O principal problema da murta está no fato de ela servir como hospedeira do inseto Diaphorina citri, o psilídeo cítrico asiático, vetor da doença que tem o nome chinês Huanglongbing, porém mais conhecida como greening.
Esse inseto se alimenta da seiva tanto de plantas cítricas quanto da própria murta, podendo adquirir e transmitir a bactéria responsável pela enfermidade. Ao migrar de uma planta infectada para outra saudável, ele espalha rapidamente a doença, tornando o controle extremamente difícil.
O greening é considerado atualmente o maior desafio da citricultura mundial. A doença afeta diretamente o sistema vascular das plantas, comprometendo o transporte de nutrientes e provocando sintomas como folhas amareladas, frutos deformados e queda prematura. Em estágios avançados, pode levar à morte da árvore. Além disso, não há cura conhecida, o que torna a prevenção e o controle ainda mais críticos para produtores.
Nesse contexto, a murta desempenha um papel estratégico na disseminação do problema. Por ser uma planta frequentemente utilizada como cerca viva ou elemento decorativo, ela acaba funcionando como um “reservatório” tanto do inseto vetor quanto da bactéria. Isso ocorre porque o inseto se reproduz com facilidade na murta, mesmo fora dos pomares comerciais, criando focos permanentes de contaminação próximos às áreas de cultivo.
Outro fator que agrava a situação é a dificuldade de controle em ambientes urbanos. Diferentemente dos pomares, onde há monitoramento constante, as plantas ornamentais em jardins residenciais raramente recebem inspeção técnica. Assim, mesmo quando os produtores adotam medidas rigorosas em suas lavouras, a presença de murta nas redondezas pode comprometer todo o esforço, permitindo que o inseto continue circulando e reinfectando áreas produtivas.
Diante desse cenário, órgãos de defesa agropecuária e instituições de pesquisa passaram a recomendar ou, em alguns casos, exigir a eliminação da murta em regiões citrícolas. Medidas legais já foram adotadas em diferentes estados e municípios brasileiros, incluindo restrições ao plantio, transporte e comercialização da espécie. Em determinadas situações, a erradicação é obrigatória quando a planta está localizada próxima a áreas de produção, justamente para reduzir o risco de disseminação da doen
Portanto, embora a murta seja uma planta aparentemente inofensiva no contexto ornamental, seu impacto indireto na agricultura é significativo. Ao favorecer a sobrevivência e a propagação do inseto transmissor do greening, ela se transforma em uma ameaça concreta à produção de frutas cítricas