco em arquitetura, design e artes em geral.

Por Flipar
Ohtake/Divulgação

A exposição exibe ao público seis projetos residenciais desenvolvidos pelo arquiteto Ruy Ohtake, filho da artista plástica nipo-brasileira Tomie Ohtake, entre as décadas de 1960 e 2010.

- Ohtake/Divulgação

Localizada no bairro do Campo Belo, em São Paulo, a Casa-Ateliê Tomie Ohtake foi moradia e local de trabalho da artista plástica durante 45 anos. Ela foi projetada por Ruy Ohtake em 1968.

Ohtake/Divulgação

Tomie Ohtake nasceu em Koyoto, no Japão, em 21 de novembro de 1913. Com nome de batismo Tomie Nakakubo, ela adotou o sobrenome Ohtake após o casamento com o agrônomo Ushio Ohtake.

Reprodução do Youtube Canal Rede TVT

Em 1936, ela viajou ao Brasil a fim de visitar um irmão e acabou se estabelecendo definitivamente no país devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial. Em São Paulo, acabou construindo sua família e, anos mais tarde, deu início à sua carreira artística.

Reprodução do Youtube Canal Rede TVT

Foi apenas no início da década de 1950, quando já se aproximava dos 40 anos, que Ohtake ingressou no mundo da arte, ao estudar com o artista Keisuke Sugano. O início tardio não foi empecilho para que sua produção logo ganhasse relevância, tornando-se uma das grandes representantes do movimento abstracionista no Brasil ao lado de nomes como Alfredo Volpi, Cícero Dias, Lygia Clark, Hélio Oiticica, entre outros.

Reprodução do Flickr Wagner T. Cassimiro

Nas décadas seguintes, a artista recebeu diversos prêmios e foi convidada a participar dos principais eventos das artes plásticas, incluindo a Bienal de Veneza.

Reprodução do Flickr Ariana Lorenzino

As obras de Tomie Ohtake, que também abrangem gravuras e esculturas, caracterizam-se pelas cores vibrantes e formas orgânicas, com traços que revelam a influência da tradição japonesa em conexão com a arte ocidental contemporânea.

Rovena Rosa / Agência Brasil

Esculturas da artista nipo-brasileira ocupam o espaço urbano de importantes cidades brasileiras, em especial São Paulo. Na Avenida 23 de Maio, por exemplo, uma de suas criações foi instalada em homenagem aos 80 anos da imigração japonesa.

Divulgação ALESP

Em Santos, no litoral paulista, foi inaugurada em 2008 a escultura de 20 metros de comprimento e 15 metros de altura em aço vermelho para celebrar os 100 anos da imigração japonesa.

Divulgação

Naturalizada brasileira em 1968, a artista tornou-se uma figura central na consolidação da arte abstrata no país. Em 2001, foi criado o Instituto Tomie Ohtake, dedicado à difusão de sua obra e à promoção da arte contemporânea, ampliando ainda mais seu legado.

Flickr / Lucas Lima / Creative Commons

Tomie Ohtake morreu em 2015, aos 101 anos, deixando uma produção vasta e influente. Sua obra permanece como referência fundamental na arte brasileira, não apenas pela qualidade estética, mas também pela trajetória incomum de uma artista que iniciou sua carreira tardiamente e, ainda assim, alcançou projeção nacional e internacional.

Reprodução do Youtube Canal TV Cultura