Uma das hipóteses mais difundidas indica que Pinzón teria desembarcado na região do atual município de Cabo de Santo Agostinho, no litoral pernambucano. A cidade, inclusive, sustenta simbolicamente essa interpretação histórica e considera o dia 26 de janeiro de 1500 como a verdadeira data do “descobrimento” do Brasil, promovendo eventos que reforçam essa memória local. Segundo relatos atribuídos à expedição espanhola, Pinzón teria identificado o promontório conhecido como Cabo de Santo Agostinho
Apesar dessas evidências, a viagem de Pinzón não resultou em reconhecimento oficial ou ocupação permanente do território por parte da Espanha. Isso se deve, em grande medida, às limitações impostas pelo Tratado de Tordesilhas, firmado entre as coroas ibéricas, que estabelecia uma linha imaginária dividindo as áreas de exploração no Atlântico. As terras alcançadas por Pinzón estariam situadas a leste dessa linha, portanto dentro da zona de domínio português, o que inviabilizou qualquer tentativa
Além disso, há indícios de que outros navegadores europeus possam ter se aproximado da costa brasileira antes de 1500, embora sem registros documentais tão consistentes quanto os atribuídos a Pinzón. Esse conjunto de possibilidades reforça a ideia de que o chamado “descobrimento” não foi um evento isolado, mas parte de um processo mais amplo de exploração marítima europeia no final do século 15 e início do 16.
Foi nesse contexto de disputas marítimas e expansão ultramarina que a esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral partiu de Lisboa em março de 1500, com destino às Índias. A frota, composta por 13 embarcações, tinha como objetivo consolidar a rota marítima para o Oriente, recentemente aberta por Vasco da Gama. No entanto, ao se afastar da costa africana e seguir uma rota mais ocidental, possivelmente por estratégia de navegação ou influenciada por ventos e correntes, Cabral acabou avistando terr
O primeiro registro da nova terra ocorreu em 22 de abril de 1500, quando a esquadra avistou o que foi posteriormente chamado de Monte Pascoal, no litoral do atual estado da Bahia. A chegada marcou o início do contato formal entre os portugueses e os povos originários que habitavam o território há milhares de anos.
Estima-se que milhões de indígenas viviam na região, organizados em diferentes grupos étnicos e linguísticos, como os tupinambás, tupiniquins, guaranis e muitos outros, com modos de vida próprios, baseados na caça, pesca, agricultura e complexas redes de sociabilidade.
Nos dias seguintes à chegada, os portugueses estabeleceram os primeiros contatos com os indígenas. Um dos episódios mais emblemáticos foi a celebração da primeira missa em território brasileiro, em 26 de abril de 1500, conduzida por Frei Henrique de Coimbra, em Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia. O evento foi registrado como símbolo da posse espiritual e política da nova terra.
O principal documento que relata esses acontecimentos é a carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Cabral. Endereçada ao rei Dom Manuel I, a carta descreve detalhadamente a paisagem, os habitantes e as impressões iniciais dos portugueses sobre o território.
Considerado a “certidão de nascimento” do Brasil na tradição historiográfica, o texto revela tanto o encantamento europeu diante da nova terra quanto os primeiros olhares coloniais sobre os povos indígenas, frequentemente descritos sob uma ótica etnocêntrica.
Após permanecer cerca de dez dias na costa, a esquadra de Cabral seguiu viagem rumo às Índias, deixando para trás um território que, naquele momento, não despertou interesse imediato de exploração econômica intensiva. Nos anos seguintes, o Brasil seria visitado por outras expedições, inicialmente com foco na extração do pau-brasil, madeira de alto valor comercial na Europa.
A colonização efetiva do Brasil teve início na década de 1530, quando a Coroa portuguesa enviou a expedição de Martim Afonso de Sousa para organizar a ocupação do território. A partir dessa época, com as capitanias hereditárias e a fundação de vilas como São Vicente, iniciou-se de fato o processo de dominação do território.