Registros clássicos, como o “Périplo do Mar Eritreu”, já mencionavam as ilhas como ponto estratégico de comércio. Durante o período romano, o arquipélago ganhou notoriedade por suas ricas pescarias de pérolas, atividade que atravessou séculos e ainda hoje integra a economia local, embora em menor escala.
Ao longo da Idade Média, o arquipélago assumiu papel relevante no contexto político e religioso do chamado Chifre da África. Foi um dos primeiros locais da região a adotar o islamismo, com registros em escrita da época que comprovam essa presença precoce. No século 16, foi incorporado ao Império Otomano e depois caiu sob influência egípcia. Já no final do século 19, foi ocupado pela Itália durante o período colonial.
No século 20, já sob domínio etíope, chegou a abrigar uma base naval da antiga Uniãoo Soviética durante a Guerra Fria, antes de integrar definitivamente a Eritreia após a independência do país, reconhecida em 1993.
Do ponto de vista geográfico e ambiental, o Arquipélago Dahlak chama atenção pela biodiversidade marinha. Cercadas por recifes de coral, as ilhas abrigam uma grande variedade de espécies, incluindo golfinhos, tubarões, tartarugas e dugongos, além de numerosas aves marinhas.
Algumas áreas contam ainda com manguezais e formações vegetais adaptadas a ambientes salinos, compondo um ecossistema singular no Mar Vermelho.
A população local é pequena, de cerca de 2.500 habitantes, e mantém um modo de vida tradicional, baseado na pesca, na criação de animais e em práticas culturais preservadas ao longo de gerações. A língua dahalik, falada nas ilhas, é uma particularidade linguística que reforça a identidade própria da região.
No campo do turismo, o arquipélago permanece relativamente pouco explorado, o que o diferencia de outros destinos do Mar Vermelho. Ainda assim, vem despertando interesse crescente, sobretudo entre mergulhadores e praticantes de snorkeling, atraídos pela transparência das águas e pela riqueza dos recifes.
As ilhas oferecem praias de areia branca praticamente intocadas, além de sítios históricos e vestígios de antigas ocupações islâmicas que reforçam a relevância histórica da região ao revelar vestígios de antigas ocupações humanas e de intensas conexões comerciais
Em algumas ilhas, especialmente na maior delas, Dahlak Kebir, pesquisadores identificaram nos sítios arqueológicos ruínas de assentamentos, cemitérios islâmicos e inscrições em árabe antigo, que remontam aos primeiros séculos da expansão do islamismo no Chifre da África.
Esses registros estão entre os mais antigos da África subsaariana ligados à cultura islâmica e ajudam a compreender o papel estratégico do arquipélago como ponto de apoio nas rotas entre a África, a Península Arábica e o Oriente. Entre as curiosidades que cercam o arquipélago está justamente seu isolamento. Apenas poucas ilhas são habitadas de forma permanente, sendo Dahlak Kebir a maior e mais populosa.
Esse caráter remoto faz com que o local seja frequentemente descrito como um dos últimos “refúgios intocados” do Mar Vermelho, onde a presença humana ainda é discreta frente à força da natureza.