Mesmo após lavagem e preparo semelhantes aos realizados em casa, foram identificados 264 pesticidas em mais de 54 mil amostras de frutas e legumes. Pesquisas anteriores já associaram a exposição a esses compostos a partos prematuros, malformações congênitas, abortos espontâneos, alterações genéticas, redução da fertilidade masculina, doenças cardíacas e câncer, além de indicar possíveis efeitos cumulativos no organismo ao longo do tempo.
A American Academy of Pediatrics alerta que crianças e fetos são especialmente vulneráveis, com riscos que incluem baixo peso ao nascer, dificuldades de aprendizagem e maior probabilidade de doenças graves. Estudos também associam a exposição precoce a problemas de atenção e alterações no desenvolvimento neurológico. Por isso, especialistas defendem maior controle dos resíduos químicos nos alimentos para reduzir riscos.
A lista completa de alimentos com mais resíduos de pesticidas em 2026 inclui — além do espinafre, do morango e da uva — nectarinas, pêssegos, cerejas, maçãs, amoras, peras, batatas e mirtilos. Amostras coletadas indicaram quatro ou mais pesticidas presentes, com exceção das batatas, que tiveram uma média de dois.
A presença de resíduos de pesticidas em alimentos frescos tem sido motivo de preocupação crescente entre consumidores e pesquisadores em todo o mundo. Esses alimentos são amplamente consumidos crus, o que aumenta a relevância da discussão sobre segurança alimentar.
Pela sua própria constituição física, essas frutas e legumes tendem a absorver ou reter de forma mais acentuada os defensivos aplicados durante o cultivo. A nectarina e o pêssego, por exemplo, são conhecidas pela casca fina e maior exposição direta a essas substâncias.
A cereja apresenta situação semelhante, pois sua superfície sensível favorece a aplicação recorrente de pesticidas durante o cultivo. Outro destaque é a maçã, uma das frutas mais consumidas no mundo e frequentemente associada à presença de diferentes compostos químicos.
Pequenos frutos como a amora e o mirtilo também aparecem em análises com múltiplos resíduos detectados. A pera, por sua vez, integra essa lista devido à necessidade de proteção contra pragas específicas que atacam pomares e podem comprometer tanto a aparência quanto a qualidade do fruto.
Os pesticidas são substâncias químicas utilizadas para controlar insetos, fungos e plantas invasoras nas lavouras. Eles contribuem para aumentar a produtividade agrícola e reduzir perdas causadas por pragas, porém seu uso excessivo ou inadequado pode gerar impactos ambientais e riscos à saúde humana.
A exposição pode ocorrer tanto pelo consumo de alimentos contaminados quanto pelo contato ocupacional em áreas agrícolas. Por esse motivo, sistemas de monitoramento avaliam regularmente resíduos presentes em frutas e hortaliças.
Diante desse cenário, a lavagem doméstica em água corrente, embora essencial para a higiene, muitas vezes não é suficiente para eliminar substâncias que penetraram na polpa do alimento — em alguns casos, descascar frutas e legumes pode diminuir ainda mais a ingestão desses defensivos.
Produtos de origem orgânica também representam uma alternativa importante para consumidores que desejam diminuir o contato com pesticidas, pois são cultivados com regras mais rigorosas quanto ao uso de substâncias químicas sintéticas.