A confusão começou quando imagens da Lua com tons intensos de azul, rosa, roxo e laranja começaram a circular por todos os lados nas redes sociais ao mesmo tempo em que acontecia a missão Artemis II, da NASA.
Na ocasião, muitos internautas acreditaram se tratar de registros recentes feitos pela nave Orion. Apesar do impacto visual gerado pelas fotos, o material não pertence aos arquivos oficiais divulgados pela NASA.
Na realidade, essas imagens passaram por tratamento digital para destacar diferenças químicas quase invisíveis ao olho humano. A 'maquiagem' foi criada pelo astrofotógrafo ucraniano Ildar Ibatullin a partir da Terra.
Segundo explicações do doutor em astronomia da UFRJ, Bruno Morgado, o aumento da saturação transforma variações sutis em contrastes evidentes, permitindo identificar regiões com maior presença de titânio, ferro e outros minerais.
'Essas imagens não mostram uma Lua colorida como veríamos a olho nu, mas sim um mapa químico visual da sua superfície [...] Essas diferenças estão associadas à composição química e mineralógica das rochas na superfície', explicou ele.
Parte das fotos que viralizaram foi produzida com telescópio e câmera comuns adaptados para astrofotografia. Ibatullin utilizou milhares de capturas para limpar ruÃdos e, propositalmente, elevou a saturação para transformar variações sutis em contrastes gritantes.
Embora as diferenças mineralógicas existam de fato, a Lua continua aparentando tons acinzentados ou levemente amarelados na observação direta. As imagens coloridas, nesse caso, funcionam apenas como ferramentas científicas de visualização.
Um astrofotógrafo é o profissional ou entusiasta que registra imagens de objetos celestes como planetas, estrelas, nebulosas e da própria Lua por meio de técnicas especializadas de fotografia. Eles podem atuar tanto de forma independente quanto em parceria com observatórios e instituições.
Diferentemente da fotografia comum, ele utiliza longas exposições e equipamentos específicos — como telescópios e câmeras com sensores sensíveis — para captar luzes que o olho humano não consegue perceber.
Esse trabalho exige planejamento, conhecimento de equipamentos ópticos e noções de astronomia. Muitas imagens resultam da combinação de centenas ou milhares de exposições para reduzir ruídos e aumentar a nitidez.
O processamento digital também permite destacar cores e estruturas muito sutis. Além do valor estético, essas fotografias ajudam na divulgação científica e na compreensão da composição dos corpos celestes. Em alguns casos, o trabalho pode contribuir inclusive com pesquisas acadêmicas.