Esses julgamentos em massa foram autorizados por mudanças na legislação que permitem agrupar acusados em um único processo, algo incomum em muitos sistemas judiciais.
A forma como os processos ocorrem também chama atenção: muitos presos acompanham as audiências por vídeo dentro das prisões, com acesso limitado a advogados
Tudo isso faz parte da política de segurança adotada pelo presidente Nayib Bukele, que transformou profundamente o cenário de violência em El Salvador.
A partir de 2022, o governo iniciou uma ofensiva ampla contra gangues, especialmente a MS-13, após um pico de assassinatos que chocou o país.
Esse movimento ficou conhecido como “guerra contra as gangues” e foi viabilizado por um regime de exceção aprovado pelo Congresso. A medida suspendeu direitos constitucionais e permitiu prisões em massa de suspeitos, mesmo sem mandados judiciais.
Desde então, mais de 91 mil pessoas foram detidas sob suspeita de ligação com organizações criminosas. Esse número elevou o país a um dos maiores índices de encarceramento do mundo.
A estratégia incluiu também a construção de grandes presídios de segurança máxima, como o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), que virou símbolo da política de linha dura do governo.
A política de Bukele é vista por apoiadores como responsável por uma queda expressiva nos índices de violência. O país, que já esteve entre os mais perigosos do mundo, registrou forte redução nas taxas de homicídio.
Por outro lado, organizações de direitos humanos criticam duramente as medidas. Elas apontam detenções arbitrárias, restrições ao direito de defesa e risco de condenações injustas.
Juristas das Nações Unidas criticam os julgamentos coletivos porque, segundo eles, minam o direito de defesa dos réus e a presunção de inocência dos acusados.
Mesmo diante das críticas internacionais, Bukele mantém alta popularidade interna. Para muitos salvadorenhos, a sensação de segurança obtida com a “limpeza” das gangues justifica as medidas adotadas pelo governo e reflete até um orgulho da nação.