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Lentilha, o grão milenar que representa renovação e conta com alto valor nutritivo


Mais do que alimento, a lentilha carrega simbolismo. Cultivada desde a Antiguidade, ela é associada à prosperidade e, por isso, aparece com frequência em tradições de fim de ano ao redor do mundo.

Por Flipar
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Dos povos do Oriente Médio às tradições trazidas por imigrantes europeus ao Brasil, a lentilha deixou de ser apenas alimento para se transformar em um símbolo de desejos de abundância, estabilidade e boa sorte na virada do calendário.

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A lentilha é uma das culturas mais antigas do mundo, com vestígios que datam de aproximadamente 8.000 anos, indicando que foi um dos primeiros alimentos a ser cultivado na Pré-história.

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Sua origem, portanto, é rastreada até a Ásia Central e o Oriente Médio, onde se tornou um alimento básico para muitas civilizações antigas.

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Desde a Grécia Antiga, por volta de 6000 a.C., as lentilhas já eram consumidas, embora fossem frequentemente consideradas um alimento para as classes mais baixas devido à sua abundância e facilidade de cultivo.

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A lentilha também possui menções notáveis em textos religiosos antigos, como no Antigo Testamento da Bíblia. A história de Esaú, que vendeu seu direito de primogenitura a seu irmão gêmeo Jacó por um prato de guisado de lentilhas, ilustra como esse alimento já era valorizado na época.

Reprodução do facebook Oh Yum with Anna Olson

A planta que forma a lentilha, que cresce entre 15 e 45 cm, é uma leguminosa rústica que se desenvolve bem em climas temperados.

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Ao longo dos séculos, seu cultivo se espalhou por todo o mundo, adaptando-se a diferentes regiões e dietas, e hoje o Canadá é o maior produtor e exportador mundial desse grão nutritivo.

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Na cultura judaica, a lentilha também é um alimento simbólico, frequentemente servido em rituais de luto, porque sua forma redonda e a ausência de 'boca' simbolizam a totalidade da vida e da morte, e a natureza contínua do ciclo da vida e da tristeza.

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Com o tempo, o cultivo e o consumo de lentilhas espalharam-se pelo Mediterrâneo, Europa e, eventualmente, para as Américas, com cada cultura adaptando o grão em suas cozinhas.

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A tradição de consumir lentilhas na virada do ano está intrinsecamente ligada à prosperidade, abundância e boa sorte para o ciclo que se inicia.

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Acredita-se que este costume, predominante no Brasil, foi introduzido pelos imigrantes italianos, que o trouxeram de sua terra natal no final do século XIX e início do século XX.

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A razão central para este simbolismo reside na aparência física do grão. As lentilhas são pequenas, redondas e achatadas, assemelhando-se visualmente a moedas de ouro ou prata.

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Além do formato de moeda, a lentilha, quando cozida, incha e aumenta de volume. Esse processo de expansão simboliza o crescimento da riqueza e a multiplicação das boas energias e da sorte ao longo dos próximos doze meses.

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Em muitas famílias, a lentilha é o primeiro alimento a ser consumido após a meia-noite da virada do ano, superando até mesmo pratos de carne.

Reprodução do Facebook Czech Cookbook - Kristýna Koutná

A forma mais comum de preparo no Brasil é a salada de lentilha ou a sopa de lentilha, frequentemente combinadas com outros ingredientes que também trazem boas vibrações, como cebola, alho, e temperos frescos.

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O ato de comer a lentilha é muitas vezes acompanhado por pequenos rituais. É comum a superstição de que se deve comer pelo menos uma colherada do grão, ou até sete, para garantir a sorte e a prosperidade.

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Por fim, algumas pessoas até colocam dinheiro embaixo do prato ou entram na casa com o pé direito após a meia-noite, complementando a simpatia da lentilha.

Reprodução do Flickr ze na cozinha